A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Boletim Corona vírus 6 - O que vai acontecer a partir de 1 Junho 2020

Na terça feira, dia 19, tivemos mais um pronunciamento.
A partir de junho, mais coisas serão retomadas. Não muito diferente do que eles já achavam que seria possível.
Digamos que será um relaxamento das medidas.
Aqui segue a tradução da página do site do governo sobre as medidas:

Fonte: https://www.rijksoverheid.nl/onderwerpen/coronavirus-covid-19/vraag-en-antwoord/persconferentie-coronavirus-de-stappen-na-1-juni-in-eenvoudige-taal

Conferência de imprensa do coronavírus: as etapas após 1 de junho em linguagem simples

Na terça-feira, 19 de maio, o primeiro ministro Mark Rutte e o ministro De Jonge falaram sobre o coronavírus na televisão.
Os pontos mais importantes são:
 
Passo a passo

Você pode fazer mais coisas a partir de 1º de junho.
Também em companhia de outras pessoas.
Manter uma distância de 1,5 metros permanece válido.
 
Em contato com outras pessoas a partir de 1º de junho
 
Ambiente externo
    Você pode se encontrar em ambiente externo com outras pessoas.
    Você deve manter uma distância de 1,5 metros.
    Pessoas da mesma família podem estar mais próximas.

Ambiente interno
   Visitas em casa, você deve manter uma distância de 1,5 metros.
    Em casa e no jardim.
    Até 30 pessoas podem se encontrar em prédios públicos.
    Inclusive se for uma reunião.
    As pessoas que trabalham lá não contam.
    Você deve manter uma distância de 1,5 metros.
    Academias permanecem fechadas.
    Fazer música (coral, banda ou com instrumentos de sopro) ainda pode ser perigoso.

    Há pesquisas sobre isso.

Restaurantes e bares estarão abertos a partir de 1 de junho

Restaurantes e cafés estarão abertos no dia 1 de junho a partir do meio-dia.
As regras se aplicam:
 

Ambiente interno
    30 clientes são permitidos dentro do ambiente.
    Você deve fazer uma reserva com antecedência.
    Você deve estar sentado em uma mesa.
    Um funcionário pergunta se você está resfriado. Ou está com febre.
    Se você tiver sintomas como resfriado, tosse, febre, você deve ficar em casa.
    Você deve manter uma distância de 1,5 metros.

Ambiente externo
    Mais de 30 pessoas podem sentar-se nos terraços, se houver espaço suficiente.
    Você deve estar sentado em uma mesa.
    Você deve manter 1,5 metros de distância de outros clientes.
    Pessoas da mesma família, mesma casa não precisam manter distância.

Cinemas, teatros e salas de concerto estarão abertos a partir de 1 de junho

Você pode ir ao cinema, teatro ou concerto.
As regras se aplicam:

    Máximo de 30 pessoas.
    Você deve fazer uma reserva.
    Um funcionário pergunta se você está resfriado. Ou está com febre.
    Se você tiver estes sintomas, você deve ficar em casa.
    Você deve manter uma distância de 1,5 metros.

As escolas secundárias serão abertas em 2 de junho

    As escolas secundárias serão abertas em 2 de junho.
    Diz respeito ao ensino médio e ao ensino especial secundário.
    Alunos e professores mantêm-se a 1,5 metros de distância.
    No entanto, nem todos os alunos irão à escola ao mesmo tempo. (horários especiais e ou parciais)

Informações para outras escolas

    As escolas primárias serão abertas totalmente em 8 de junho.
    As creches pós escola também.
    Todas as crianças podem voltar à escola e à creche.
    MBO, HBO e universidades começarão novamente em 15 de junho.
    As escolas abrirão parcialmente.
    Eles começam com exames e aulas práticas, por exemplo.

A partir de 1º de junho, as máscaras são obrigatórias nos transportes públicos

    Você deve usar uma máscara no bonde, ônibus, metrô e trem.
    Isso se aplica a todas as pessoas com 13 anos ou mais.
    Você pode ser multado em € 95 se não usar a máscara.
    A máscara não é obrigatória em áreas externas de circulação das estações e plataformas.

Apenas viaje de ônibus, bonde, metrô e trem se não houver outra opção.
Sente-se o mais longe possível de outras pessoas.
Mantenha uma distância de 1,5 metros de outas pessoas em um ponto de ônibus ou bonde, ou em uma plataforma de trem.
 
Não esqueça:

     

Mantenha sempre 1,5 metros de distância de outras pessoas.
    

Não vá a lugares muito cheios, lotados. Evitar aglomeração.
   

 Espirre e tussa no cotovelo.
   

 Lave, constantemente, suas mãos com água e sabão.
     

Você está resfriado? Então fique em casa!
    

Você está com febre ou está com falta de ar? Todos as pessoas da casa devem ficar em casa.
     

Trabalhe em casa o máximo possível.

Pois então, estas são as orientações. 
Estão dando a responsabilidade para as pessoas. Vamos ver, como vai ficar. Será que dá para ser otimista? Será que tudo realmente irá, aos poucos, voltar ao normal?
Quem vai ter coragem de ir ano cinema? De ir a bares e restaurantes? Eu acho que vai ter muita gente fazendo isso.
Será que vai dar para confiar que uma pessoa que tem um ingresso de cinema, realmente vai desistir de ir ver o filme se apresentar um resfriado? 
Será que alguém vai realmente deixar de tomar a sua cerveja com amigos num café porque está apenas um pouco indisposto?
Eu só vou mesmo relaxar lá em julho, depois de todas estas medidas postas em práticas e SE o cenário se manter tranquilo. Daí dá pra dizer que tudo está bem.
Fomos convidados para um aniversário. Já avisei que não iremos.
Só lá pra julho é que veremos os resultados e até lá a gente aqui ainda vai continuar evitando riscos desnecessários.
Vamos torcer para ficar tudo bem!

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Boletim Corona vírus 5


Talvez eu seja pessimista. Ou não. Talvez realista?
Existe um povo aí que já relaxou geral só porque os filhos voltaram às aulas na semana passada. Eu queria era entender o raciocínio, juro.
Ninguém disse que o vírus sumiu. 
Aqui na Holanda, a situação está sob controle. O sistema não colapsou, está dando conta da demanda. O número de pessoas doentes e mortos diminuiram. Diminuiram justamente por conta do isolamento social, do fechamento das escolas, de lojas, de bares e restaurante, cinemas, teatro...etc etc etc 
Ninguém foi proibido de sair de casa...
Nós aqui não fomos na casa de ninguém e mal saímos de casa. Só por necessidade de supermercado.
Uns e outros ainda levaram a vida como antes. Vi vizinhos recebendo visitas, dando festinhas de aniversário e soltando a criançada na rua pra brincar nos dias de sol.
A volta às aulas é um teste. Ninguém voltou ao ritmo normal de aulas. Turmas foram divididas e tem criança indo apenas uma ou duas vezes na semana para a escola.
Alguns serviços também voltaram como cabeleleiros.
Mas alguém disse que o vírus sumiu???? Não, né!
E aí é que está o perigo. 
As pessoas que podem, ainda estão orientadas a trabalhar de casa e qualquer sintoma de gripe, resfriado, febre, tosse, as pessoas devem ficar em casa. 
Eu precisava ir buscar uns medicamentos na farmárcia. Recebi um email que caso eu estivesse espirrando, tossindo ou qualquer outro sintoma, eu deveria telefonar para eles agendarem a entrega aqui em casa. Tudo para eu não sair de casa, tudo para eu não aparecer na farmácia e colocar em risco quem está trabalhando.
Agora, teve vizinho aqui na rua que passou estes dois meses trancafiado em casa. Nem os filhos saíram brincar na rua. Não abriram janelas e nem as cortinas. Neste fim de semana, recebeu uma penca de gente em casa.
A minha vizinha de porta, estava toda feliz e saltitante. Recebeu visitas também.
Pessoas não estão respeitando mais o distanciamento de 1,5 m em lojas e supermercados.
O fato dos filhos poderem ir para as escolas, não significa que tudo voltou ao normal e tudo será igual. NÃO! O vírus tá aí.
Tem gente que acha que com o calor, o vírus vai sumir. Aliás, já acha que o vírus "deu uma sumida" porque os números estão diminuindo, como disse acima.
Eu não sei se são otimistas demais, burras demais, inocentes demais ou sou eu, a grande pessimista.
E eu não estou a fim de pegar nem a versão mais leve.
Já tá cheio de gente aqui que teve a versão "leve" do vírus, se tratou em casa, foi até medicado, porém não conseguiu se recuperar totalmente depois de semanas...tem os sintomas que vão e vem. Vezes mais fortes, vezes mais amenos.
Imagina, que um amigo nosso queria até vir aqui em casa. Eu disse que não. Imagina, a gente aqui, tomando todos os cuidados...e, por um azar, somos contaminados por um encontro inocente entre amigos?
É, gente...devagar com o andor que o santo é de barro...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Vez ou outra


