A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A folga do vizinho mais que folgado

Então, cá estou eu de volta. 
Deixa eu contar uma ladainha que tem acontecido todas às segundas feiras. É alguma série na TV? Não. É novela, não...é um drama mesmo. É uma situação que me consome, porque eu sei que é um abuso, não é normal. Têm me irritado há tempos e tirado a minha energia emocional.
Sabe, eu não me nego a colaborar, porém quando começa a passar de um certo limite para o abuso, aí eu não quero mais saber de conversa.
O vizinho, marido da vizinha folgada. Tá, eu sei, eles são gente boa. São simpáticos, estão sempre mostrando interesse na gente, convidam para os aniversários dos filhos. Às vezes, eu tomo um café com ela e ok...é assim.
Eles me pedem para ajudar com as crianças, ajudo.
Outro dia perderam a menina na excursão da escola. A avó - que não fala holandês e nem inglês e nem português - ía buscar a menina. Eu fui junto porque ela me pediu, pois ela não estava certa do local de desembarque das crianças. Ok, fui. Nada da excursão chegar. Já estranhei que tinha ninguém no local. Pois bem...ligo para a mãe, que estava trabalhando, para dizer que a excursão não tinha chegado. Enfim, ela disse que não sabia de nada. Disse que iria tentar contato com outros pais. Me ligou de volta e disse que NINGUÉM sequer atendeu aos telefonemas dela. Lá fui eu pra escola. Felizmente, encontrei a menina lá. Quase quebrei o pau com a professora da menina, porque eu questionei o horário de chegada, o que tinha acontecido e aquele perrengue todo. Ela me disse que chegaram antes do horário previsto. Então deveriam ter ligado para avisar a mãe de que a menina estava na escola. Enfim, virei as costas e trouxe a menina de volta pra casa, sã e salva.
Mas voltando ao holandês, marido da vizinha.
Ele começou a vir aqui de segunda feira. Dizendo que o menino não tinha acordado e que ele precisava buscar a menina na escola. Pra eu ficar com o babyphone pois era coisa de quinzes minutos apenas.
Primeira vez, ok, segunda vez, ok, terceira vez, ok...e outras vezes, ok...só que eu me toquei de que não era um acaso de que o menino não acordava...não era uma situação imprevista. Ele sabia que o menino não ía acordar, porque ele trazia o menino da creche e o colocava para o sono da tarde uma hora mais tarde do que o menino estava acostumado. Óbvio que o menino iria dormir mais tempo e não estaria acordado para sair com o pai na hora de ir buscar a irmã na escola.
Aí eu conclui: ele está contando comigo para ajudá-lo no dia de folga dele. O que eu tenho a ver com isso? Eu não sou parente, não sou tia, não sou amiga...só vizinha. Por que ele acha que pode agora bater aqui toda seguda feira para me pedir favorzinho?
Semana passada, não abri a porta. Já pensei em sair de casa no horário que eu sei que ele vai bater aqui. Já pensei em me esconder no guarda roupas....PATÉTICO! Eu não devo nada a ninguém, muito menos a ele. Estou na minha casa, faço o que quero. Vou ter que me esquivar agora? Eu quero é que ele pare de vir aqui, pare de me solicitar para coisas que nada tenho a ver. Como se eu estivesse olhando para as paredes sem fazer nada da vida e que é um júbilo ele me dar a oportunidade de ficar com o babyphone do filho dele.
E hoje, a campainha tocou...e eu pensei: Vá lá e acabe com esta PALHAÇADA!
Abri a porta com cara de poucos amigos. Tipo, diga logo o que você quer.
_Você pode ficar com o menino mais tarde?
Eu:
_Você vai vir toda segunda feira aqui me pedir isso? Para tomar conta do menino?
Ele fez uma cara sem graça, gaguejou e continou:
_É, hum, eu tenho que levar a menina no médico mais tarde, por isso.
Eu:
_Ah, ok. NÃO, eu não posso ficar.
Ele fez uma cara de que não gostou, não. Deu tchau e se foi. 
Queimou créditos comigo pedindo ajuda em hora que não precisava. Não fiquei com dó, não. Se vira...quem pariu Mateus, que balance o berço.
Esta é boa, ainda faz cara de decepcionado.
Simplesmente não entra na minha cabeça que a pessoa não tenha um pingo de noção do que está fazendo. A gente não fica solicitando os outros de maneira fútil. Cada um com a sua vida, os seus compromissos. Lógico que numa situação de necessidade, ninguém se nega a ajudar. 
Queria ver se fosse o contrário. Queria ver se fosse eu batendo lá toda vez que ele está de folga em casa para pedir algum favor a ele. Com certeza ele ia me dar uma invertida daquelas de perder o rumo pra casa.
Espero que ele tenha entendido o recado.

