No fim de setembro completou um ano de internação da minha sogra.
Quem mais teve que se adaptar a tudo isso foi, com certeza, o meu sogro.
Acredito que as filhas também. Minha sogra era muito presente na vida diária delas, cuidando dos netos e cuidando até das casas delas.
Minha sogra era pau pra toda obra. Realmente uma pessoa chave que adorava organisar festas, sempre animada, de bem com a vida e que fazia tudo em casa.
A internação dela foi uma bomba, meio inesperada. Sabíamos que um dia aconteceria, mas todo mundo queria prorrogar ao máximo. Porém não era mais possível tê-la em casa. Era até perigoso.
A intenção era que ela ficasse apenas uns dias, porém, diante do estado dela e seguida de uma avaliação médica, a internação definitiva foi indicada.
E a demência veio com tudo. Há um ano ela está lá na clínica. Ela está bem, mas perdemos muito da sua personalidade.
Já deixou de fazer atividades porque a cabeça não ajuda mais.
Continua alegre, gosta de cantar e conversar. Porém não é nem a sombra da mulher que era antes. Não tem mais ideia de tempo, de que ano estamos, se tem netos, os filhos ainda são crianças...muitas lembranças se foram, infelizmente.
Porém, nos consola saber que ela está num lugar super bem estruturado.
É como um condomínio de apartamentos. Existem espaços diversos de convivência, restaurante, jardins internos e externos.
Ela já está num departamento restrito. Temos um código para ativar o elevador e abrir as portas. Tudo é muito amplo e confortável. O quarto dela foi cuidadosamente decorado para que ela se sentisse em casa...mas com o tempo, ela não reconhece mais os objetos tão estimados, não se reconhece nas fotos...tudo perdeu o significado.
Os funcionários são bem atenciosos. Há toda uma rotina e ela está bem adaptada lá.
Minha sogra é a mais amorosa. Chama todo mundo de "lieve schaat" e beija e abraça todo mundo.
Existem outros internos, um senhor italiano, que penso nem ter 70 anos, que está se esquecendo do holandês...uma outra senhora de 98 anos! Minha sogra é a mais jovem com 73 anos.
Praticamente toda a internação dela é pelo convênio médico. Meu sogro paga apenas despesas extras como a lavagem de roupas e algumas atividades extras.
Ah, sim, sempre que possível ela está presente nas nossas festinhas de família. Meu sogro também costuma sair com ela e visitar amigos. A clínica não tem rigidez quanto a isso...de ir buscar, de levar, até mesmo se passar uns dias fora.
E assim, seguimos todos, conformados e procurando tê-la por perto sempre que possível, mesmo ela já meio ausente.
Meu sogro já tem a rotina dele, está bem mais leve e tranquilo. Redecorou a casa de acordo com o gosto dele...No entanto é triste chegar lá e não ter mais a minha sogra.
Tentamos não mais pensar pelo lado triste...nos adaptamos e, como sempre falo,
felizmente temos acesso a uma assistência que torna tudo menos sofrido.
No mais, é tentar fazer o melhor que podemos.
Para contar as novidades, fatos, impressões e tudo o que eu ainda vejo de novo!
A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.
Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.
Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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domingo, 3 de novembro de 2019
domingo, 31 de março de 2019
Devagar e sempre
Gente, respondi à alguns comentários nos comentários!
O blog está devagar quase parando, eu sei, mas tá indo, viu!
Eu sempre penso em várias coisas para escrever, seriam vários textos...mas parece que o tempo escorre entre os dedos.
Estamos sempre às voltas com a família holandesa aqui...e a boa notícia é que meu sogro não tem mais vestígio de células cancerígenas na bexiga. Vai seguir com umas sessões extras do tratamento e, depois, com os controles médicos normais.
Porém, nem assim ele parece estar feliz!