Eu encontrei uma conhecida uns tempos atrás na rua. 
Olha, apesar da cidade ser um ovo, não encontro e nem vejo uma pá de gente há anos.
Uma vez encontrei com uma outra que me disse que "tinham falado" que eu tinha voltado pro Brasil. Achei graça. As pessoas deixam de ter contato comigo e fazem deduções absurdas sobre a minha vida e saem espalhando por aí. Mais tonto é quem acredita. A pessoa ficou tão sem graça quando respondi que se ela realmente tivesse contato comigo, saberia da real.
Falando desta última, já fazia realmente um bom tempo que eu não a via. E olha que ela ainda mora perto da minha casa.
Da última vez que eu a encontrei, eu levei um passa fora bem ninja dela. Já até contei aqui o episódio...hahaha
Eu a tinha convidado para um café, numa tarde ensolarada lá no centro da cidade. Minha ideia era sentar num lugar legal e passar umas horas batendo papo, comendo bolo e tomando um café fresquinho. Porém, no meio do caminho, a mina resolveu entrar no supermercado, disse que tinha que comprar umas coisas. Ok. Lá tinha uma máquina de café. Ela pegou dois e me serviu. Ela simplesmente disse que era para tomar o café ali mesmo. Foi-se embora e me deixou ali plantada com cara de tacho.
Nunca mais, né gente! A gente tem sentimentos!
E assim os anos passaram. O menino dela, que era pequeno e que ela deixava comigo pra eu tomar conta, cresceu. Não precisou mais de mim. Não trocamos mais cartões de Natal e nem nos cumprimentamos mais nos aniversários. Virou uma perfeita estranha.
E eu encontrei com ela. Trombei com ela, literalmente. Ela ficou admirada. Já foi dizendo que não se conformava de não ter mais me visto por aí.
A conversa até engatou bem. Perguntei das crianças, da família. Até que ela de novo mencionou o fato de não ter me encontrado mais. Eu disse que se ela procurasse saber sobre mim, saberia onde me encontrar. Já estava até pensando em chama-la pra um café aqui em casa com a torta que ela gostava. Foi aí que ela estragou tudo dizendo que é muito ocupada, mas o problema não é ser "ocupada", o problema é a maneira esnobe da pessoa. De repente, a fisionomia dela mudou, parece que cresceu e se fez de superior. No estilo eu tenho coisas muito mais importantes na minha vida e também não preciso mais de você.
Pra mim, o recado foi dado mais uma vez. E também eu perdi o interesse. Daí quem não quer mais, sou eu.
Simplesmente encerrei a conversa:
"_Você é muito ocupada, eu sou ocupada, todos somos ocupados e assim caminha a humanidade, ocupada. Tchau!"
Virei as costas e saí andando. Sem olhar para trás!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

O meu aniversário já foi e...


O meu sogro, aquele véio ingrato, se esqueceu do meu aniversário.
Eu não comemorei. A minha vizinha apareceu aqui com a sogra dela. Por sorte, eu tinha UMA tortinha de maçã do supermercado, que partilhei no meio para as duas acompanharem o chá. Sempre tem o pessoal que telefona e eu queria mais era passar o meu tempo batendo papo. Pra não passar em branco, bati um bolo e mandei umas fatias lá pra vizinha depois.
Já comemorei outroras. Imagina que fazia festa para a família e para um pessoal que eu achava que era amigo, em separado. Quanta loucura. Ainda bem que caí na real. "Amigos" sumiram e a família... nem é a minha de verdade. E depois do que meu sogro mencionou, agora que eu fico é na minha mesmo. Eu perguntava de alguns familiares em conversa com meu sogro outro dia e ele disse que não tinha muito interesse nas histórias de família da minha sogra. Interessa a ele a família dele, do lado dele. Pensei comigo: eu que não sou nem da família da minha sogra e nem da família dele, estou é lascada mesmo!
A minha cunhada, a mais nova e folgada ainda propôs comemorarmos juntas, pois ela faz aniversário no mesmo dia que eu. A ideia era sair para jogar boliche e depois jantar em algum restaurante.
Caí fora!
Primeiro: ela não queria comemorar comigo. Ela queria era patrocinador para pagar metade de todos os gastos. As pessoas iriam mais pelo fato de ser aniversário dela do que o meu. Fato. Ela é filha e irmã e tia. Eu, agregada.
Ah mas você está muito radical!!! 
Já fizemos isso uma vez. Foi divertido, foi legal, mas foi. Passou.
Pensei nos meus sogros. Eles não teriam condições de participar.
Pensei naquela criançada sem fim...
E pensei na conta alta, porque sim, com o número de pessoas, não ia sair nada barato. E aquelas pessoas todas nem são da minha convivência. Vou comemorar meu aniversário com gente que mal vejo? Decididamente, não!
Meu marido entendeu o mesmo que eu e me apoiou. E, como venho narrando aqui há vários posts...a birra com a minha cunhada mais nova só aumenta. Olha...Jesuis me segura!
Antes eu fazia festa em casa. Inclusive para comemorar junto com a minha cunhada. Todo mundo vinha...era até bonito. Porém, eu ficava só na cozinha e eles rindo e comemorando o aniversário dela na sala. Pensei: por que estou fazendo isso mesmo se eu mesmo não me divirto? Fim!
Engraçado que meu sogro veio com uma conversa de que se esqueceu do meu aniversário porque eu não fiz festa.
Desde quando agora a pessoa é obrigada a fazer festa para ser cumprimentada pelo seu aniversário???? Quis sair pela tangente, isso sim.
Mas eu não ligo, não...vai se levando. Só não faço mais o que os outros acham que eu tenho que fazer.
Isso é uma coisa boa da maturidade...a gente pondera mais e pesa na balança o que realmente vale a pena fazer!
Boa semana.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Um registro para lembrar

A vida dá voltas e, às vezes, nos traz reencontros.
A gente volta no tempo...num tempo sem internet, sem aquecimento global, sem celular onde nossa única preocupação era tirar boas notas na escola e recuperar a camada de ozônio na atmosfera do planeta. E faz tempo hein...31 anos!
E olha que nem éramos assim daquelas melhores amigas e, pra falar a verdade, nem consigo me lembrar direito quando e como retomamos o contato. 
E a vida nos apresenta momentos especiais. Mesmo depois de tantos anos, anos inclusive sem contato, pareceu que sempre estivemos presentes uma na vida da outra.
Foram dias leves, só nossos, de curtição, risadas, lembranças e passeios...por poucos dias voltamos a ter 13 anos de novo. 
La vie est belle!

