A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Português... eis a questão


Uma agência de trabalho fez contato comigo. Uma vaga, mais ou menos com o meu perfil e com um requisito fundamental: falar português nativo.
Perguntaram se eu tinha interesse e eu disse que sim, claro!
Agendaram um dia para eu ir lá fazer a entrevista. Em outra cidade, aliás.
Novamente, depois de uns dias, uma nova ligação...pensei: que enrascada, outra agência me ligando para a mesma vaga? Mas felizmente ou ridiculamente era da mesma agência e a selecionadora simplesmente não viu que eu já tinha uma entrevista agendada. Olha a organização!
Já fiquei com meu pé atrás porque estas agências não são lá muito confiáveis.
Soube, inclusive, de gente que saiu da agência com o emprego garantido e no trem, de volta pra casa, a agência telefonou e desfez tudo! Pasme! 
E eis que recebo uma nova ligação...a pessoa se apresenta em holandês e de repente vira para o português.
Diz que é para a vaga e ela queria me testar no português. Fala sobre a vaga rapidamente e ela me pergunta se sou capaz de entender o português de Portugal!
Oras, oras...não estava a falar com a rapariga? E pela minha percepção não era portuguesa e sim angolana.
Eu disse que até então nunca tinha tido problemas e eis que vem a resposta dela, depois de falar com uma "colega" e me deixar na linha esperando.
Disse que infelizmente eu não estava apta para a vaga porque NÓS, BRASILEIROS, não entendemos os portugueses.
Disse que a vaga já tinha sido ocupada antes por um brasileiro nó cego, incompetente, que nem sabia escrever português e que não tinha dado certo.
E mais um vez, um brasileiro faz errado e todos os outros pagam! Nenhum brasileiro é capaz de entender os portugueses! Que giro!!!!
Aí a pergunta que não quer calar: Por que me telefonaste, oh doce criatura?

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Quando chegamos em Faro


No dia que viajamos para Portugal, bem na estação de trem, aquela ansiedade de entrar no trem para irmos pro aeroporto, tudo ali com os minutos contados, damos de cara com uma conhecida.
Normalmente eu nunca encontro alguém assim...mas nestas horas "impróprias", sempre aparece um.
Claro que não era o momento pra parar e querer bater papo, mas a pessoa ficou ali, querendo saber.
A pessoa não te telefona, não vem te fazer uma visita, mas nestas horas quer saber.
 Enquanto comprávamos os bilhetes, ela, ali, parada, toda curiosa.
_ Vão para o Brasil?
Respondi que não, de que estávamos indo para Portugal.
Ela me olhou e disse que na semana anterior tinha ido para a Itália.
Legal para ela, mas eu não perguntei nada e ela continuou a falar ...
_ Ah mas em Portugal está chovendo horrores, você não está sabendo?
Tem gente que gosta, né? Simplesmente respondi que já sabia sim da chuva e tratamos logo de nos despedir e seguimos adiante.
Detalhe, ela nem sabia para onde estávamos indo em Portugal e lá não estava chovendo, só se formou um furacão! hahaha
Saímos da Holanda com um tempo bem fechado, frio.
Quando nos aproximávamos do aeroporto de Faro, o piloto nos comunicou da temperatura local, do horário e de que estava chovendo muito.
O que eu não sabia era de que toda a manobra para o pouso se passa em cima do mar. Se tem toda a vista da praia. Aliás, uma vista linda, mesmo com a chuva caindo e o tempo fechado.
Eu olhava e pensava que se o avião caísse ali, daria para nadar até a praia! Nãooooo, reparem o meu pensamento.
O avião parecia que planava enquanto descia. Parecia que o avião não queria descer.
Pousamos com uma sensação de uma força estranha empurrando o avião.
Quando descemos, foi no meio da pista.
O vento era tão forte que parecia que ía me dobrar no meio. Desci as escadas com medo de sair voando. Nunca vi nada igual. E a chuva caía torrencialmente.
Na ala de desembarque, até goteiras. Me lembrava mais uma rodoviária. Até o banheiro tinha "aquele cheiro".
Pegamos a nossa bagagem e fomos procurar o nosso transfer para o hotel.
Pela primeira vez, viajamos com pacote, via uma agência.
Aliás, a agência avisava que levaria uma hora e quinze minutos o trajeto entre aeroporto e hotel. Tapeação é a palavra. Levamos um pouco mais de que três horas, sem água, sem banheiro, sem comida. Tudo porque fomos entregando outras pessoas em seus hotéis. Detalhe: o nosso hotel era o último. Achei muita sacanagem da agência. 
Conversando com outro casal holandês, que também foi para o mesmo hotel que nós, a mocinha achou normal e ainda emendou que o tempo estava feio mesmo, de que adiantaria chegar logo no hotel?
Holandês tem cada raciocínio. Chegar logo para descansar, aproveitar o hotel, fazer um lanche.
Quando entramos no ônibus, a chuva já estava parando e durante a viagem o tempo abriu, saiu sol e esquentou. Porém quando chegamos no hotel já estava noite e escuro.
Eu tinha o estômago colado nas costas. Por sorte a recepcionista já nos encaminhou para o restaurante e pudemos jantar antes mesmo de fazer o check in.
À noite, no bungalô, na casinha, na oca... vendo o jornal da noite, soubemos de que a tempestade que caiu no Algarve, acabou sendo classificada como um furacão! hahaha
Estava explicado aquela ventania toda na hora da nossa chegada, do nosso pouso.
Sabe, tudo me lembrou o Brasil.
O cheiro, a saída de Faro, as estradas, a paisagem. O jeito como se faz a cama, o clima...e poder conversar com todo mundo a minha volta...que claro, não era holandês, nem alemão, nem francês, nem inglês... porque este povo não interage...
Me aguarde! rs