Ele, nos últimos anos, tem escapado da terra dos pés juntos com maestria. Dois enfartos, um aneurisma e o câncer na bexiga. Era para estar mais positivo. Bom, temos que considerar que a internação da minha sogra, para ele, foi um grande baque da vida. Perder a companheira de quase 50 anos de vida em comum... Porém, por outro lado, ele se preocupava muito se ele morresse e o que seria da esposa? Mas ele não morreu, está vivo e saudável fazendo tudo o que ele pode fazer... minha sogra até que está bem pois ela anda, fala, conversa e é sempre amorosa, agradável companhia. Eu já falei para ele que o fato dela estar numa clínica é apenas para ser cuidada e não tirada de circulação do convívio dele e do resto da família. Contudo, ele sempre faz as coisas ficarem mais difíceis do que elas já são. Ele vai visitar a minha sogra todas as manhãs e fica com ela cerca de uma hora, contados no relógio. Fica dentro do quarto, que não tem nem uma TV. Olha que tortura. Ele pode sair com ela, levá-la até para a casa, passar o dia fora com ela, visitar amigos. Ele não faz porque acha que a esposa tem que se acostumar na clínica e que se for para a casa, não vai mais querer voltar. Minha sogra não reconhece mais a própria casa, onde viveu uma vida inteira. Não tem diferença a clínica e dizer que é um hotel onde ela está de férias, quando ela pergunta onde está. Uma das filhas já falou para ela uma vez que lá era a casa dela, agora. Ela não esboçou nehuma reação ou questionou algo. O que ocorre muito é de ela pedir muito para ir ver os pais dela, que já são falecidos há décadas.
Eu sei, não é fácil, porém tem gente que gosta de ser o fator complicador de uma situação que não tem o que mudar. Meu sogro é este fator.
Este ano ele faz 75 anos. Uma idade aqui super comemorada. Já disse que não quer fazer nada. Acho uma pena. Tem tantos amigos e familiares. Seria uma bela festa e minha sogra não deixaria passar em branco, com certeza.
No fim do ano, comemoram 50 anos de casados. Aí sim ele falou que gostaria de fazer algo...mas muito íntimo. Bom, até o fim do ano...temo pelo estado da minha sogra. Eu sou da opinião que, em relação a ela, temos que aproveitar o momento presente, sem grandes planos para o futuro.
Enfim...veremos.
O blog está devagar quase parando, eu sei, mas tá indo, viu!
Eu sempre penso em várias coisas para escrever, seriam vários textos...mas parece que o tempo escorre entre os dedos.
Estamos sempre às voltas com a família holandesa aqui...e a boa notícia é que meu sogro não tem mais vestígio de células cancerígenas na bexiga. Vai seguir com umas sessões extras do tratamento e, depois, com os controles médicos normais.
Porém, nem assim ele parece estar feliz!
Ele, nos últimos anos, tem escapado da terra dos pés juntos com maestria. Dois enfartos, um aneurisma e o câncer na bexiga. Era para estar mais positivo. Bom, temos que considerar que a internação da minha sogra, para ele, foi um grande baque da vida. Perder a companheira de quase 50 anos de vida em comum... Porém, por outro lado, ele se preocupava muito se ele morresse e o que seria da esposa? Mas ele não morreu, está vivo e saudável fazendo tudo o que ele pode fazer... minha sogra até que está bem pois ela anda, fala, conversa e é sempre amorosa, agradável companhia. Eu já falei para ele que o fato dela estar numa clínica é apenas para ser cuidada e não tirada de circulação do convívio dele e do resto da família. Contudo, ele sempre faz as coisas ficarem mais difíceis do que elas já são. Ele vai visitar a minha sogra todas as manhãs e fica com ela cerca de uma hora, contados no relógio. Fica dentro do quarto, que não tem nem uma TV. Olha que tortura. Ele pode sair com ela, levá-la até para a casa, passar o dia fora com ela, visitar amigos. Ele não faz porque acha que a esposa tem que se acostumar na clínica e que se for para a casa, não vai mais querer voltar. Minha sogra não reconhece mais a própria casa, onde viveu uma vida inteira. Não tem diferença a clínica e dizer que é um hotel onde ela está de férias, quando ela pergunta onde está. Uma das filhas já falou para ela uma vez que lá era a casa dela, agora. Ela não esboçou nehuma reação ou questionou algo. O que ocorre muito é de ela pedir muito para ir ver os pais dela, que já são falecidos há décadas.
Eu sei, não é fácil, porém tem gente que gosta de ser o fator complicador de uma situação que não tem o que mudar. Meu sogro é este fator.