Amigas - Virxe da Rocha

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A folga do vizinho mais que folgado

Então, cá estou eu de volta. 
Deixa eu contar uma ladainha que tem acontecido todas às segundas feiras. É alguma série na TV? Não. É novela, não...é um drama mesmo. É uma situação que me consome, porque eu sei que é um abuso, não é normal. Têm me irritado há tempos e tirado a minha energia emocional.
Sabe, eu não me nego a colaborar, porém quando começa a passar de um certo limite para o abuso, aí eu não quero mais saber de conversa.
O vizinho, marido da vizinha folgada. Tá, eu sei, eles são gente boa. São simpáticos, estão sempre mostrando interesse na gente, convidam para os aniversários dos filhos. Às vezes, eu tomo um café com ela e ok...é assim.
Eles me pedem para ajudar com as crianças, ajudo.
Outro dia perderam a menina na excursão da escola. A avó - que não fala holandês e nem inglês e nem português - ía buscar a menina. Eu fui junto porque ela me pediu, pois ela não estava certa do local de desembarque das crianças. Ok, fui. Nada da excursão chegar. Já estranhei que tinha ninguém no local. Pois bem...ligo para a mãe, que estava trabalhando, para dizer que a excursão não tinha chegado. Enfim, ela disse que não sabia de nada. Disse que iria tentar contato com outros pais. Me ligou de volta e disse que NINGUÉM sequer atendeu aos telefonemas dela. Lá fui eu pra escola. Felizmente, encontrei a menina lá. Quase quebrei o pau com a professora da menina, porque eu questionei o horário de chegada, o que tinha acontecido e aquele perrengue todo. Ela me disse que chegaram antes do horário previsto. Então deveriam ter ligado para avisar a mãe de que a menina estava na escola. Enfim, virei as costas e trouxe a menina de volta pra casa, sã e salva.
Mas voltando ao holandês, marido da vizinha.
Ele começou a vir aqui de segunda feira. Dizendo que o menino não tinha acordado e que ele precisava buscar a menina na escola. Pra eu ficar com o babyphone pois era coisa de quinzes minutos apenas.
Primeira vez, ok, segunda vez, ok, terceira vez, ok...e outras vezes, ok...só que eu me toquei de que não era um acaso de que o menino não acordava...não era uma situação imprevista. Ele sabia que o menino não ía acordar, porque ele trazia o menino da creche e o colocava para o sono da tarde uma hora mais tarde do que o menino estava acostumado. Óbvio que o menino iria dormir mais tempo e não estaria acordado para sair com o pai na hora de ir buscar a irmã na escola.
Aí eu conclui: ele está contando comigo para ajudá-lo no dia de folga dele. O que eu tenho a ver com isso? Eu não sou parente, não sou tia, não sou amiga...só vizinha. Por que ele acha que pode agora bater aqui toda seguda feira para me pedir favorzinho?
Semana passada, não abri a porta. Já pensei em sair de casa no horário que eu sei que ele vai bater aqui. Já pensei em me esconder no guarda roupas....PATÉTICO! Eu não devo nada a ninguém, muito menos a ele. Estou na minha casa, faço o que quero. Vou ter que me esquivar agora? Eu quero é que ele pare de vir aqui, pare de me solicitar para coisas que nada tenho a ver. Como se eu estivesse olhando para as paredes sem fazer nada da vida e que é um júbilo ele me dar a oportunidade de ficar com o babyphone do filho dele.
E hoje, a campainha tocou...e eu pensei: Vá lá e acabe com esta PALHAÇADA!
Abri a porta com cara de poucos amigos. Tipo, diga logo o que você quer.
_Você pode ficar com o menino mais tarde?
Eu:
_Você vai vir toda segunda feira aqui me pedir isso? Para tomar conta do menino?
Ele fez uma cara sem graça, gaguejou e continou:
_É, hum, eu tenho que levar a menina no médico mais tarde, por isso.
Eu:
_Ah, ok. NÃO, eu não posso ficar.
Ele fez uma cara de que não gostou, não. Deu tchau e se foi. 
Queimou créditos comigo pedindo ajuda em hora que não precisava. Não fiquei com dó, não. Se vira...quem pariu Mateus, que balance o berço.
Esta é boa, ainda faz cara de decepcionado.
Simplesmente não entra na minha cabeça que a pessoa não tenha um pingo de noção do que está fazendo. A gente não fica solicitando os outros de maneira fútil. Cada um com a sua vida, os seus compromissos. Lógico que numa situação de necessidade, ninguém se nega a ajudar. 
Queria ver se fosse o contrário. Queria ver se fosse eu batendo lá toda vez que ele está de folga em casa para pedir algum favor a ele. Com certeza ele ia me dar uma invertida daquelas de perder o rumo pra casa.
Espero que ele tenha entendido o recado.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A americana

Eu não sei, mas parece que eu atraio gente tratante. 
Gente que não precisa combinar nada comigo, mas que combina as coisas e na hora H, desmarca. 
Gente que não precisa ter meu número, mas pede porque diz que vai me telefonar e NUNCA telefona. 
Gente que não precisa prometer amizade sem fim e diz que a gente tem muito em comum e isso e aquilo. E, bem lá no íntimo, a gente sabe que vai dar em nada, porque tá assim hoje em dia, pessoas vêm e vão. Mas será que tudo isso faz parte de algum código social? De um blablabla inútil porém necessário?
Uns meses atrás, tivemos uma festa grande de família...festa grande mesmo...teve banda ao vivo, cantor das antigas contratado pra se apresentar...enfim, muita gente...
Quando chegamos, a mesa da família já estava assim meio lotada e não tinha mais espaço para nós e tivemos que procurar por outra mesa. Um casal, numa mesa próxima, nos chamou e ofereceu os lugares vagos na mesa com eles.
A moça, origem chinesa, falava inglês. Aliás, foi ela que teve a iniciativa, porque esperar isso de holandês...não rola assim fácil, não.
Na hora, ela se levantou e se apresentou e já foi puxando conversa. Falou que não falava holandês porque estava só há um ano aqui...e contou toda a história da vida dela, numa simpatia sem fim. Americana. Namorado holandês. Aliás, o namorado dela, um jovem senhor também muito simpático. Nos apresentamos, eu pedi desculpas porque meu inglês não é fluente. Ela riu, entendia como era, uma salada de idiomas...que ela também fala chinês e conseguimos engatar num papo legal.
Nós nos identificamos como sobrinhos dos donos da festa e eu perguntei qual era a ligação deles com os titios! O holandês tratou logo de responder que o avô dele era parente do avô do titio. Eu ri e brinquei que estávamos então todos entre família. 
Mas depois, visto como tudo decorreu, fiquei na dúvida se eram mesmo convidados ou penetras na festa. A cunhada do rapaz veio sentar por um tempo com a gente. Quando falei o nome da titia, ela ficou em dúvida. Eu ainda brinquei..."Você não sabe quem é? É a dona desta festa!" A mulher ficou super sem graça...aí depois, sabe, você junta as coisas...enfim...contei até para o meu sogro, falar com a irmã dele.
E a noite seguiu agradável, comida boa, bebida, risadas...vieram outras pessoas e tudo ótimo.
E a americana já foi convidando a gente para ir para a Califórnia levar a vida sobre as ondas, ser artista de cinema, o meu desejo é ser star, só que não rs na casa de praia dela, que era linda. Descreveu a casa toda, falou que iríamo adorar (eu me achando já, me imaginando com os pézinhos na areia, sentindo a água nos pés hahaha) 


O namorado holandês quieto. Nem que sim e nem que não. Nós, meu marido e eu, nos entre olhamos assim, né...tipo...Oi? Tia, como assim ir pra Califórnia na sua casa na praia?
E eu sei, gente, que ela me passou os números dela, email e me rogou para que eu entrasse em contato, que ela gostaria de vir me visitar, pra gente marcar um almoço, fazer passeios...enfim...
Me liga, por favor! Vamos ser amigas!

