A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Neve: em extinção?



A neve artificial é essencial para o funcionamento das estações de esqui, o que exige um investimento financeiro considerável.

Estávamos assistindo a um programa destes que apresentam pesquisas de assuntos ambientais, sobre produtos, alimentos, estilo de vida, bebidas etc etc etc
Eu não sei se a pesquisa é de origem alemã, porque o programa passava num canal alemão, mas falá-se sobre a neve e a questão das mudanças climáticas.
Pois bem, marido vive dizendo que a Holanda, nesta época do ano, não é nem sombra do que era na infância dele, ou seja, tudo branco, ou seja, neve. Neve para todos os lados. Neve para se fazer bonecos de neve. Neve para que esquiar.⛄🎅🏂🎿
Foi constatado que a cada dez anos, têm-se cinco dias de neve a menos por ano.😱
Ou seja, desde que marido existe...ele já perdeu vinte dias de neve por ano.
Eu mesma, com um pouco mais de uma década aqui, já percebi a mudança radical. Teve ano que nem nevou no inverno. Tipo, cai assim, uma "nevinha" que nem chega a ficar muito tempo.
As estações de esqui estão à mingua...sem neve. E para garantir que o povo possa esquiar, estão "fazendo neve" através de máquinas.

Aqui um site que fala sobre isso, na Suíça: Como as estações de esqui mantém a sua neve

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Coisas de família holandesa

Minha cunhada mais nova disse que quer marcar uma conversa de família. 
Ela está muito preocupada com os pais, meus sogros. Ainda mais por conta da minha sogra.
Sabe, tem uma coisa que é difícil, achar que as pessoas vão mudar, ainda mais numa certa altura da vida: os costumes, o jeito de viver. Eles pensam: se já cheguei até aqui deste jeito e deu tudo certo até agora, fica assim mesmo, ainda mais agora, que falta pouco.
É o que sinto no meu sogro. Ele tenta mostrar que tudo está bem, do jeito que dá pra levar, tentando fazer tudo do jeito como sempre foi.
Eu, na minha mais singela opinião, penso que não podemos interferir muito. Podemos ir até um certo ponto, mas mais do que isso é complicado. Tirar a autonomia deles, não seria bom.
Eu acho que cada filho acaba tendo um tipo de relação com os pais. Fato. 
As minhas cunhadas têm muito mais liberdade com a mãe do que os filhos homens. É assim. É um espaço que eu nunca vou ter, por mais legal que seja a minha relação com a minha sogra.
Minha cunhada acha que a gente tem que fazer as mesmas coisas que ela faz com a mãe. Não dá. A relação que o meu marido tem com os pais é mais formal. E, naturalmente, eu, estrangeira, fiquei sim pra escanteio. Se isso foi de propósito, não sei. Não julgo. É um fato.
Vejam bem...minhas cunhadas se revezam levando a mãe pra casa delas, um dia na semana. Uma semana na casa de uma e uma semana na casa de outra. 
E o que ela faz lá? Ajuda as filhas...passa roupas e ajuda a cozinhar.