Este ano ele faz 75 anos. Uma idade aqui super comemorada. Já disse que não quer fazer nada. Acho uma pena. Tem tantos amigos e familiares. Seria uma bela festa e minha sogra não deixaria passar em branco, com certeza.
No fim do ano, comemoram 50 anos de casados. Aí sim ele falou que gostaria de fazer algo...mas muito íntimo. Bom, até o fim do ano...temo pelo estado da minha sogra. Eu sou da opinião que, em relação a ela, temos que aproveitar o momento presente, sem grandes planos para o futuro.
Enfim...veremos.
domingo, 3 de março de 2019
As prioridades para as pessoas
E a cirurgia do meu sogro, para a retirada do aneurisma, foi marcada.
Ele seria operado numa sexta feira e teria mais dois dias de internação. Saíria na segunda feira no início da tarde.
As férias escolares estavam quase no fim, todos os filhos de volta na cidade.
Outro detalhe: nesta semana de cirurgia dele, todos ainda estavam de férias do trabalho. Aliás, a minha cunhada mais nova, teria mais uma semana ainda livre. Meu marido sem férias, com todos os compromissos de trabalho e em outra cidade (sempre bom lembrar destes detalhes).
Também gostaria de acrescentar que os filhos do meu cunhado já são quase adultos. Têm a outra família, da mãe. Os filhos da minha cunhada são menores mas também têm os outros avós que já tomam conta deles. Outras tias e primos mais velhos. As meninas da minha cunhada mais novafolgada são menores, mas a mãe sempre se gaba de ter uma grande amiga que se oferece para ficar com as meninas. E aqui holandês faz o que bem entende, na hora que quer. Filho não impede esta gente de nada!
E eu pensei que eu seria a última pessoa que eles acionariam de novo, neste caso da cirurgia do meu sogro. O outro filho acompanharia meu sogro no hospital e que as duas filhas se revesariam em ficar com a mãe, pelo menos durante aquela semana pós cirúrgica.
Meu sogro não precisaria ficar acamado. Poderia fazer as coisas dele. Só não poderia dirigir ou fazer esforço físico. Eles poderiam ter providenciado uma entrega de refeições prontas na casa e os filhos se revesariam durante uma semaninha para fazer companhia para o pai e para a mãe. Encaminhar a minha sogra "na van" de manhã cedo para as atividades lúdicas e terapêuticas dela diárias.
Nossa, na minha cabeça, tudo era muito simples. Se eu segurei o tranco sozinha, durante cinco dias...uma semana, com três filhos por perto, seria moleza, não é?
Mas e daí? Quem realmente está disposto? E vos respondo: NINGUÉM!
Numa noite, tocou o telefone - já mencionei né que estamos pensando, seriamente, em dar fim em telefones e campainha? - era uma das minhas cunhadas para confirmar se eu iria para lá ficar com a mãe dela. Meu marido, coitado, ficou entre a cruz e a caldeirinha. Ele já sabia da minha resolução. Com três filhos lá, a minha presença não era necessária. E ele falou que eu não iria.
Detalhe, nesta conversa, minha cunhada conta que irá também "aparecer por lá" para me ajudar, que eu não ficaria sozinha. Sei bem o tipo de ajuda: a boca para comer. E que ela tem os filhos - que golpe baixo, usar esta desculpa - e que a irmã mais nova ainda tinha que ir acampar com as filhas na França!
Alto lá! Você sabe que seu pai vai ser operado, sua mãe completamente incapacitada e você quer seguir com suas férias como se nada estivesse acontecendo? Já tinha viajado para a Grécia com o namorado. Já estava de bom tamanho, não?
E a minha cunhada mais nova também nos telefonou. Porque ela é muito boa em resolver as coisas pro lado dela. CHORANDO. A única solução era internar a mãe deles por uma semana na instituição, já que eu não podia ir para lá.
COMO ASSIM? Por minha causa, então, internariam a mãe? Por minha causa, não. Por causa delas que não queriam ter trabalho. Uma queria sair de férias.
Eu não cedi. Nem com a minha cunhada mais nova jogando tão baixo.
Meu marido apenas silenciava no telefone enquanto ela soluçava.
Ele apenas falou: ela vai, mas se os dias forem divididos por igual entre todos.
Alguém concordou com a minha proposta? NÃO!