sábado, 27 de abril de 2019

Koningsdag - 27 de abril - Dia do Rei

Hoje é o dia do Rei. Dia em que o Rei, Willem-Alexander, comemora 52 anos. 
É feriado no país e comemorado com festa nas cidades e vilarejos de todos os cantos.
O pessoal destralha a casa e leva para vender na cidade, formando uma infinita feira de tudo o que se possa imaginar. É o único dia permitido para se montar estas feiras que nos lembram os saudosos camelôs.
A cidade que recebeu a família real este ano foi Amersfoort.
Eu gostei da festa, achei bonita e bem organizada com uma integração local para os membros da família real. Vi pela TV... poderia até ter ido já que é uma cidade próxima e de fácil acesso, mas a previsão do tempo não era nada animadora. O meteorologista no jornal de ontem à noite só faltou pedir perdão pela previsão ruim de chuva e frio para o dia de hoje. E pensar que o feriado de Páscoa foi digno de dias de verão.
No entanto, assim que o Rei e a Rainha e o resto da família desembarcaram do ônibus real, o tempo firmou e não choveu. Porém estava frio. As princesas, no decorrer do percurso, pediram seus casacos para se protegerem do vento frio.
O trajeto foi cerca de 1km e programado para duas horas. Apresentações de danças, teatro, cantores, corais e contadores de histórias. Um espaço com workshops, bolo e bebidas. E uma competição de perguntas e respostas.
Enfim, como sempre, as pessoas marcaram presença. A Família Real é o estilo gente que nem a gente: param, batem papo, tiram fotos com as pessoas.

Willem-Alexander com a filha mais velha, Princesa Amália


 Rainha Máxima fazendo "selfie"


Acho que a Rainha levou uma "cantada"



 A cidade enfeitada


E a última foto de encerramento, uma imensa "selfie"...


Mais fotos da festa real em Amersfoort aqui

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A americana

Eu não sei, mas parece que eu atraio gente tratante. 
Gente que não precisa combinar nada comigo, mas que combina as coisas e na hora H, desmarca. 
Gente que não precisa ter meu número, mas pede porque diz que vai me telefonar e NUNCA telefona. 
Gente que não precisa prometer amizade sem fim e diz que a gente tem muito em comum e isso e aquilo. E, bem lá no íntimo, a gente sabe que vai dar em nada, porque tá assim hoje em dia, pessoas vêm e vão. Mas será que tudo isso faz parte de algum código social? De um blablabla inútil porém necessário?
Uns meses atrás, tivemos uma festa grande de família...festa grande mesmo...teve banda ao vivo, cantor das antigas contratado pra se apresentar...enfim, muita gente...
Quando chegamos, a mesa da família já estava assim meio lotada e não tinha mais espaço para nós e tivemos que procurar por outra mesa. Um casal, numa mesa próxima, nos chamou e ofereceu os lugares vagos na mesa com eles.
A moça, origem chinesa, falava inglês. Aliás, foi ela que teve a iniciativa, porque esperar isso de holandês...não rola assim fácil, não.
Na hora, ela se levantou e se apresentou e já foi puxando conversa. Falou que não falava holandês porque estava só há um ano aqui...e contou toda a história da vida dela, numa simpatia sem fim. Americana. Namorado holandês. Aliás, o namorado dela, um jovem senhor também muito simpático. Nos apresentamos, eu pedi desculpas porque meu inglês não é fluente. Ela riu, entendia como era, uma salada de idiomas...que ela também fala chinês e conseguimos engatar num papo legal.
Nós nos identificamos como sobrinhos dos donos da festa e eu perguntei qual era a ligação deles com os titios! O holandês tratou logo de responder que o avô dele era parente do avô do titio. Eu ri e brinquei que estávamos então todos entre família. 
Mas depois, visto como tudo decorreu, fiquei na dúvida se eram mesmo convidados ou penetras na festa. A cunhada do rapaz veio sentar por um tempo com a gente. Quando falei o nome da titia, ela ficou em dúvida. Eu ainda brinquei..."Você não sabe quem é? É a dona desta festa!" A mulher ficou super sem graça...aí depois, sabe, você junta as coisas...enfim...contei até para o meu sogro, falar com a irmã dele.
E a noite seguiu agradável, comida boa, bebida, risadas...vieram outras pessoas e tudo ótimo.
E a americana já foi convidando a gente para ir para a Califórnia levar a vida sobre as ondas, ser artista de cinema, o meu desejo é ser star, só que não rs na casa de praia dela, que era linda. Descreveu a casa toda, falou que iríamo adorar (eu me achando já, me imaginando com os pézinhos na areia, sentindo a água nos pés hahaha) 