sábado, 5 de novembro de 2016

Já é novembro!!!!

Vista da Ponta da Piedade-Lagos
Puxa vida! Fiquei o mês de outubro sem escrever! Ohhhh céus!
Eu acho que eu tenho um monte de coisas pra contar...não são assim grandes novidades, mas até que eu tenho.
Por falar em outubro. É o mês do nosso aniversário de casamento, perto do fim do mês. Como completamos cinco anos de casados, oficialmente, eu pedi para o marido pra gente fazer algo mais especial. Uma viagem.
Fomos para Portugal, no Algarve, meio que por acaso. Sim, por acaso, porque o que eu tinha em mente era Barcelona. Porém, parece que o mundo todo queria ir para Barcelona... dias à procura de algum hotel, voo e nada aparecia. Claro, apareciam preços exorbitantes, hotéis de luxo, datas que não batiam com o período que desejávamos. Voos com horários malucos, saindo de aeroportos distantes. Maior frustração. As férias chegando e nada. Já até tinha jogado a toalha e me contentado em ficar em casa, sair por aqui por perto mesmo e pronto.
Ah, detalhe: quando eu encontrava algo, deixava para decidir depois e quando voltava para comprar as tais opções já não eram mais válidas!
Porém marido é daqueles que concorda com a frase: happy wife, happy life!
Ele mesmo resolveu procurar, meteu as caras na internet enquanto eu preparava o almoço do primeiro dia de férias dele!
Claro, primeiro ele veio me convencer de que eu teria que ser flexível com o destino. Tudo bem, concordei, mas ainda sim queria que fosse para a Espanha.
E eis que ele surge com duas opções, uma para a Espanha e a outra para Portugal.
Acabei eu mesma decidindo por Portugal. Lá estaria uns graus mais quentes!
E num sábado resolvemos tudo e na terça feira seguinte, embarcamos.
Na hora de arrumar a mala, um certo drama. Nunca tinha ido para Portugal e por mais que eu soubesse que estaria calor, fiquei com medo de ser pegadinha do site, e me deu um certo nó cabeça ao pegar as roupas de verão, biquini, sunga, protetor solar, chapéu, boné, chinelos! Enquanto eu olhava para a janela, via tudo cinza e vestia roupas de inverno.
Até a chegada em Portugal eu estava, assim, normal.
Saímos num voo super bom de Amsterdam... Acreditem ou não, estamos lá na área de embarque quando um senhor se senta bem na minha frente. Eu olho pra ele e ele olha pra mim! Nos reconhecemos, no mesmo click, mas nem eu e nem ele sabíamos de onde! Foi uma comédia porque a holandesada em volta, aquela da terceira idade que adora uma piada, começou a se meter.  Uau...se conhecem e nem sabem mais de onde! Ohhh
Até que, finalmente, lembrei dele! O pintor do prédio! Ele inclusive esteve no nosso apartamento para pintar os batentes da janela da cozinha uns anos atrás.
A esposa dele logo apareceu e deu tanta risada. Fomos todos no mesmo voo mas eles seguiram a viagem para a Espanha.
Fomos para Lagos e de lá fizemos outros passeios.
Minha alergia respiratória sumiu, não dei um espirro.
Comi sardinha na brasa! Pastel de nata, mamão, bacalhau, coxinha e risolis...pão de malte, feijoada portuguesa,  feijão....
Mas depois eu conto mais! Prometo!