E minha sogra foi internada, no fim de agosto e está até hoje na clínica, infelizmente.
Mas esta culpa eu não carrego.
Sinceramente, foi o melhor para ela, principalmente. Lá ela é bem cuidada, está sempre limpinha, perfumada, bem arrumada e bem alimentada.
Sobre o meu sogro, uma filha - já mencionei que todas as minhas cunhadas são enfermeiras? - foi dormir com ele, na casa. A outra viajou, acampar com a filhas.
A filha dormiu apenas três noites com o pai e depois mandou um email reclamando e que meu marido devia ir passar o fim de semana com o pai. Ele, claro, foi.
O outro filho, que mora na mesma rua, apenas umas casas distante da casa do pai, apenas o levou no dia da cirurgia para o hospital. Se ofereceu para dormir com o pai? Ou ficar com ele no fim de semana? Não.
Ah e os filhos todos têm dias livres na semana. Ninguém trabalha uma semana toda. E numa situação destas, era necessário abraçar a causa...pensar na prioridade dos pais...mas que nada.
Depois disso, eu observei muitas coisas e abri meus olhos.
Não banco mais a super mulher maravilha. Porque no fim, principalmente as minhas cunhadas, se aproveitam da minha boa vontade para elas seguirem com a vida delas como se nada estivesse acontecendo.
Naturalmente, nas reuniões de família do fim de ano, não recebi os tapinhas nas costas..."goed gedaan, jij ben zo lief!". Certas coisas não fazem falta e vivo muito bem sem falsos elogios.
No mais, resolveu-se o problema do aneurisma.
Felizmente, tudo correu bem...no entanto, de volta ao urologista, meu sogro foi diagnosticado com câncer na bexiga, uns dias depois do Natal.
Ele seria operado numa sexta feira e teria mais dois dias de internação. Saíria na segunda feira no início da tarde.
As férias escolares estavam quase no fim, todos os filhos de volta na cidade.
Outro detalhe: nesta semana de cirurgia dele, todos ainda estavam de férias do trabalho. Aliás, a minha cunhada mais nova, teria mais uma semana ainda livre. Meu marido sem férias, com todos os compromissos de trabalho e em outra cidade (sempre bom lembrar destes detalhes).
Também gostaria de acrescentar que os filhos do meu cunhado já são quase adultos. Têm a outra família, da mãe. Os filhos da minha cunhada são menores mas também têm os outros avós que já tomam conta deles. Outras tias e primos mais velhos. As meninas da minha cunhada mais nova
E eu pensei que eu seria a última pessoa que eles acionariam de novo, neste caso da cirurgia do meu sogro. O outro filho acompanharia meu sogro no hospital e que as duas filhas se revesariam em ficar com a mãe, pelo menos durante aquela semana pós cirúrgica.
Meu sogro não precisaria ficar acamado. Poderia fazer as coisas dele. Só não poderia dirigir ou fazer esforço físico. Eles poderiam ter providenciado uma entrega de refeições prontas na casa e os filhos se revesariam durante uma semaninha para fazer companhia para o pai e para a mãe. Encaminhar a minha sogra "na van" de manhã cedo para as atividades lúdicas e terapêuticas dela diárias.
Nossa, na minha cabeça, tudo era muito simples. Se eu segurei o tranco sozinha, durante cinco dias...uma semana, com três filhos por perto, seria moleza, não é?
Mas e daí? Quem realmente está disposto? E vos respondo: NINGUÉM!
Numa noite, tocou o telefone - já mencionei né que estamos pensando, seriamente, em dar fim em telefones e campainha? - era uma das minhas cunhadas para confirmar se eu iria para lá ficar com a mãe dela. Meu marido, coitado, ficou entre a cruz e a caldeirinha. Ele já sabia da minha resolução. Com três filhos lá, a minha presença não era necessária. E ele falou que eu não iria.
Detalhe, nesta conversa, minha cunhada conta que irá também "aparecer por lá" para me ajudar, que eu não ficaria sozinha. Sei bem o tipo de ajuda: a boca para comer. E que ela tem os filhos - que golpe baixo, usar esta desculpa - e que a irmã mais nova ainda tinha que ir acampar com as filhas na França!