O namorado holandês quieto. Nem que sim e nem que não. Nós, meu marido e eu, nos entre olhamos assim, né...tipo...Oi? Tia, como assim ir pra Califórnia na sua casa na praia?
E eu sei, gente, que ela me passou os números dela, email e me rogou para que eu entrasse em contato, que ela gostaria de vir me visitar, pra gente marcar um almoço, fazer passeios...enfim...
Me liga, por favor! Vamos ser amigas!

Aí você pensa...vou esperar uns dias né...não quero parecer desesperada para fazer amigos! hahaha
Eu, sinceramente, ando meio preguiçosa pra ir atrás dos outros, ainda mais com meu inglês vencido, já vi o esforço que iria me custar, tudo para evitar a fadiga. Aí, você pensa e vê até pelo lado positivo. A moça super simpática, gentil...e, né, as férias na Califórnia...vai, que custa? rs Faz contato com a moça. Ela pediu!
Telefonei...o número caiu num tipo de caixa postal. Gaguejei qualquer coisa, morri de vergonha. Nada de retorno. 
Passei um email, um tempo depois.
Nada.
NUNCA MAIS...gente....
E foi assim! A grande amizade, já era!

domingo, 31 de março de 2019

Devagar e sempre

Gente, respondi à alguns comentários nos comentários!
O blog está devagar quase parando, eu sei, mas tá indo, viu!
Eu sempre penso em várias coisas para escrever, seriam vários textos...mas parece que o tempo escorre entre os dedos.
Estamos sempre às voltas com a família holandesa aqui...e a boa notícia é que meu sogro não tem mais vestígio de células cancerígenas na bexiga. Vai seguir com umas sessões extras do tratamento e, depois, com os controles médicos normais.
Porém, nem assim ele parece estar feliz!
Ele, nos últimos anos, tem escapado da terra dos pés juntos com maestria. Dois enfartos, um aneurisma e o câncer na bexiga. Era para estar mais positivo. Bom, temos que considerar que a internação da minha sogra, para ele, foi um grande baque da vida. Perder a companheira de quase 50 anos de vida em comum... Porém, por outro lado, ele se preocupava muito se ele morresse e o que seria da esposa? Mas ele não morreu, está vivo e saudável fazendo tudo o que ele pode fazer... minha sogra até que está bem pois ela anda, fala, conversa e é sempre amorosa, agradável companhia. Eu já falei para ele que o fato dela estar numa clínica é apenas para ser cuidada e não tirada de circulação do convívio dele e do resto da família. Contudo, ele sempre faz as coisas ficarem mais difíceis do que elas já são. Ele vai visitar a minha sogra todas as manhãs e fica com ela cerca de uma hora, contados no relógio. Fica dentro do quarto, que não tem nem uma TV. Olha que tortura. Ele pode sair com ela, levá-la até para a casa, passar o dia fora com ela, visitar amigos. Ele não faz porque acha que a esposa tem que se acostumar na clínica e que se for para a casa, não vai mais querer voltar. Minha sogra não reconhece mais a própria casa, onde viveu uma vida inteira. Não tem diferença a clínica e dizer que é um hotel onde ela está de férias, quando ela pergunta onde está. Uma das filhas já falou para ela uma vez que lá era a casa dela, agora. Ela não esboçou nehuma reação ou questionou algo. O que ocorre muito é de ela pedir muito para ir ver os pais dela, que já são falecidos há décadas.
Eu sei, não é fácil, porém tem gente que gosta de ser o fator complicador de uma situação que não tem o que mudar. Meu sogro é este fator.
Este ano ele faz 75 anos. Uma idade aqui super comemorada. Já disse que não quer fazer nada. Acho uma pena. Tem tantos amigos e familiares. Seria uma bela festa e minha sogra não deixaria passar em branco, com certeza.
No fim do ano, comemoram 50 anos de casados. Aí sim ele falou que gostaria de fazer algo...mas muito íntimo. Bom, até o fim do ano...temo pelo estado da minha sogra. Eu sou da opinião que, em relação a ela, temos que aproveitar o momento presente, sem grandes planos para o futuro.
Enfim...veremos.