Aí você pensa...vou esperar uns dias né...não quero parecer desesperada para fazer amigos! hahaha
Eu, sinceramente, ando meio preguiçosa pra ir atrás dos outros, ainda mais com meu inglês vencido, já vi o esforço que iria me custar, tudo para evitar a fadiga. Aí, você pensa e vê até pelo lado positivo. A moça super simpática, gentil...e, né, as férias na Califórnia...vai, que custa? rs Faz contato com a moça. Ela pediu!
Telefonei...o número caiu num tipo de caixa postal. Gaguejei qualquer coisa, morri de vergonha. Nada de retorno. 
Passei um email, um tempo depois.
Nada.
NUNCA MAIS...gente....
E foi assim! A grande amizade, já era!

domingo, 31 de março de 2019

Devagar e sempre

Gente, respondi à alguns comentários nos comentários!
O blog está devagar quase parando, eu sei, mas tá indo, viu!
Eu sempre penso em várias coisas para escrever, seriam vários textos...mas parece que o tempo escorre entre os dedos.
Estamos sempre às voltas com a família holandesa aqui...e a boa notícia é que meu sogro não tem mais vestígio de células cancerígenas na bexiga. Vai seguir com umas sessões extras do tratamento e, depois, com os controles médicos normais.
Porém, nem assim ele parece estar feliz!
Ele, nos últimos anos, tem escapado da terra dos pés juntos com maestria. Dois enfartos, um aneurisma e o câncer na bexiga. Era para estar mais positivo. Bom, temos que considerar que a internação da minha sogra, para ele, foi um grande baque da vida. Perder a companheira de quase 50 anos de vida em comum... Porém, por outro lado, ele se preocupava muito se ele morresse e o que seria da esposa? Mas ele não morreu, está vivo e saudável fazendo tudo o que ele pode fazer... minha sogra até que está bem pois ela anda, fala, conversa e é sempre amorosa, agradável companhia. Eu já falei para ele que o fato dela estar numa clínica é apenas para ser cuidada e não tirada de circulação do convívio dele e do resto da família. Contudo, ele sempre faz as coisas ficarem mais difíceis do que elas já são. Ele vai visitar a minha sogra todas as manhãs e fica com ela cerca de uma hora, contados no relógio. Fica dentro do quarto, que não tem nem uma TV. Olha que tortura. Ele pode sair com ela, levá-la até para a casa, passar o dia fora com ela, visitar amigos. Ele não faz porque acha que a esposa tem que se acostumar na clínica e que se for para a casa, não vai mais querer voltar. Minha sogra não reconhece mais a própria casa, onde viveu uma vida inteira. Não tem diferença a clínica e dizer que é um hotel onde ela está de férias, quando ela pergunta onde está. Uma das filhas já falou para ela uma vez que lá era a casa dela, agora. Ela não esboçou nehuma reação ou questionou algo. O que ocorre muito é de ela pedir muito para ir ver os pais dela, que já são falecidos há décadas.
Eu sei, não é fácil, porém tem gente que gosta de ser o fator complicador de uma situação que não tem o que mudar. Meu sogro é este fator.
Este ano ele faz 75 anos. Uma idade aqui super comemorada. Já disse que não quer fazer nada. Acho uma pena. Tem tantos amigos e familiares. Seria uma bela festa e minha sogra não deixaria passar em branco, com certeza.
No fim do ano, comemoram 50 anos de casados. Aí sim ele falou que gostaria de fazer algo...mas muito íntimo. Bom, até o fim do ano...temo pelo estado da minha sogra. Eu sou da opinião que, em relação a ela, temos que aproveitar o momento presente, sem grandes planos para o futuro.
Enfim...veremos.

domingo, 3 de março de 2019

As prioridades para as pessoas

E a cirurgia do meu sogro, para a retirada do aneurisma, foi marcada.
Ele seria operado numa sexta feira e teria mais dois dias de internação. Saíria na segunda feira no início da tarde.
As férias escolares estavam quase no fim, todos os filhos de volta na cidade. 
Outro detalhe: nesta semana de cirurgia dele, todos ainda estavam de férias do trabalho. Aliás, a minha cunhada mais nova, teria mais uma semana ainda livre. Meu marido sem férias, com todos os compromissos de trabalho e em outra cidade (sempre bom lembrar destes detalhes).
Também gostaria de acrescentar que os filhos do meu cunhado já são quase adultos. Têm a outra família, da mãe. Os filhos da minha cunhada são menores mas também têm os outros avós que já tomam conta deles. Outras tias e primos mais velhos. As meninas da minha cunhada mais nova folgada são menores, mas a mãe sempre se gaba de ter uma grande amiga que se oferece para ficar com as meninas. E aqui holandês faz o que bem entende, na hora que quer. Filho não impede esta gente de nada! 
E eu pensei que eu seria a última pessoa que eles acionariam de novo, neste caso da cirurgia do meu sogro. O outro filho acompanharia meu sogro no hospital e que as duas filhas se revesariam em ficar com a mãe, pelo menos durante aquela semana pós cirúrgica. 
Meu sogro não precisaria ficar acamado. Poderia fazer as coisas dele. Só não poderia dirigir ou fazer esforço físico. Eles poderiam ter providenciado uma entrega de refeições prontas na casa e os filhos se revesariam durante uma semaninha para fazer companhia para o pai e para a mãe. Encaminhar a minha sogra "na van" de manhã cedo para as atividades lúdicas e terapêuticas dela diárias.
Nossa, na minha cabeça, tudo era muito simples. Se eu segurei o tranco sozinha, durante cinco dias...uma semana, com três filhos por perto, seria moleza, não é?
Mas e daí? Quem realmente está disposto? E vos respondo: NINGUÉM!
Numa noite, tocou o telefone - já mencionei né que estamos pensando, seriamente, em dar fim em telefones e campainha? - era uma das minhas cunhadas para confirmar se eu iria para lá ficar com a mãe dela. Meu marido, coitado, ficou entre a cruz e a caldeirinha. Ele já sabia da minha resolução. Com três filhos lá, a minha presença não era necessária. E ele falou que eu não iria. 
Detalhe, nesta conversa, minha cunhada conta que irá também "aparecer por lá" para me ajudar, que eu não ficaria sozinha. Sei bem o tipo de ajuda: a boca para comer. E que ela tem os filhos - que golpe baixo, usar esta desculpa - e que a irmã mais nova ainda tinha que ir acampar com as filhas na França!
Alto lá! Você sabe que seu pai vai ser operado, sua mãe completamente incapacitada e você quer seguir com suas férias como se nada estivesse acontecendo? Já tinha viajado para a Grécia com o namorado. Já estava de bom tamanho, não?
E a minha cunhada mais nova também nos telefonou. Porque ela é muito boa em resolver as coisas pro lado dela. CHORANDO. A única solução era internar a mãe deles por uma semana na instituição, já que eu não podia ir para lá.
COMO ASSIM? Por minha causa, então, internariam a mãe? Por minha causa, não. Por causa delas que não queriam ter trabalho. Uma queria sair de férias.
Eu não cedi. Nem com a minha cunhada mais nova jogando tão baixo. 
Meu marido apenas silenciava no telefone enquanto ela soluçava.
Ele apenas falou: ela vai, mas se os dias forem divididos por igual entre todos.
Alguém concordou com a minha proposta? NÃO!
E minha sogra foi internada, no fim de agosto e está até hoje na clínica, infelizmente.
Mas esta culpa eu não carrego. 
Sinceramente, foi o melhor para ela, principalmente. Lá ela é bem cuidada, está sempre limpinha, perfumada, bem arrumada e bem alimentada.
Sobre o meu sogro, uma filha - já mencionei que todas as minhas cunhadas são enfermeiras? - foi dormir com ele, na casa. A outra viajou, acampar com a filhas.
A filha dormiu apenas três noites com o pai e depois mandou um email reclamando e que meu marido devia ir passar o fim de semana com o pai. Ele, claro, foi.
O outro filho, que mora na mesma rua, apenas umas casas distante da casa do pai, apenas o levou no dia da cirurgia para o hospital. Se ofereceu para dormir com o pai? Ou ficar com ele no fim de semana? Não.
Ah e os filhos todos têm dias livres na semana. Ninguém trabalha uma semana toda. E numa situação destas, era necessário abraçar a causa...pensar na prioridade dos pais...mas que nada.
Depois disso, eu observei muitas coisas e abri meus olhos. 
Não banco mais a super mulher maravilha. Porque no fim, principalmente as minhas cunhadas, se aproveitam da minha boa vontade para elas seguirem com a vida delas como se nada estivesse acontecendo. 
Naturalmente, nas reuniões de família do fim de ano, não recebi os tapinhas nas costas..."goed gedaan, jij ben zo lief!". Certas coisas não fazem falta e vivo muito bem sem falsos elogios.
No mais, resolveu-se o problema do aneurisma. 
Felizmente, tudo correu bem...no entanto, de volta ao urologista, meu sogro foi diagnosticado com câncer na bexiga, uns dias depois do Natal.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Teria sido mais honesto