Alto lá! Você sabe que seu pai vai ser operado, sua mãe completamente incapacitada e você quer seguir com suas férias como se nada estivesse acontecendo? Já tinha viajado para a Grécia com o namorado. Já estava de bom tamanho, não?
E a minha cunhada mais nova também nos telefonou. Porque ela é muito boa em resolver as coisas pro lado dela. CHORANDO. A única solução era internar a mãe deles por uma semana na instituição, já que eu não podia ir para lá.
COMO ASSIM? Por minha causa, então, internariam a mãe? Por minha causa, não. Por causa delas que não queriam ter trabalho. Uma queria sair de férias.
Eu não cedi. Nem com a minha cunhada mais nova jogando tão baixo.
Meu marido apenas silenciava no telefone enquanto ela soluçava.
Ele apenas falou: ela vai, mas se os dias forem divididos por igual entre todos.
Alguém concordou com a minha proposta? NÃO!
E minha sogra foi internada, no fim de agosto e está até hoje na clínica, infelizmente.
Mas esta culpa eu não carrego.
Sinceramente, foi o melhor para ela, principalmente. Lá ela é bem cuidada, está sempre limpinha, perfumada, bem arrumada e bem alimentada.
Sobre o meu sogro, uma filha - já mencionei que todas as minhas cunhadas são enfermeiras? - foi dormir com ele, na casa. A outra viajou, acampar com a filhas.
A filha dormiu apenas três noites com o pai e depois mandou um email reclamando e que meu marido devia ir passar o fim de semana com o pai. Ele, claro, foi.
O outro filho, que mora na mesma rua, apenas umas casas distante da casa do pai, apenas o levou no dia da cirurgia para o hospital. Se ofereceu para dormir com o pai? Ou ficar com ele no fim de semana? Não.
Ah e os filhos todos têm dias livres na semana. Ninguém trabalha uma semana toda. E numa situação destas, era necessário abraçar a causa...pensar na prioridade dos pais...mas que nada.
Depois disso, eu observei muitas coisas e abri meus olhos.
Não banco mais a super mulher maravilha. Porque no fim, principalmente as minhas cunhadas, se aproveitam da minha boa vontade para elas seguirem com a vida delas como se nada estivesse acontecendo.
Naturalmente, nas reuniões de família do fim de ano, não recebi os tapinhas nas costas..."goed gedaan, jij ben zo lief!". Certas coisas não fazem falta e vivo muito bem sem falsos elogios.
No mais, resolveu-se o problema do aneurisma.
Felizmente, tudo correu bem...no entanto, de volta ao urologista, meu sogro foi diagnosticado com câncer na bexiga, uns dias depois do Natal.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Teria sido mais honesto
Então você acha que a sua cunhada deveria perder a viagem para ficar com os pais?
Não, não deveria. Mesmo porque eu tinha a disponiblidade para fazer isso como o fiz. Fui lá e fiquei com meus sogros até termos o parecer médico definitivo sobre o aneurisma do meu sogro.
O problema foi toda a encenação dela. A manipulação. E aí, gente, você junta lé com cré e se lembra de várias outras situações onde ela SEMPRE consegue o que quer. Boa gestora. Tira o dela da reta para colocar o dos outros.
Eu tenho uma má impressão de holandeses em geral. Apesar que, hoje em dia, a empatia está em falta no geral. Se a pessoa tem algo para fazer, seja lá o que for, ela faz e pronto e não está nem aí para a necessidade do outro. Primeiro ela, depois o outro. Mesmo que a necessidade do outro tenha cunho prioritário.
Poxa, primeiramente, ela é uma enfermeira. Era o pai dela. Se algo passasse com ele, qual seria a pessoa ideal a estar com ele? Ela ou eu?
Ela poderia ter nos telefonado, óbvio que sim. Afinal era uma situação grave. Eu gostaria que ela tivesse sido honesta, como todo holandês se orgulha de ser. Olha, a situação é esta. Eu vou passar esta noite com meus pais. Estou sozinha em casa e a pintura do quarto fica para depois das férias. Vocês não precisam sair correndo a esta hora e pegar estrada. Vocês podem vir amanhã de noite, com calma e ficam no fim de semana. Sábado eu viajo, já está tudo agendado.
