A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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domingo, 31 de março de 2019

Devagar e sempre

Gente, respondi à alguns comentários nos comentários!
O blog está devagar quase parando, eu sei, mas tá indo, viu!
Eu sempre penso em várias coisas para escrever, seriam vários textos...mas parece que o tempo escorre entre os dedos.
Estamos sempre às voltas com a família holandesa aqui...e a boa notícia é que meu sogro não tem mais vestígio de células cancerígenas na bexiga. Vai seguir com umas sessões extras do tratamento e, depois, com os controles médicos normais.
Porém, nem assim ele parece estar feliz!
Ele, nos últimos anos, tem escapado da terra dos pés juntos com maestria. Dois enfartos, um aneurisma e o câncer na bexiga. Era para estar mais positivo. Bom, temos que considerar que a internação da minha sogra, para ele, foi um grande baque da vida. Perder a companheira de quase 50 anos de vida em comum... Porém, por outro lado, ele se preocupava muito se ele morresse e o que seria da esposa? Mas ele não morreu, está vivo e saudável fazendo tudo o que ele pode fazer... minha sogra até que está bem pois ela anda, fala, conversa e é sempre amorosa, agradável companhia. Eu já falei para ele que o fato dela estar numa clínica é apenas para ser cuidada e não tirada de circulação do convívio dele e do resto da família. Contudo, ele sempre faz as coisas ficarem mais difíceis do que elas já são. Ele vai visitar a minha sogra todas as manhãs e fica com ela cerca de uma hora, contados no relógio. Fica dentro do quarto, que não tem nem uma TV. Olha que tortura. Ele pode sair com ela, levá-la até para a casa, passar o dia fora com ela, visitar amigos. Ele não faz porque acha que a esposa tem que se acostumar na clínica e que se for para a casa, não vai mais querer voltar. Minha sogra não reconhece mais a própria casa, onde viveu uma vida inteira. Não tem diferença a clínica e dizer que é um hotel onde ela está de férias, quando ela pergunta onde está. Uma das filhas já falou para ela uma vez que lá era a casa dela, agora. Ela não esboçou nehuma reação ou questionou algo. O que ocorre muito é de ela pedir muito para ir ver os pais dela, que já são falecidos há décadas.
Eu sei, não é fácil, porém tem gente que gosta de ser o fator complicador de uma situação que não tem o que mudar. Meu sogro é este fator.
Este ano ele faz 75 anos. Uma idade aqui super comemorada. Já disse que não quer fazer nada. Acho uma pena. Tem tantos amigos e familiares. Seria uma bela festa e minha sogra não deixaria passar em branco, com certeza.
No fim do ano, comemoram 50 anos de casados. Aí sim ele falou que gostaria de fazer algo...mas muito íntimo. Bom, até o fim do ano...temo pelo estado da minha sogra. Eu sou da opinião que, em relação a ela, temos que aproveitar o momento presente, sem grandes planos para o futuro.
Enfim...veremos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Egocentrismo ou autismo?

Sem querer bancar a entendida no assunto ou tratar o autismo a fundo, porque eu nem saberia por onde começar, vou apenas comentar algumas coisas que eu vejo por aqui.
Não sei se porque aqui na Holanda tem toda uma infraestrutura voltada para o atendimento de "pessoas especiais" e, daí, certos fatos aparecem mais do que somos acostumados a ver.
Esta infraestrutura visa tratar destas "pessoas especiais"de modo que elas sejam inseridas na sociedade mesmo com suas "limitações". Claro que, certos casos, não há uma possibilidade de fato mas tem-se todo o amparo. E não só para o autismo.
Aí a gente conversa e troca umas ideias e me veio o seguinte pensamento: está se confundindo autismo com egocentrismo?
Afinal estamos dentro de uma sociedade e todas têm o seu código de comportamento.
Vejam bem, não quero pormenorizar, mas outro dia aqui em casa, o namorado egípcio da minha cunhada revela assim, sem mais nem menos, de que é autista.
Ficamos surpresos com a reveleção e perguntamos o porquê ele se "nomear" autista.
Uma das principais características do autismo é a falta de empatia, de expressar emoções. Ele é super comunicativo, tem empatia...não vi nada de autista nele dentro do meu humilde conceito e de casos que já vi, com conhecidos, em escola e instituições.
E ele citou alguns pontos.
Sabe, não gostar de mudanças (isso é preguiça de sair da zona de conforto), não gostar de aglomerações (é muito chato) , não abrir mão de sua vontade (isso pode ser má vontade, ser mimado, egocêntrico) não faz de você um autista.
Neste caso, se formos pensar mesmo, então somos quase todos autistas. E holandeses, de certa forma, pra mim, parecem que são quase todos autistas.
Uma pessoa com quem você teima e ela não aceita seu ponto de vista, não é um autista, é um teimoso, convencido de seu ponto de vista que não quer aceitar que está errado. Isso é ser orgulhoso.
Uma pessoa que só fala de um mesmo assunto e não vira o disco, é chata e não autista. Só fala e nunca sabe a hora de calar. Pra mim, é só chegar nela e dar um toque. 
Não gostar de ser abraçado, beijado não é autismo, isso pode ser timidez.
Ficar na sua e não ser a pessoa mais popular do universo é ser introvertido e não autista.
E para desmistificar todo o assunto ou ainda confundir muito mais as pessoas (porque eu já estou me achando meio autista), a TV holandesa está transmitindo uma série de um programa chamado Het is hier Autistisch - Filemon Wesselink suspeita há algum tempo de  que ele tem um transtorno do espectro do autismo, um distúrbio complexo e enigmático que não é muito conhecido para ele. Para esclarecer, Filemon começa com seu próprio processo de diagnóstico intensivo.
É interessante, é, mas é preciso muito cuidado para não se confundir alhos com bugalhos.