Então você acha que a sua cunhada deveria perder a viagem para ficar com os pais?
Não, não deveria. Mesmo porque eu tinha a disponiblidade para fazer isso como o fiz. Fui lá e fiquei com meus sogros até termos o parecer médico definitivo sobre o aneurisma do meu sogro.
O problema foi toda a encenação dela. A manipulação. E aí, gente, você junta lé com cré e se lembra de várias outras situações onde ela SEMPRE consegue o que quer. Boa gestora. Tira o dela da reta para colocar o dos outros.
Eu tenho uma má impressão de holandeses em geral. Apesar que, hoje em dia, a empatia está em falta no geral. Se a pessoa tem algo para fazer, seja lá o que for, ela faz e pronto e não está nem aí para a necessidade do outro. Primeiro ela, depois o outro. Mesmo que a necessidade do outro tenha cunho prioritário.
Poxa, primeiramente, ela é uma enfermeira. Era o pai dela. Se algo passasse com ele, qual seria a pessoa ideal a estar com ele? Ela ou eu?
Ela poderia ter nos telefonado, óbvio que sim. Afinal era uma situação grave. Eu gostaria que ela tivesse sido honesta, como todo holandês se orgulha de ser. Olha, a situação é esta. Eu vou passar esta noite com meus pais. Estou sozinha em casa e a pintura do quarto fica para depois das férias. Vocês não precisam sair correndo a esta hora e pegar estrada. Vocês podem vir amanhã de noite, com calma e ficam no fim de semana. Sábado eu viajo, já está tudo agendado.
Mas claro, uma pessoa como ela, manipuladora, não pede...ela induz você a se oferecer mediante ao choro, desespero e deixa você tomar a decisão e tirar dela toda a responsabilidade de suas ações.
A operação do meu sogro para a retirada do aneurisma aconteceu no fim de agosto...
Quando eu arrumei as minhas coisas para voltar pra casa, meu sogro me chamou e disse que a minha cunhada - a outra filha dele mais velha que estava de férias - iria definir as coisas e que eu, provavelmente, teria que ir ficar lá de novo. Simplesmente respondi que era uma coisa a ser combinada já que todos os filhos estariam de volta das férias. Seria mais tranquilo. No entanto, era assim que eu pensava. Minhas cunhadas tinham outros planos em mente.
Já adianto...nada aconteceu como elas esperavam...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

E assim começo o primeiro post do ano

E o ano novo começou...
Dá vontade de dizer que o ano, realmente, começou tudo novo mas não é bem assim que a banda toca.
Vou dizer que este fim de ano foi um pouco diferente. O Natal comemorado aqui em casa, em família. Mas sinceramente, caí numa armadilha. rs
Nosso segundo semestre de 2018 foi bem complicado. Aliás, bem tumultuado. E tem gente que acha que eu não tenho o que fazer e nem com o que me preocupar...
Uma bela noite de agosto, perto das 22h, minha cunhada mais nova que NUNCA telefona, telefonou.
Ela estava aos prantos no telefone. Meu sogro tinha descoberto, numa consulta com o urologista para o diagnóstico de um exame, um aneurisma abdominal.
Meu marido é o único filho que mora em outra cidade. Ele tem mais três irmãos que moram na mesma cidade dos pais. Um irmão que mora na mesma rua dos meus sogros. 
Era época de férias... dois filhos, uma no Sri Lanka e o outro em algum lugar no sul da França, nada podiam fazer. 
Ela, a filha mais nova, enfermeira, era a única que estava na cidade. Como ela tem duas meninas pequenas, sozinha, tarde da noite e no outro dia teria que ir trabalhar, eu resolvi que eu iria para meus sogros. Pensei que seria complicado para a minha cunhada ir ficar com os pais. A preocupação era que se alguma coisa acontecesse com meu sogro na madrugada, a minha sogra, com demência, seria incapaz de chamar a ambulância ou qualquer ajuda.
Arrumei as minhas coisas e caímos na estrada. Detalhe, meu marido voltou para casa na mesma noite pois tinha que trabalhar no dia seguinte.
Eu, sinceramente, não achei a situação assim tão perigosa para o meu sogro. O médico não teria sido tão imprudente de mandá-lo para casa em caso de risco de morte. No entanto, como a minha cunhadinha chorou e fez o maior drama...lá fui eu.
No dia seguinte, eu comecei uma arrumação...lavei, passei, fui ao supermercado e descobri coisas na casa que a gente nunca há de imaginar, nesta vida, do que uma pessoa com demência é capaz de fazer. Fiquei passada! Horrorizada! Triste! Indignada!
Constatei que os filhos dos meus sogros são visitas na casa dos pais...só fazem figuração. E isso me deixou mesmo muito irada.
E a minha cunhada apareceu, linda e loira, perfumada, de banho tomado, no final da tarde, bem na hora da janta aliás...e foi para filar a bóia! Eu mal tinha penteado o meu cabelo.
Chegou sem as filhas. Achei estranho.
Perguntei das meninas. Ela ficou sem graça. As meninas de férias com o pai, em algum lugar na Espanha.
E perguntei do trabalho dela, se ela tinha férias agendadas. E aí, meus caros, eu descobri que eu tenho uma cunhada safada e manipuladora...
Estava sem as filhas em casa. Podia ter ido passar a noite na casa dos pais.
E já estava de férias e o "trabalho" que ela tinha era uma pintura no quarto que ela PRECISAVA terminar antes de ir viajar com o namorado para a Grécia no dia seguinte!
Ou seja...nós aqui não precisávamos ter ido para a casa dos meus sogros. Eu fui porque pensei que ela estava com as filhas, tarde da noite e que, no dia seguinte, ela tinha que trabalhar. Meu marido saiu de casa, pegou estrada sozinho na volta, já de madrugada....enquanto ela poderia sim ter ido passar a noite com os pais. Ainda mais como enfermeira.
Ela...ao contrário...tratou de arrumar uma pessoa para ficar na casa dos pais dela, eu, para ela poder terminar as coisas dela e sair sossegada de férias mesmo com o pai à beira da morte. Aquele chororô todo no telefone era pensando no risco de perder a viagem para a Grécia, isso sim!
Quando a minha ficha caiu...fiquei muito chateada. Estava sendo usada.
Fiquei cinco dias na casa dos meus sogros, até ele ter a consulta médica dele. Meu marido acompanhou o pai mas teve que pedir um dia livre no trabalho. Felizmente, o médico descartou qualquer risco e que estava tudo bem. 
Peguei as minhas coisas e voltei no mesmo dia para a minha casa. Até então, todos os outros filhos ainda estavam de férias.
Eu fiquei exausta. Minha sogra não deu trégua, mesmo ela passando algumas horas num centro de atividades diariamente, eu me ocupava com as coisas da casa. E quando ela chegava, ela não dava sossego. De noite, eu não dormia em paz. Ela entrava no meu quarto de madrugada, procurando pelos filhos. Eu ficava bem quietinha. No dia seguinte, ela sempre nervosa pela manhã. Dizia que as roupas do armário não eram dela e que não podia usar aquelas roupas feias...
Voltei para a minha casa, acabada! 
Mas...era só o começo.