Mas claro, uma pessoa como ela, manipuladora, não pede...ela induz você a se oferecer mediante ao choro, desespero e deixa você tomar a decisão e tirar dela toda a responsabilidade de suas ações.
A operação do meu sogro para a retirada do aneurisma aconteceu no fim de agosto...
Quando eu arrumei as minhas coisas para voltar pra casa, meu sogro me chamou e disse que a minha cunhada - a outra filha dele mais velha que estava de férias - iria definir as coisas e que eu, provavelmente, teria que ir ficar lá de novo. Simplesmente respondi que era uma coisa a ser combinada já que todos os filhos estariam de volta das férias. Seria mais tranquilo. No entanto, era assim que eu pensava. Minhas cunhadas tinham outros planos em mente.
Já adianto...nada aconteceu como elas esperavam...
Não, não deveria. Mesmo porque eu tinha a disponiblidade para fazer isso como o fiz. Fui lá e fiquei com meus sogros até termos o parecer médico definitivo sobre o aneurisma do meu sogro.
O problema foi toda a encenação dela. A manipulação. E aí, gente, você junta lé com cré e se lembra de várias outras situações onde ela SEMPRE consegue o que quer. Boa gestora. Tira o dela da reta para colocar o dos outros.
Eu tenho uma má impressão de holandeses em geral. Apesar que, hoje em dia, a empatia está em falta no geral. Se a pessoa tem algo para fazer, seja lá o que for, ela faz e pronto e não está nem aí para a necessidade do outro. Primeiro ela, depois o outro. Mesmo que a necessidade do outro tenha cunho prioritário.
Poxa, primeiramente, ela é uma enfermeira. Era o pai dela. Se algo passasse com ele, qual seria a pessoa ideal a estar com ele? Ela ou eu?
Ela poderia ter nos telefonado, óbvio que sim. Afinal era uma situação grave. Eu gostaria que ela tivesse sido honesta, como todo holandês se orgulha de ser. Olha, a situação é esta. Eu vou passar esta noite com meus pais. Estou sozinha em casa e a pintura do quarto fica para depois das férias. Vocês não precisam sair correndo a esta hora e pegar estrada. Vocês podem vir amanhã de noite, com calma e ficam no fim de semana. Sábado eu viajo, já está tudo agendado.
Mas claro, uma pessoa como ela, manipuladora, não pede...ela induz você a se oferecer mediante ao choro, desespero e deixa você tomar a decisão e tirar dela toda a responsabilidade de suas ações.
A operação do meu sogro para a retirada do aneurisma aconteceu no fim de agosto...
Quando eu arrumei as minhas coisas para voltar pra casa, meu sogro me chamou e disse que a minha cunhada - a outra filha dele mais velha que estava de férias - iria definir as coisas e que eu, provavelmente, teria que ir ficar lá de novo. Simplesmente respondi que era uma coisa a ser combinada já que todos os filhos estariam de volta das férias. Seria mais tranquilo. No entanto, era assim que eu pensava. Minhas cunhadas tinham outros planos em mente.
Já adianto...nada aconteceu como elas esperavam...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
E assim começo o primeiro post do ano
E o ano novo começou...
Dá vontade de dizer que o ano, realmente, começou tudo novo mas não é bem assim que a banda toca.
Vou dizer que este fim de ano foi um pouco diferente. O Natal comemorado aqui em casa, em família. Mas sinceramente, caí numa armadilha. rs
Nosso segundo semestre de 2018 foi bem complicado. Aliás, bem tumultuado. E tem gente que acha que eu não tenho o que fazer e nem com o que me preocupar...
Uma bela noite de agosto, perto das 22h, minha cunhada mais nova que NUNCA telefona, telefonou.
Ela estava aos prantos no telefone. Meu sogro tinha descoberto, numa consulta com o urologista para o diagnóstico de um exame, um aneurisma abdominal.
Meu marido é o único filho que mora em outra cidade. Ele tem mais três irmãos que moram na mesma cidade dos pais. Um irmão que mora na mesma rua dos meus sogros.
Era época de férias... dois filhos, uma no Sri Lanka e o outro em algum lugar no sul da França, nada podiam fazer.