domingo, 3 de março de 2019

As prioridades para as pessoas

E a cirurgia do meu sogro, para a retirada do aneurisma, foi marcada.
Ele seria operado numa sexta feira e teria mais dois dias de internação. Saíria na segunda feira no início da tarde.
As férias escolares estavam quase no fim, todos os filhos de volta na cidade. 
Outro detalhe: nesta semana de cirurgia dele, todos ainda estavam de férias do trabalho. Aliás, a minha cunhada mais nova, teria mais uma semana ainda livre. Meu marido sem férias, com todos os compromissos de trabalho e em outra cidade (sempre bom lembrar destes detalhes).
Também gostaria de acrescentar que os filhos do meu cunhado já são quase adultos. Têm a outra família, da mãe. Os filhos da minha cunhada são menores mas também têm os outros avós que já tomam conta deles. Outras tias e primos mais velhos. As meninas da minha cunhada mais nova folgada são menores, mas a mãe sempre se gaba de ter uma grande amiga que se oferece para ficar com as meninas. E aqui holandês faz o que bem entende, na hora que quer. Filho não impede esta gente de nada! 
E eu pensei que eu seria a última pessoa que eles acionariam de novo, neste caso da cirurgia do meu sogro. O outro filho acompanharia meu sogro no hospital e que as duas filhas se revesariam em ficar com a mãe, pelo menos durante aquela semana pós cirúrgica. 
Meu sogro não precisaria ficar acamado. Poderia fazer as coisas dele. Só não poderia dirigir ou fazer esforço físico. Eles poderiam ter providenciado uma entrega de refeições prontas na casa e os filhos se revesariam durante uma semaninha para fazer companhia para o pai e para a mãe. Encaminhar a minha sogra "na van" de manhã cedo para as atividades lúdicas e terapêuticas dela diárias.
Nossa, na minha cabeça, tudo era muito simples. Se eu segurei o tranco sozinha, durante cinco dias...uma semana, com três filhos por perto, seria moleza, não é?
Mas e daí? Quem realmente está disposto? E vos respondo: NINGUÉM!
Numa noite, tocou o telefone - já mencionei né que estamos pensando, seriamente, em dar fim em telefones e campainha? - era uma das minhas cunhadas para confirmar se eu iria para lá ficar com a mãe dela. Meu marido, coitado, ficou entre a cruz e a caldeirinha. Ele já sabia da minha resolução. Com três filhos lá, a minha presença não era necessária. E ele falou que eu não iria. 
Detalhe, nesta conversa, minha cunhada conta que irá também "aparecer por lá" para me ajudar, que eu não ficaria sozinha. Sei bem o tipo de ajuda: a boca para comer. E que ela tem os filhos - que golpe baixo, usar esta desculpa - e que a irmã mais nova ainda tinha que ir acampar com as filhas na França!
Alto lá! Você sabe que seu pai vai ser operado, sua mãe completamente incapacitada e você quer seguir com suas férias como se nada estivesse acontecendo? Já tinha viajado para a Grécia com o namorado. Já estava de bom tamanho, não?
E a minha cunhada mais nova também nos telefonou. Porque ela é muito boa em resolver as coisas pro lado dela. CHORANDO. A única solução era internar a mãe deles por uma semana na instituição, já que eu não podia ir para lá.
COMO ASSIM? Por minha causa, então, internariam a mãe? Por minha causa, não. Por causa delas que não queriam ter trabalho. Uma queria sair de férias.
Eu não cedi. Nem com a minha cunhada mais nova jogando tão baixo. 
Meu marido apenas silenciava no telefone enquanto ela soluçava.
Ele apenas falou: ela vai, mas se os dias forem divididos por igual entre todos.
Alguém concordou com a minha proposta? NÃO!
E minha sogra foi internada, no fim de agosto e está até hoje na clínica, infelizmente.
Mas esta culpa eu não carrego. 
Sinceramente, foi o melhor para ela, principalmente. Lá ela é bem cuidada, está sempre limpinha, perfumada, bem arrumada e bem alimentada.
Sobre o meu sogro, uma filha - já mencionei que todas as minhas cunhadas são enfermeiras? - foi dormir com ele, na casa. A outra viajou, acampar com a filhas.
A filha dormiu apenas três noites com o pai e depois mandou um email reclamando e que meu marido devia ir passar o fim de semana com o pai. Ele, claro, foi.
O outro filho, que mora na mesma rua, apenas umas casas distante da casa do pai, apenas o levou no dia da cirurgia para o hospital. Se ofereceu para dormir com o pai? Ou ficar com ele no fim de semana? Não.
Ah e os filhos todos têm dias livres na semana. Ninguém trabalha uma semana toda. E numa situação destas, era necessário abraçar a causa...pensar na prioridade dos pais...mas que nada.
Depois disso, eu observei muitas coisas e abri meus olhos. 
Não banco mais a super mulher maravilha. Porque no fim, principalmente as minhas cunhadas, se aproveitam da minha boa vontade para elas seguirem com a vida delas como se nada estivesse acontecendo. 
Naturalmente, nas reuniões de família do fim de ano, não recebi os tapinhas nas costas..."goed gedaan, jij ben zo lief!". Certas coisas não fazem falta e vivo muito bem sem falsos elogios.
No mais, resolveu-se o problema do aneurisma. 
Felizmente, tudo correu bem...no entanto, de volta ao urologista, meu sogro foi diagnosticado com câncer na bexiga, uns dias depois do Natal.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Teria sido mais honesto