domingo, 1 de outubro de 2017

A vizinha


Bom, nem vou discutir aqui que eu não tenho amizades holandesas...não tenho e pronto...é assim. Culpa deles, não sei...culpa minha que não vai atrás? Sei lá. Já tentei.
Nossa, você vive a tantos anos aí na Holanda e não tem amigos holandeses? Não, não tenho!
Falo de amizade...que vai na casa, que combina um passeio, que conta alguma coisa, que desabafa...necas. Porque dizer "hallo"na rua, eles dizem para qualquer um. Te cumprimentam como se fossem seus melhores amigos e podem te contar a vida deles em cinco minutos. Apesar que tem uns que nem "hallo" dizem mais. Uns tipos que passam olhando pro chão, só para não te olhar.
Mas um dia, encontro uma das vizinhas, HOLANDESA, na rua. Ela me para e começa uma conversa e então ela diz que precisa ir ver a mãe, que é bem idosa e interna numa residência de idosos e emenda um "vamos tomar um café qualquer dia". Gente...eu juro que fiquei me perguntando se eu tinha entendido bem. Ela diz para eu bater qualquer hora na casa ela.
Aí esta semana, depois de duas semanas do nosso encontro, vi que ela estava em casa e fui lá, meio ressabiada. Como eu não queria fazer nada assim "na hora", perguntei se poderíamos tomar o tal café no dia seguinte e ela topou.
E ela veio. Me trouxe bulbos de jacinto que eu nem sei onde plantar, mas tudo bem. O que vale é a intenção.
E a primeira pergunta dela para a minha pessoa é o que eu faço fora de casa.
Gente, parece que você é obrigado a ter que participar de uma academia, de um clube, de uma quadrilha de bandidos, de uma igreja para ser alguém.
Parece que tudo gira numa troca de interesses. Deixa eu conhecer fulano, quem sabe ele pode me ser útil para alguma coisa.
Uma coisa que me esgotou é encontrar com gente que nada tem a ver comigo. NADA. Eu procuro sempre respeitar o jeito da pessoa, mas se a pessoa não considera o meu lado...tô fora.
E ela contando que frequenta academia, que paga tanto por mês, que pode fazer qualquer aula ou atividade antes das dezesseis horas, que encontra vários vizinhos lá, que tem sauna e que o mais legal é que o café, chá, energéticos e bolachinhas são à vontade e você faz contatos com as pessoas.
Para, né? Dizer que café e chá são à vontade, ilimitados e contato com pessoas ou com os vizinhos não irião nunca me convencer a frequentar uma academia...
Questionei esta parte do contato e amizade. Ela me olhou, como se me analizasse.
Eu disse que eu tenho e me ocupo bastante com as minhas poucas e fiéis amizades. Que mesmo determinados amigos estando tão longe fisicamente, nos fazemos presentes na vida uns dos outros e que eu não tenho necessidade de contatos.
Ela se calou. Falou do clube de horta do qual faz parte, dos jantares a cada duas semanas com o pessoal onde cada um faz a sua comida e leva pra comer no tal encontro. Fico me perguntando o que esta gente conversa hahaha sobre a colheita?
Enfim...ela foi simpática, amável para uma holandesa, que eu costumo dizer que se bastam a si mesmas rs...não...minha sogra e minhas cunhadas são tranquilas, mas é da família né, não conta.
Me emprestou um livro sobre Alzheimer e disse que quer que eu vá tomar café com ela na casa dela...
Acho que estamos progredindo! 
Veremos.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Arroz de festa

Pois é...tem este termo para definir aquela pessoa festeira, que está em todas.
Bom, eu acho que já fui arroz de festa mas mudei...ainda mais depois da mudança de país.
Quando a gente chega, a gente quer participar de tudo que é encontro, evento, festa...afinal queremos criar novos círculos de contatos e amizades. Aliás, círculos estes que foram minguando aos poucos e se acabando mesmo.
Porém, aqueles amigos de sempre, sempre ficam...haja o que houver e alguns novos também reconhecem que por estarmos "longe de casa" temos que nos esmerar e procurar estabelecer novas e boas relações.
Agora, certos eventos, eu fui mesmo deixando de ir. Pelo motivo de ver que faltava um pouco de qualidade naquela relação pré estabelecida, afinal, a gente sabe, tudo é uma questão de reciprocidade e afinidade. Simples assim. 
Eu não tenho problema em "ser contato" de alguém desde que este contato não venha exigir de mim uma relação de amizade, quando eu não tenho a amizade dela. 
Eu acho que as pessoas perderam um pouco a noção. Existem sim: contatos, conhecidos, vizinhos, colegas, amigos e familiares. Claro que as pessoas podem mudar de núcleos, tudo depende das oportunidades, convivência...mas sem neuras, por favor. Eu tinha amigos, conhecidos que viraram "desaparecidos".😂 É a vida...fazer o quê?
Um pequeno exemplo: uma colega de trabalho pode comentar dos preparativos para o casamento dela, mas ela não tem a obrigação de te convidar.
Enfim...hoje a gente pensa duas vezes...e meu marido é muito mais caseiro do que eu.
No final do mês passado, aconteceu uma festa de família. Decidimos por não ir. O motivo: gente que a gente nunca vê. Primos que não se visitam...tio e tias que nunca encontramos...A gente não tem mais paciência para todo o gasto de energia que é colocado em encontrar as pessoas, procurar criar aquele vínculo, perguntar, responder, ser simpático e depois..."até nunca mais".
A tia do meu marido, que se mudou no início do ano, decidiu reunir a família pra mostrar a casa nova. O tal do "housewarming". Ela mandou o convite no início de julho para a reunião no fim de agosto. Ou seja, tão cedo para todo mundo poder ir.
Titia pediu confirmação mas não nos manifestamos. Se fosse a MINHA TIA...eu teria era participado no dia da mudança até... mas também não me preocupei e tampouco meu marido, pois era um convite e não uma ameaça. A resposta seria para caso fôssemos.
Aí, senta que lá vem história...
Muitos dos primos que confirmaram, na hora H deram uma desculpa e não apareceram. Isso eu achei horrível.
Meu sogro reclamou porque a titia reclamou com ele. Não tinha escutado nada de nós.
Meu marido escreveu a ela explicando o nosso comportamento "associal" e disse que gostaria de visitá-la numa outra oportunidade.
Ela respondeu, amavelmente, que somos bem vindos porém, agora em setembro, a agenda está insanamente lotada de festas. Depois, em outubro, devem começar alguns pequenos reparos na casa e quem sabe lá em novembro...
É...titia é a maior "arroz de festa"...e cá pra nós...esta visita vai rolar é nunca...E pra ajudar ninguém mora perto...a família toda espalhada. E esta formalidade toda...AGENDA...já nos dá arrepios. Mas claro, evoluímos, somos todos muito ocupados...precisamos ter tudo ali planejado, esquematizado, analisado...ai ai ai
E pensar que no meu tempo, com minha tia...era ir na padaria, comprar as coisas pro lanche, chegar, sentar à mesa da cozinha...logo o café passado, fresquinho...ela abrindo a geladeira e tirando tudo de lá de dentro...e se a gente levantesse pra ir embora, ela falava que era pra ficar pro jantar! rs
Tias na Holanda e tias no Brasil, nem tá mais assim tão distante não rs...foram-se os tempos dourados...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A vizinha folgada... socorro!