Ela, a filha mais nova, enfermeira, era a única que estava na cidade. Como ela tem duas meninas pequenas, sozinha, tarde da noite e no outro dia teria que ir trabalhar, eu resolvi que eu iria para meus sogros. Pensei que seria complicado para a minha cunhada ir ficar com os pais. A preocupação era que se alguma coisa acontecesse com meu sogro na madrugada, a minha sogra, com demência, seria incapaz de chamar a ambulância ou qualquer ajuda.
Arrumei as minhas coisas e caímos na estrada. Detalhe, meu marido voltou para casa na mesma noite pois tinha que trabalhar no dia seguinte.
Eu, sinceramente, não achei a situação assim tão perigosa para o meu sogro. O médico não teria sido tão imprudente de mandá-lo para casa em caso de risco de morte. No entanto, como a minha cunhadinha chorou e fez o maior drama...lá fui eu.
No dia seguinte, eu comecei uma arrumação...lavei, passei, fui ao supermercado e descobri coisas na casa que a gente nunca há de imaginar, nesta vida, do que uma pessoa com demência é capaz de fazer. Fiquei passada! Horrorizada! Triste! Indignada!
Constatei que os filhos dos meus sogros são visitas na casa dos pais...só fazem figuração. E isso me deixou mesmo muito irada.
E a minha cunhada apareceu, linda e loira, perfumada, de banho tomado, no final da tarde, bem na hora da janta aliás...e foi para filar a bóia! Eu mal tinha penteado o meu cabelo.
Chegou sem as filhas. Achei estranho.
Perguntei das meninas. Ela ficou sem graça. As meninas de férias com o pai, em algum lugar na Espanha.
E perguntei do trabalho dela, se ela tinha férias agendadas. E aí, meus caros, eu descobri que eu tenho uma cunhada safada e manipuladora...
Estava sem as filhas em casa. Podia ter ido passar a noite na casa dos pais.
E já estava de férias e o "trabalho" que ela tinha era uma pintura no quarto que ela PRECISAVA terminar antes de ir viajar com o namorado para a Grécia no dia seguinte!
Ou seja...nós aqui não precisávamos ter ido para a casa dos meus sogros. Eu fui porque pensei que ela estava com as filhas, tarde da noite e que, no dia seguinte, ela tinha que trabalhar. Meu marido saiu de casa, pegou estrada sozinho na volta, já de madrugada....enquanto ela poderia sim ter ido passar a noite com os pais. Ainda mais como enfermeira.
Ela...ao contrário...tratou de arrumar uma pessoa para ficar na casa dos pais dela, eu, para ela poder terminar as coisas dela e sair sossegada de férias mesmo com o pai à beira da morte. Aquele chororô todo no telefone era pensando no risco de perder a viagem para a Grécia, isso sim!
Quando a minha ficha caiu...fiquei muito chateada. Estava sendo usada.
Fiquei cinco dias na casa dos meus sogros, até ele ter a consulta médica dele. Meu marido acompanhou o pai mas teve que pedir um dia livre no trabalho. Felizmente, o médico descartou qualquer risco e que estava tudo bem.
Peguei as minhas coisas e voltei no mesmo dia para a minha casa. Até então, todos os outros filhos ainda estavam de férias.
Eu fiquei exausta. Minha sogra não deu trégua, mesmo ela passando algumas horas num centro de atividades diariamente, eu me ocupava com as coisas da casa. E quando ela chegava, ela não dava sossego. De noite, eu não dormia em paz. Ela entrava no meu quarto de madrugada, procurando pelos filhos. Eu ficava bem quietinha. No dia seguinte, ela sempre nervosa pela manhã. Dizia que as roupas do armário não eram dela e que não podia usar aquelas roupas feias...
Voltei para a minha casa, acabada!
Mas...era só o começo.
Dá vontade de dizer que o ano, realmente, começou tudo novo mas não é bem assim que a banda toca.
Vou dizer que este fim de ano foi um pouco diferente. O Natal comemorado aqui em casa, em família. Mas sinceramente, caí numa armadilha. rs
Nosso segundo semestre de 2018 foi bem complicado. Aliás, bem tumultuado. E tem gente que acha que eu não tenho o que fazer e nem com o que me preocupar...
Uma bela noite de agosto, perto das 22h, minha cunhada mais nova que NUNCA telefona, telefonou.