Então você acha que a sua cunhada deveria perder a viagem para ficar com os pais?
Não, não deveria. Mesmo porque eu tinha a disponiblidade para fazer isso como o fiz. Fui lá e fiquei com meus sogros até termos o parecer médico definitivo sobre o aneurisma do meu sogro.
O problema foi toda a encenação dela. A manipulação. E aí, gente, você junta lé com cré e se lembra de várias outras situações onde ela SEMPRE consegue o que quer. Boa gestora. Tira o dela da reta para colocar o dos outros.
Eu tenho uma má impressão de holandeses em geral. Apesar que, hoje em dia, a empatia está em falta no geral. Se a pessoa tem algo para fazer, seja lá o que for, ela faz e pronto e não está nem aí para a necessidade do outro. Primeiro ela, depois o outro. Mesmo que a necessidade do outro tenha cunho prioritário.
Poxa, primeiramente, ela é uma enfermeira. Era o pai dela. Se algo passasse com ele, qual seria a pessoa ideal a estar com ele? Ela ou eu?
Ela poderia ter nos telefonado, óbvio que sim. Afinal era uma situação grave. Eu gostaria que ela tivesse sido honesta, como todo holandês se orgulha de ser. Olha, a situação é esta. Eu vou passar esta noite com meus pais. Estou sozinha em casa e a pintura do quarto fica para depois das férias. Vocês não precisam sair correndo a esta hora e pegar estrada. Vocês podem vir amanhã de noite, com calma e ficam no fim de semana. Sábado eu viajo, já está tudo agendado.
Mas claro, uma pessoa como ela, manipuladora, não pede...ela induz você a se oferecer mediante ao choro, desespero e deixa você tomar a decisão e tirar dela toda a responsabilidade de suas ações.
A operação do meu sogro para a retirada do aneurisma aconteceu no fim de agosto...
Quando eu arrumei as minhas coisas para voltar pra casa, meu sogro me chamou e disse que a minha cunhada - a outra filha dele mais velha que estava de férias - iria definir as coisas e que eu, provavelmente, teria que ir ficar lá de novo. Simplesmente respondi que era uma coisa a ser combinada já que todos os filhos estariam de volta das férias. Seria mais tranquilo. No entanto, era assim que eu pensava. Minhas cunhadas tinham outros planos em mente.
Já adianto...nada aconteceu como elas esperavam...