Colega, você aí, minha amiga, que é mãe, que resolveu enfrentar a grande aventura da maternidade.
É uma decisão sem volta a decisão de ter filhos. Acredito que você tinha em mente esta ideia quando resolveu ser mãe, idealizando aquele rostinho fofinho, as risadinhas banguelas e todas as fofurices que só um bebê tem. Com quem será que irá se parecer? Será lindo como o pai? Terá a inteligência da mãe?
Pois é, e espero também que você tenha levado em conta as noites em claro, que podem ser muitas no decorrer da vida inteira e por vários motivos. Dos choros infinitos de cólica e mazelas diversas. Das birras e malcriações. Das brigas sérias, do desrespeito...porque uma hora tudo isso acontece...em umas famílias mais, em outras menos...mas acontecem.
E aí você tem o seu primeiro filho e resolve ter o segundo, o terceiro, o quarto...
Se você vive longe da família e, ainda por cima, num país estranho e frio...você terá que ser quase ninja.
Saiba que ao decidir ser mãe, você vai triplicar suas obrigações e tarefas diárias. Mas tudo isso é fichinha, afinal tudo vale a pena quando se recebe o carinho de um filho.
A escolha é de cada um.
E considerando que a escolha é sua, eu acredito que você não vá responsabilizar e delegar suas obrigações a terceiros, principalmente aos que não têm filhos.
Não pense que quem não tem filhos, não tem o que fazer. Uma pessoa sem filhos talvez tenha mais liberdade no seu dia a dia, mais flexibilidade nos seus horários. Como por exemplo, não ter que sair no frio, no meio da escuridão, da chuva, do vendaval pra levar os bacurizinhos para escola.
Uma pessoa sem filhos tem as mesmas coisas para fazer que uma mãe, ela só não tem os filhos. O resto é tudo igual.
Mas claro que, neste mundo, ninguém vive numa bolha e uma hora ou outra será necessário pedir uma ajuda. Tudo bem. É perfeitamente compreensível. Nós sem filhos não somos tão frios e apáticos assim.
Agora se você tem uma rotina, que foi escolhida por você, seja realista de que a rotina é sua e ninguém tem nada a ver com isso.
Claro que outras pessoas que têm filhos se compadecem e sabem que podem trocar favores do mesmo nível com outros que também são pais. Até aí, normal, uma mão lava a outra e todos ficam felizes. Quer ter uma noite romântica com seu amor? Peça ajuda para a avó, uma tia ou para aqueles vizinhos com quem seus filhos brincam depois da escola. 
Pode até ser para aquela amigona sem filhos? Pode...mas tenha em mente que ela é que está lhe fazendo um grande favor e não você, de deixar ela desfrutar dos seus filhos. A sua amiga sem filhos, nunca vai ter o que te pedir na mesma proporção. Pense nisso. Claro, a não ser que ela viva enfiada na sua casa, tomando o seu tempo, abrindo sua geladeira, seja uma espaçosa...tudo depende. Tenha bom senso.
E a minha vizinha folgada parece não ter bom senso.
Ela sabe que tem que buscar a filha mais velha na escola. Porém, muitas vezes o bebê ainda está dormindo nesta hora dela sair.
O que ela se acostumou a fazer? Adivinhem. A bater aqui.
Detalhe: ela tem carro na porta e dirige.
Já quebrei o galho dela algumas vezes e a coisa tem sido quase que semanal.
Sabe que tal hora tem que sair? Acorda o bebê um pouco antes, coloca ele na cadeirinha, enrola num cobertor e pronto...entra no carro e vai. Não é nem cinco minutos.
A rotina é dela, não minha.
A desculpa dela: o menino está dormindo e ela tem dó de tirá-lo da cama pra sair no frio.
A minha ira: ver o pai sair com o filho no fim de semana, no frio, bem no horário do menino estar dormindo. E ela em casa. Aí pode?
Se o menino pode sair com o pai, dormindo no carrinho, no frio, por que não pode sair com ela, no carro, que precisa sair pra ir buscar a filha mais velha na escola? Por que ela tem que bater aqui e me pedir para ir ficar com o menino?
Ah e uma outra vez, ela saindo e eu saindo ao mesmo tempo, a pé. Ela só me falou "hallo", entrou no carro e saiu cantando pneu. 
Pensei que ela podia ter me oferecido uma carona, né?
_ Olha, tô indo para tal lado, se der certo pra você também, entra no carro que eu te deixo lá. (Ainda mais considerando que eu tenho prestado favores a ela...seria simpático e mesmo porque já bateram aqui pedindo pro meu marido levá-los para a estação quando eles não tinham carro. A chamar o meu marido no trabalho dele para levá-la ao controle da gravidez...Vejam o nível da minha solidariedade...Pois é, a gente é trouxa mesmo)

Depois dessa, a porta pode ir abaixo, mas eu não abro mais! 
Me chamem de cruel! Em 2017 tudo será diferente!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Da série: vou viver uma vida e não vou ver tudo...

Sabe, eu venho contar aqui e a maioria dos eventos são aqueles que me assombram.
A gente cresce com uma certa educação, ao decorrer da vida adquirimos aqueles códigos sociais de boas maneiras, seja no trabalho com os colegas e superiores, com amigos, família e por aí afora. Claro que cada um de nós temos o nosso jeito de ser, que é o que nos diferencia dos outros, afinal temos emoções, sentimentos, características! Uns mais introvertidos, outros mais abertos e receptivos. Outros mais atirados e comunicativos, outros mais solitários.
E tem coisas acontecendo aqui ao meu redor que vai totalmente contra a tudo que já vi nesta vida!
O conceito de amizade será que mudou? Depois dizem que nós, brasileiros, é que temos a mania de achar que todo mundo é amigo.
Continuando sobre a festa surpresa da vizinha.🎂
O vizinho pediu para fazer o favor de receber o presente dela. Claro, tem que ser surpresa. Até aí, ok. Me avisou o horário e recebi o presente na minha casa.
E qual não foi a minha surpresa quando ele passou um e-mail para todos os envolvidos dizendo que ele tinha comprado o tal presente e que ele esperava que as pessoas colaborassem.😲
Gente, primeiro ele convidou todo mundo e disse que ninguém deveria se preocupar, o importante seria a presença. E depois que as pessoas, mesmo no meio de seus compromissos da semana, se prontificaram a participar, ele vem com este papo?
Eu acho isso manipulador, deselegante, cara de pau mesmo!
Não vejo nada demais numa festa surpresa desde que as pessoas sejam amigas de verdade, pessoas íntimas do aniversariante e que um presente comum seja acordado entre todos, previamente. Eu já participei de coisas assim antes! A tal famosa vaquinha, ainda mais para os colegas de trabalho com que a gente estava todos os dias. A gente combinava antes com os demais, o presente, o valor.
Isso não é a primeira vez que acontece. De uma outra festa nós não participamos. Foi mais ou menos na mesma linha.
Acho de muita cara de pau fazer uma festa no sentido realmente de angariar fundos para o presente que ele determinou que queria dar. Claro que é tudo muito sutil. Sempre está lá que você pode participar com qualquer valor e se quiser, que a sua presença é o que importa e blablabla Se é o que realmente importa porque se presta a este papel?
Há escolha afinal?  É tão sutil que você se sente colocado contra a parede e para não ficar chato acaba fazendo o jogo da pessoa.
Meu pai diz que isso é "fazer bonito com o chapéu dos outros". 😜
Só dá vontade de ficar bem longe desta gente!
Mas...Olha, isso virou moda agora, é?😕

domingo, 27 de novembro de 2016

A do contra

Dizem que o aquariano é aquele que dá o contra por qualquer coisa. A maioria quer o amarelo, ele diz que o azul será mais bonito. O povo quer vermelho e ele quer amarelo. 
Uns tempos atrás eu recebi o email de um amigo de muitos anos atrás. Fazia tempo que ele e a mulher deixaram de responder as minhas mensagens. Com o tempo, desisti de escrever. Tínhamos contato direto pelo Skype. Sumiram.
E, um tempo atrás ele me escreveu. Fiquei super contente! Respondi super feliz, mandei fotos, endereço, telefone, RG, CPF, senha do cartão do banco. Perguntei de tudo e de todos! Aliás, ele me pedia na mensagem que mandasse notícias assim que possível.
Você recebeu a resposta? Nem eu!
Aí, se passaram uns dias, eu soube que invadiram contas de email diversas. Pensei com os meus botões...ah então a conta dele foi invadida, só pode! Vida que segue.
Falando com uma amiga em comum - na verdade, ela o conheceu através de mim - contei do lance aí e ela me contou que tinha recebido um "joinha" dele numa foto que postou lá na página social dela, um tempo atrás. Engraçado que ele nunca tinha se manisfestado antes. Detalhe: foi na mesma época que "ele"me escreveu o email.
Ela foi lá bisbilhotar a página dele. Fotos recentes...pelo menos na página pessoal parece que ele anda bem ativo.
Minha amiga neste momento me intima a abrir uma conta na rede social, pra "manter contato" com os amigos! 
Esta coisa de rede social nunca me pegou. Eu já mantenho contato com as pessoas, estejam elas onde estiverem. Rídiculo eu delegar o contato direto que tenho com as pessoas à uma página na internet. Isso é uma coisa que não entra na minha cabeça. Agora se a pessoa quer se livrar de mim, é só deixar mesmo de responder as minhas mensagens, me deletar do Skype, não retornar ligação, ignorar sms...e pronto, tudo certo. Entendi que não quer mais contato, então nem preciso de rede social.
E minha amiga querendo me vender a ideia...ah é tão legal, você vê as fotos das pessoas, você recebe postagens interessantes dos seus contatos, você enfim... mantém contato.
Eu quebro as pernas dela quando digo que tenho contato com ela direto. Seria melhor então que a gente migrasse para a rede social e só se falar por lá?  Ela fica desconsertada! Eu dei risada.
Aí eu tive a brilhante ideia: pedi para a minha amiga enviar uma mensagem a ele perguntando se ele realmente tinha me escrito. 
E aí é que eu viro o bicho...olha a resposta dela:
_ Eu?!?!?! Mandar uma mensagem para ele?!?!?!? Nãooooo... não dá!
Eu:
_ Mas como assim não dá, você é AMIGA dele aí na rede social, vê as fotos dele, sabe até o que ele comeu no jantar de ontem...ele "deu joinha" na sua foto...escreve pra ele pra mim!
Ela: 
_ Aaahhh eu tenho ele né na minha rede, mas assim, não tenho contato assim direto com ele...tipo assim para mandar uma mensagem...sei lá...
Agora me diga...pra que serve mesmo uma rede social?