Quando eles estão aqui em casa, ela é visita. Eu não tenho coragem de aproveitar dela aqui em casa.
Já o chamamos, várias vezes, para virem fazer as refeições aqui.
No aniversário do meu sogro, ele não quis fazer nada. Liguei e falei para virem pra cá. Fiz um jantar especial para ele.
Agora quando chega fim de semana, feriado, férias...é cada um com sua familinha, viajando e curtindo. Ou seja, minhas cunhadas vão cuidar da vida delas..."a obrigação"do dia da semana foi cumprida.
Enfim, para mostrar que estamos diponíveis, não ignorando toda a situação problemática da família no momento, nós decidimos chamar os meus sogros pra viajar com a gente.
Fomos aqui do lado mesmo: Alemanha. Caso acontecesse alguma coisa, meu sogro poderia facilmente voltar pra casa com a minha sogra.
Ele não tem viajado mais com ela como antes mas, conosco, ele topou.
Foi legal, muito gostoso mesmo. Porém voltamos muito mais cansados do que fomos. Minha sogra, assim no dia a dia, está bem, mas a gente tem que ficar ligada nela.
Ela ficou surpresa ao nos encontrar no hotel quando chegou. Eu disse que a gente tinha ido fazer uma surpresa pra ela.
Cada manhã era um novo encontro. Ela ficava surpresa ao nos ver chegando para o café da manhã.
No fim da tarde, ao nos reencontrarmos para o jantar, mesmo depois dela ter passado o dia todinho com a gente, de novo, era um primeiro encontro.
Por acaso, havia um casal no hotel, vizinhos de rua deles. 
Gente, minha sogra ficava injuriada com a mulher, que era muito simpática. Minha sogra não se conformava que a mulher vinha toda cheia de intimidade conversar com a gente. Claro, ela não sabia mais quem eles eram.
Nunca falávamos do dia anterior. Meu sogro, às vezes, mencionava algo e ela olhava e questionava. Ele explicava e ela se calava.
Em alguns momentos, ela falava coisas que a gente sabia que não tinham acontecido.
Estávamos numa cidade e ela disse que, no dia anterior, andou por lá e encontrou uma conhecida. Totalmente absurdo.
E todas as vezes que chegávamos no hotel, ela perguntava o porquê de estarmos lá.
Algumas situações ela revelava a sua teimosia. 
Nos restaurantes, ela queria empilhar os copos e pratos na mesa. Quando eu disse que a funcionária do local arrumaria tudo, ela disse convicta de que ela também trabalhava lá e por isso estava fazendo o trabalho dela.
Meu sogro leva tudo do jeito que dá pra levar ou faz mesmo vistas grossas.
Ela se queixou muito de dor nas costas, depois dos nossos passeios. Falei para o meu sogro que eram as botinhas de salto dela. Era melhor comprar sapatos mais confortáveis. 
O que ele faz? Vai falar com ela e ela disse que estava tudo bem, que ela podia muito bem andar de saltos! Ele faz assim, espera pela decisão dela quando ela nem mais assimila nada. Difícil.
Enfim, a conversa em família ainda não aconteceu. 
Meu marido falou com o meu sogro a respeito e ele disse que a gente não tem com o que se preocupar. As coisas são como elas são. 
Lógico, ele tenta, ao máximo, levar tudo da forma mais normal possível, afinal ela é a mulher dele e ele quer preservar a vida deles, como um casal. No entanto, ele ainda deixa ela decidir as coisas e isso, em alguns pontos, não é mais possível.
Agora eles têm uma faxineira, escondido da minha sogra. Na cabeça dela, ela faz tudinho em casa.
Estou tentando convencê-lo a contratar um serviço de entregas de refeições...porque chegou num ponto que ela nem se lembra de que precisa comer. Meu sogro tem cozinhado...mas sabe Deus o que andam comendo.
As minhas cunhadas não realizaram que têm coisas muito mais importantes e práticas a serem colocadas em ação do que simplesmente levar a mãe ficar com elas um dia na semana, para o meu sogro ter um tempo só para ele. 
Enfim...veremos se esta conversa vai acontecer mesmo e quando.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Sou fracote