Ela estava aos prantos no telefone. Meu sogro tinha descoberto, numa consulta com o urologista para o diagnóstico de um exame, um aneurisma abdominal.
Meu marido é o único filho que mora em outra cidade. Ele tem mais três irmãos que moram na mesma cidade dos pais. Um irmão que mora na mesma rua dos meus sogros.
Era época de férias... dois filhos, uma no Sri Lanka e o outro em algum lugar no sul da França, nada podiam fazer.
Ela, a filha mais nova, enfermeira, era a única que estava na cidade. Como ela tem duas meninas pequenas, sozinha, tarde da noite e no outro dia teria que ir trabalhar, eu resolvi que eu iria para meus sogros. Pensei que seria complicado para a minha cunhada ir ficar com os pais. A preocupação era que se alguma coisa acontecesse com meu sogro na madrugada, a minha sogra, com demência, seria incapaz de chamar a ambulância ou qualquer ajuda.
Arrumei as minhas coisas e caímos na estrada. Detalhe, meu marido voltou para casa na mesma noite pois tinha que trabalhar no dia seguinte.
Eu, sinceramente, não achei a situação assim tão perigosa para o meu sogro. O médico não teria sido tão imprudente de mandá-lo para casa em caso de risco de morte. No entanto, como a minha cunhadinha chorou e fez o maior drama...lá fui eu.
No dia seguinte, eu comecei uma arrumação...lavei, passei, fui ao supermercado e descobri coisas na casa que a gente nunca há de imaginar, nesta vida, do que uma pessoa com demência é capaz de fazer. Fiquei passada! Horrorizada! Triste! Indignada!
Constatei que os filhos dos meus sogros são visitas na casa dos pais...só fazem figuração. E isso me deixou mesmo muito irada.
E a minha cunhada apareceu, linda e loira, perfumada, de banho tomado, no final da tarde, bem na hora da janta aliás...e foi para filar a bóia! Eu mal tinha penteado o meu cabelo.
Chegou sem as filhas. Achei estranho.
Perguntei das meninas. Ela ficou sem graça. As meninas de férias com o pai, em algum lugar na Espanha.
E perguntei do trabalho dela, se ela tinha férias agendadas. E aí, meus caros, eu descobri que eu tenho uma cunhada safada e manipuladora...
Estava sem as filhas em casa. Podia ter ido passar a noite na casa dos pais.
E já estava de férias e o "trabalho" que ela tinha era uma pintura no quarto que ela PRECISAVA terminar antes de ir viajar com o namorado para a Grécia no dia seguinte!
Ou seja...nós aqui não precisávamos ter ido para a casa dos meus sogros. Eu fui porque pensei que ela estava com as filhas, tarde da noite e que, no dia seguinte, ela tinha que trabalhar. Meu marido saiu de casa, pegou estrada sozinho na volta, já de madrugada....enquanto ela poderia sim ter ido passar a noite com os pais. Ainda mais como enfermeira.
Ela...ao contrário...tratou de arrumar uma pessoa para ficar na casa dos pais dela, eu, para ela poder terminar as coisas dela e sair sossegada de férias mesmo com o pai à beira da morte. Aquele chororô todo no telefone era pensando no risco de perder a viagem para a Grécia, isso sim!
Quando a minha ficha caiu...fiquei muito chateada. Estava sendo usada.
Fiquei cinco dias na casa dos meus sogros, até ele ter a consulta médica dele. Meu marido acompanhou o pai mas teve que pedir um dia livre no trabalho. Felizmente, o médico descartou qualquer risco e que estava tudo bem.
Peguei as minhas coisas e voltei no mesmo dia para a minha casa. Até então, todos os outros filhos ainda estavam de férias.
Eu fiquei exausta. Minha sogra não deu trégua, mesmo ela passando algumas horas num centro de atividades diariamente, eu me ocupava com as coisas da casa. E quando ela chegava, ela não dava sossego. De noite, eu não dormia em paz. Ela entrava no meu quarto de madrugada, procurando pelos filhos. Eu ficava bem quietinha. No dia seguinte, ela sempre nervosa pela manhã. Dizia que as roupas do armário não eram dela e que não podia usar aquelas roupas feias...
Voltei para a minha casa, acabada!
Mas...era só o começo.
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