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Estou por aqui

Já estou ensaiando há dias para dar as caras por aqui.
Aí venho, sento e começo a pular de site em site para ler as notícias, fofocas e acontecimentos diversos e quando me dou conta, o tempo voou e já é hora de fazer alguma outra coisa.
O calor deu as caras. Melhor dizer, o calorão...eu sei...a gente implora pelo verão e ele chega chutando o balde. Eu tenho passado mal...não aguento mais temperaturas tão altas que chegam de repente. Num dia vinte graus, no outro trinta e quatro.
Saí em busca de sorvetes e pasme...tudo às moscas no supermercado! Só daqueles sorvetes que ninguém quer... por sorte ainda achei as últimas caixas de picolés de frutas.
Também tivemos aniversários dos sobrinhos.
Ahhh eles crescem tão rápido, num piscar de olhos.
O sobrinho caçula de três anos, chega para a outra tia dizendo que está com fome. Ele tinha visto outras crianças pegar sorvete do congelador. Ele coloca as mãozinhas na barriga e diz que está com fome. A tia pergunta se ele quer uma cenoura. Ele fecha a cara e diz que não. Ela pergunta então o que ele quer e ele responde imediatamente:
_ Sorvete!
Porém, depois de um tempo estão todos na sala. Assim que entro, sinto um cheiro horroroso. Vale lembrar que ele ainda usa fraldas.
Dou o alarme. Pior são os adultos que parecem nada perceber ou se fazem mesmo de mané para não ter que trocá-lo.
E o menininho lá, se fazendo de inocente. O pai pergunta:
_Filho, você fez cocô?
O menino nem se manifesta.
O pai o pega e o leva para trocá-lo.
Pois é, na hora do sorvete é capaz de ir lá e fazer a maior encenação e na hora que está todo melequento, fica quietinho. Vai entender.
Bom, ele tem que sair das fraldas logo, pois ano que vem ele já começa na escola básica, com quatro anos. Falta pouco.
Já a outra sobrinha, que fez quatro anos, começa na escola em setembro.
Ela está muito mimada, birrenta e tem uns ataques de fúria do nada.
Deu um show na porta de casa, mandando as crianças vizinhas embora porque ela não queria ninguém mais ali, que eram todas mal criadas e que mereciam ser castigadas e ainda soltou palavrões.
Eu fiquei passada com aquela cena. Chamei a minha cunhada e relatei o fato. Ela ficou assim meio assombrada. Como? Não é possível!
Na verdade, a menina estava encenando algo que ela presenciou ou que sofreu. Porque ao entrar de volta, estava com o semblante calmo, sentou-se no tapete da sala e continuou a brincar com a sua boneca.
Eu acho que esta vai dar trabalho na escola. 
Os pais se separaram no final do ano passado. Aliás, minha cunhada se separou duas vezes do mesmo marido. Já era para ter aprendido na primeira vez, quando ainda não tinha as duas meninas.
Pior foi ela contar que a relação já estava ruim quando ela resolveu engravidar da caçula, hoje com dois anos apenas.
Quem em sã consciência, numa relação já ruim, resolve ter mais um filho?
Ela já reatou com um ex com quem já não tinha dado certo...
Agora já engatou num outro relacionamento...mas ninguém deu trela e nem pergunta nada do moço. A gente (meus sogros, minha outra cunhada e concunhado, meu marido) ainda não digeriu a separação, quem dirá já encarar o novo namorado...assim do nada.
E o ex também, já está em outra.
É...a brevidade das relações...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Amigos dos sogros

É uma turminha que não está nem aí mais pra nada. Aposentados, com a vida ganha, tempo de sobra pra curtir a vida.
Bom, não posso dizer no geral, mas os que conheci estão sempre animados, planejando passeios, viagens e lembrando sempre dos áureos tempos da juventude.
No domingo passado estivemos com meus sogros. Resolvemos ir sem avisar mesmo porque resolvemos na hora. Já fazia algum tempo que não os víamos e era bom dar uma passadinha lá para ver a minha sogra.
Eles tinham visita. Meu marido pensou em desistir de entrar. Sabe como é a etiqueta holandesa...e meu sogro poderia se sentir incomodado com a nossa chegada repentina. Minha sogra, não...para ela a gente pode aparecer a qualquer hora.
Encorajei o meu marido e entramos. Meu sogro reagiu de forma animada e apresentou orgulhoso o primogênito.
Minha sogra dizia animada para a amiga:
_ Olha, este é o meu filho mais velho. Sabe que até hoje não me conformo de ter feito um homem deste tamanho. Olha como ele é alto!
E todos riam.
Quando o senhor me olhou assim, animadinho e completou dizendo ao meu sogro:
_ Ohhh esta moça aqui deve ser a nora brasileira! Nossa, você nunca me disse que sua nora era tão bonita e jovem. Uau, estou realmente impressionado!
Meu marido notou o entusiasmo do vovozinho para com a minha pessoa.
Aí nestas horas meu sogro se estufa de orgulho.
Vejam bem, o mérito é do meu sogro, que recebeu os cumprimentos pela "nora bonita" foi ele...entenderam o que eu quero dizer? hahaha Mas enfim, considerei o elogio como sendo dito a mim diretamente! hahaha
Pois é, tem horas que eu até me divirto com estes holandeses.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Amores impossíveis

Já tem um tempo que estou pra escrever daquele nosso amigo holandês. Lembram-se dele?
Aquele de "noivas" virtuais e inexistentes pra quem ele já mandou dinheiro, computadores, tablets e o que nem tinha para mandar.
Falo em noivas, no plural mesmo, porque eu acho que ele está na terceira relação ou quarta? 
Sempre a mesma coisa...histórinhas tristes em que ele se torna o herói da fulana que lhe faz declarações de amor e jura que quer casar e ter filhos com ele, formar a família tão sonhada.
Bom, vocês bem sabem também que meu marido e eu entramos de cabeça para tentar abrir os olhos dele, mas nosso esforço foi sempre em vão.
Nós falamos com ele de tempos em tempos. É sério. Meu marido nem quer saber mais. Nunca mais tentei sequer sugerir um café ou algum encontro porque o assunto sempre ía para o assunto da noiva que estava para chegar.
Gente, ele foi várias vezes "buscá-las" no aeroporto e NUNCA alguém apareceu!
E olha que os contatos até que evoluíram porque agora elas mostram a cara sim pela webcam, mas não falam nada, só imagens que eu penso serem forjadas. Alguém fica teclando e colocam até primos, avós, tios (porque estas meninas são órfãs). Enviam fotos...claro, montadas. Documentos forjados.
Acreditem ou não, disse ele que até se casou para ajudar a moça que devia receber uma herança milionária depois do casamento e ele iria receber a metade. Recebeu até fotos da festa do próprio casamento e aposto que ainda bancou o banquete!
No meu aniversário, em vez de me desejar parabéns, perguntou se eu faria festa, pois a noiva estava para chegar e ele viria aqui com ela. 
Ohhh a audácia! Eu respondi que não faria festa, mas que se ela realmente fosse de verdade e viesse mesmo para a Holanda, eu daria uma festa só para ela, de boas vindas!
Quando a gente questiona algo e coloca uma pulga atrás da orelha dele, ele ainda conta depois que confirmou tudo com o primo da moça. De que tudo está esclarecido.
Já está no terceiro ano desempregado.
Agora teve que vender o apartamento por não poder pagá-lo. Irá voltar para a casa da mãe em outra cidade. Sim, um homem de quarenta e sete anos, que nesta altura da vida, está com uma mão na frente e outra atrás.
Triste. Sinto pena, porém quando ele vem com as dele, tenho certeza de que ele merece tudo o que está lhe acontecendo.
Uma soberba, um narcisismo, egoísmo e "se acha".
Bom, não vou dizer que é caso encerrado, afinal o mundo dá voltas...e de alguma coisa a gente sempre fica sabendo.
Vai entender o ser humano, este aí, eu já nem tento mais!