Uma lembrança assim marcante de um parque de diversões que marcou a minha infância foi o Playcenter. Claro, era famosíssimo!
Não que eu não tenha ido em outros, mas eram aqueles de praça de cidade do interior com uma roda gigante bem singela.
Uma vez fui ao Hopi Hari, naquela torre de queda livre.
E ficaram traumas: do Playcenter aquele barco e do Hopi Hari a torre. Sim, porque eu sou uma fracote. Eu tenho aquela sensação de frio na barriga que parece que eu vou me descolar do meu corpo.
Eu só posso com roda gigante, um balancinho assim bem calminho e no máximo um carrinho que bate bate! Até um brinquedo estilo montanha encantada me dá frio na barriga!
Teve "kermis" aqui na cidade umas semanas atrás. É montada uma feira no meio da cidade, com barraquinhas de comidas e guloseimas, roda gigante, trem fantasma, atrações que voam e bem loucas e outras atrações terrestres como tiro ao alvo, bolas ao cesto, bingo...e por aí vai.
E tinha uma torre com cadeirinhas. Do chão não parecia tão alto....mas quando subiu! E começou a girar! E nos sentimos totalmente inseguros, porque apenas uma barra evitava que caíssemos no caso de sermos projetados pra frente! E tudo preso só por cabos e nada mais! E pasme, 60m de altura. 
Já que estávamos lá em cima, girando, e aquela ventania e tudo balançando...entregamos na mãos de Deus.
Marido saiu daquele balanço tão tonto que nem sabia para que lado ir!
Mas e aí, teve um passeio da empresa, para um parque de diversões, na Alemanha: o Movie Park.
Lá fomos nós e quando vi de fora uma montanha russa monumental, tive a certeza de que daquela atração eu passaria muito longe.
Mas tinha uma pequenininha e com crianças na fila, eu conclui que seria tranquilo pra mim, obviamente.
Já percebi que não...soltei altos gritos e aquela sensação de frio na barriga ficou presente o tempo todo. Porém, sobrevivi! Saí com lágrimas no olhos e o povo olhando para a minha cara!
E lá fomos em outras atrações, demos trocentas voltas na roda gigante até que resolvemos ir numa atração chamada de A fábrica do Van Helsing.... Oh Van Helsing é meu herói!
Só que não dava pra saber exatamente que tipo de atração era. A entrada era bem sinistra, o maior mistério...mas tudo bem...aventura!
A fila estava num salão escuro que parecia mesmo uma fábrica, com filme interativo, sonorização sinistra e beleza, tudo muito louco. Depois você avista apenas uma porta.
Mas eu pensava: aaahhhh se tem estes titicos na fila, eu também vou!
Quando nos demos conta, ao passar pela porta, saímos numa plataforma e, voilá, chegou o carrinho.
Gente, eu podia ter saído pelo portinha lateral, mas eu entrei no carrinho. Eu sentei no carrinho e ele saiu....
Era uma montanha russa! Não daquelas enormes, mas que seguia como num trem fantasma, subindo e descendo por um trilho na escuridão total e vez ou outra, apareciam os monstros ao acender das luzes. E, de repente, despencava no nada. Eu vi os monstros? Claro que não!
A única coisa que eu fazia era berrar! Nem abrir os olhos eu conseguia. E claro, grudei no marido, ao lado.
Por mais que eu tentasse manter o controle, a cada descida brusca do carrinho eu sofria.
E quando eu já achava que iria sair do meu corpo, o carrinho chegou no destino final!
E aquela criançadinha que tinha ido num carrinho antes, ali, totalmente tranquilas como se NADA tivesse acontecido.
Eu saí descabelada, tonta, com dor no pescoço, lágrimas nos olhos e totalmente ofegante!
Imagino que se houver uma câmera monitorando estes carrinhos no percurso por questões de segurança e alguém tiver visto, deve ter morrido de tanto rir!
E marido numa boa. Apenas achou ruim que o carrinho fazia as curvas muito bruscamente!

Mas valeu e tão cedo não devo ir em outro parque mesmo. Quem sabe daqui a vinte anos.
O brinquedo da foto abaixo já chega a ser emocionante para mim!
Eu sou muito fracote! Não tem jeito!

terça-feira, 29 de setembro de 2015

As reflexões do outono

É claro que o outono chegou, sem deixar sombra de dúvida! E é claro também que ele trouxe de presente uma gripe que me deixou baqueada a semana passada inteira. E ainda estou com aquele restinho da gripe. Ohhh coisa chata.

As manhã amanhecem geladas com orvalho e as noites também têm sido bem frias. Os dias têm sido brindados com muito sol e isso é muito bom...por mim, podia ser sempre assim.
As folhas já mudam de cor...e tudo vai ganhando um outro colorido.

Fui conhecer o apê novo de uma amiga que se separou. Só na Holanda mesmo para uma mulher, sem trabalho, sem salário, com filhos ter o direito à uma residência só dela sem ter que mostrar comprovantes de rendimentos. Claro que ela vai ter que se enquadrar a critérios como se comprometer a buscar trabalho, mas até aí gente, ninguém fica no desespero. E tem gente assim, vivendo já há anos!
O apartamento é novinho...cozinha pronta, banheiro instalado, piso colocado, super bem localizado...fiquei de queixo caído! 
Arrisco até a fazer uma piadinha que se ela soubesse disso antes, teria se livrado do marido há mais tempo! rs Sorry, people, mas sabe como que é, às vezes não dá pra não falar!
Viva o sistema "robinwoodyano" rs
Também estamos com uma separação na família...acho que foi isso até que mexeu com meu sistema imunológico pois penso nas crianças que ainda são muito novinhas.

Mudando de assunto, sobre os refugiados. Já são 25 mil na Holanda.
Aqui na cidade já noto a presença deles e oh, podem me jogar pedra, mas nada muda meu pensamento de que se não for feito algo de imediato, isso não vai prestar.
Não adianta querer cobrir a cabeça e descobrir os pés.
Ahhh são países ricos, é o que escuto! Não vejo mais países ricos nos dias atuais. Vejo países que criaram sua própria infraestrutura pra dar a todos qualidade de vida, trabalho, oportunidades...mas o que acontece quando a demanda é maior do que a oferta? É que nem ônibus lotado, numa curva, tomba.
O mar já não está para peixes para os próprios, quem dirá para quem está chegando.
Ok, eles recebem abrigo, assistência mas e aí? O que vem depois?
Ver este povo vagando nas ruas sem perspectivas...grupinhos ali enchendo a cara de cerveja e fumando...já intimidando os passantes.
Outro dia foi um quiprocó em um abrigo de madrugada... Pô, eles se desentendem até entre eles! Foi a maior tropa de choque, até helicóptero! Resultado: 14 feridos!
O mais recente agora foi depois de uma "pelada". Brigaram feio, 5 presos!
Entrei no supermercado e a polícia lá dentro! 
No jornal mostrou uma agência de recrutamento famosa com uma frente de trabalho só voltada para os refugiados e pra mim? Fazer uma triagem e encaminhar o pessoal mais qualificado, e eu?
Não quero parecer cruel, é uma questão de ordem humanitária, desde que eles também sejam merecedores e respeitem a cultura onde estão sendo acolhidos.
Fazer uma petição para cancelar a Oktoberfest na Alemanha por entenderem que é uma festa ofensiva à crença deles e, principalmente, aos que estão chegando, traumatizados...para mim isso já é um pouco demais, não é não?

PS: Gente, deixei de ler alguns blogs, mas logo visito vocês, viu?

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

No meio do caminho tinha um vendedor


Não entendo uma coisa: está cada vez mais complicado achar roupas e sapatos pra marido aqui na Holanda.
Puxa vida... ohhh lasqueira, um país que tem o povo mais alto do mundo, faltam tamanhos grandes!
Até uns anos atrás, era fácil achar nas lojas mais populares coisas com qualidade e com um precinho bom. Até nas liquidações, eu achava muita coisa legal do tamanho do marido.
Tinha até uma marca, numa tal loja, que as calças caíam como uma luva nele. Era eu ir lá, pegar o número dele e pronto.
Mas de uns três anos pra cá, tem ficado cada vez mais difícil. E quando encontramos são peças limitadíssimas e o preço? Lá em cima. Tudo bem, se a gente não tem escolha, a gente paga, mas nem assim.
Só sei que fomos pra Alemanha e lá, sim, fizemos a festa. Sapatos encontramos modelos lindos, baratos e até com descontos, até o número 50! 
Calças lindas! Pra todos os gostos e com os preços bem mais em conta do que aqui na Holanda.
E detalhe, nem comprei nada para mim! 
Desta vez, foi marido que recebeu um banho de loja, bem merecido. E eu, sou do tipo, que adoro escolher as coisas pra ele e junto com ele. Sozinho, ele não vai nem a pau fazer compras. Aliás, ele não está nem aí pra estas coisas de compras. Eu tenho que sempre frisar: é preciso! Ele revira os olhinhos e vai! rs

Mas enfim, eu queria era contar que passeando pelo corredor do shopp's, tinha uma gôndola lá e o rapaz nos chamou. A gente nem ía parar, mas, sabe como é... quando nos demos conta, lá estávamos presos na teia do vendedor.
Depois do peeling do sal retirado lá do Mar Morto nas mãos, daquele cheiro maravilhoso, do vendedor falando de todos os milagres do tal sal, depois passamos a "manteiga" e todos aqueles aromas e depois o tal peeling de gel pro rosto.... ahhh eu já estava no paraíso... mas... mas...
Fiquei firme!
Quando ele esgostou cada proposta e eu bati o martelo dizendo que eu não tinha intenção nenhuma de comprar produtos de beleza, o rapaz da Rômenia, fechou a cara, literalmente. Naquele momento eu acho que ele desejou nos mandar para o mar morto! hahaha
Seguimos o nosso caminho, com as mãos bem macias e perfumadas.
E é incrível, né? A gente ainda sai como se estivesse devendo algo pra pessoa! Que horror! rs
Mas marido ficou muito orgulhoso de mim! rs 
E, vamos combinar, daqui a pouco tudo lá no Mar Morto vai naufragar, né? Tão tirando o sal de lá! hahahah