A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bem que eu tento...

Já faz é tempo que estou ensaiando para vir aqui, mas é sempre uma coisa e outra que se passa que me interrompe. Tenho todo o post mentalmente na minha cabeça, mas sentar e escrever é um outro ponto.
A última coisa que decidi fazer foi sair da minha zona de conforto. Dizem que a gente se acomoda né, e quando a gente não faz nada, vem o destino e apronta com a gente.
No meu caso, não esperei pelo destino e me lasquei do mesmo jeito.
A Holanda é o centro dos trabalhos voluntários, todo mundo aqui quer ser útil e já me questionei muito o quanto este povo é caridoso, só que não! rs
Eu já saquei muita coisa por aqui e, por isso, às vezes, reluto em ir atrás das coisas porque quase sempre é arranjar sarna pra se coçar, mas tá, vamos tentar, quem sabe a coisa mudou, tem tanta gente no mundo, algo há de sair como eu espero.
Resolvi que queria retomar meu estudos de holandês. Sabe aquele nível que não melhora? Você fala, mas sempre faltam as palavras, as expressões, o pulo do gato. Decidi que desta vez eu ía atrás, tomar uma atitude.
Aqui na cidade tem uma instituição de voluntários, denominados de taalcoach. Aliás, vocês já repararam que hoje tem coach em tudo quanto é esquina e pra tudo? Pra mim já avacalharam geral mesmo, esculhambaram com o psicológo, o pastor de igreja, o guru, o vidente, o professor, o orientador vocacional,  o padre...pra tudo hoje o coach resolve tudo. Ou quase tudo! rs
E eu topei com um voluntário que está trabalhando nesta área: é coach. Quando ele me falou, minhas anteninhas já ficaram ligadas. Mas tudo bem, ele não vindo pro meu lado. Tudo o que eu queria era que ele me ajudasse com a língua nativa dele e eu com o português, pois ele também tinha interesse no meu idioma. Achei ótimo. 
Fui conhecê-lo num lugar público e neutro. À primeira vista, fiquei bem contente. Senhor simpático, falante e me perguntou muitas coisas. Bom, normal, eu não tenho problemas em dizer o que fiz, no que trabalhei, o que estudei. Só achei estranho quando ele me perguntou seu eu tinha levado meu curriculum. Claro que não. Não estava indo para uma entrevista de emprego. Por que levaria um curriculum comigo? E foi só no final do papo que ele me contou o que fazia. E, claro, me recomendou que eu enviasse meu curriculum assim que possível.
Adendo 1: o taalcoach vem na sua casa. Até nisso eu fui condecendente. Sabem por quê? Porque holandês nenhum deixa você entrar na casa dele, assim do nada. Então, por que raios eu tenho que deixar vir gente, que eu nunca vi, na minha casa? Não gosto disso. Mas... tudo bem, sirvo um café, umas bolachas e pronto, afinal a pessoa vem com a maior boa vontade, até a minha casa, me ensinar e eu nem preciso sair do conforto do meu lar. Resolvi ceder neste quesito.
Adendo 2: encontros das duplas (voluntário e estudante) numa noite de "kookavond".  Ou seja, você cozinha para os voluntários. Meu...eu já cozinnho todos os dias na minha casa e quando rola uma baladinha eu tenho que ir cozinhar para outros? Por que não irmos todos para um restaurante, eu até pago a parte do voluntário se for o caso, em agradecimento! Mas tudo bem, resolvi ser flexível neste ponto.
Adendo 3: eu também fui convidada a trabalhar voluntariamente com a organização. Olha que legal, para ganhar salário eu não sirvo, mas para trabalhar de graça eu tenho competência! Até isso me animei a fazer.
Ficou tudo combinado. Ele me enviaria uma confirmação apenas do horário.
No final da tarde já recebi o email, tudo bem rápido. Mas o conteúdo da mensagem não me agradou. Algo ali tinha um teor que me deixou em estado de alerta.
Veio com um papo de que ía investir o tempo dele para trabalhar na minha apresentação pessoal e na busca de trabalho.
Para tudo! Eu não pedi nada disso. Para tudo de novo! Como assim ele decide uma coisa e pronto?
E incluiu a mulher dele no meio, pois ela somaria muitos aos nossos encontros semanais e ela poderia significar muito para mim. Hummm, cuma? Não chamei ela pra vir na minha casa. Quem falou que eu quero que ela signifique algo para mim?
Esperei marido chegar, porque sabe como é: ler em um outro idioma pode trazer alguma interpretação equivocada e como o marido é gente que nem eles rs de repente ele poderia entender de uma forma melhor.  O taalcoach de repente só queria fazer amigos, me dar uma dicas aí e eu levando tudo a ferro e fogo.
Pois bem, marido leu e aí o caldo entornou pro meu lado!
Ele já entendeu que eu já tinha combinado que o cara ía ser meu coach pra toda uma vida, que a mulher dele ía me catequizar e que no final do mês a gente ía receber uma bela fatura dos serviços prestados pelo coach à minha pessoa.
E quando eu vi, eu estava me justificando pro meu marido, que não era nada daquilo do que ele estava pensando! hahaha E eu me senti uma idiota.

Coach fdp!
Aí o meu sangue subiu pro olhos e disparei, no meu melhor holandês, uma mensagem direta e reta.
Perguntei ao senhor simpático se ele estava me oferecendo seus serviços profissionais de coach. Esclareci que eu não queria treinamento, coaching, conselhos, simpatias, nada para o meu setor profissional e que quando procurei pelos voluntários foi com o único objetivo de melhorar meu holandês e de ajudá-lo com o português, e que tudo isso era gratuito, trabalho voluntário. E que aquela mensagem me fazia entender algo além do combinado.
E aí? O que todo holandês faz quando é confrontado? Sai pela tangente.
Respondeu que tudo não passou de um mal entendido e ainda continuou a afirmar que a mulher deles significaria muito para mim.
Depois deste aborrecimento e com os meus dois pés atrás, pensando que eu corria o risco de me meter com gente chata, intrometida, que perderia o meu sossego, minha privacidade, eu cancelei tudo numa mensagem, que tinha todo o assunto discutido com ele, para a instituição de voluntários. 
Seria ele, na pele de voluntário, a querer engabelar seus alunos e oferecer seus serviços? Ou a instituição ganha uns trocos promovendo estes "encontros"usando o idioma holandês como isca?
Só sei que não veio uma resposta, nem do taalcoach e muito menos da instituição organizadora dos voluntários.
E eu sigo na minha zona de conforto, obrigada! E obedeci a minha mãe que nunca dá palpites, mas quando eu contei para ela o que estava acontecendo ela foi a primeira e categórica no: CAIA FORA!
Desobedecer mamys...noooit!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Mistureba


Já tem tempo que eu havia percebido e isso se dá bastante entre os turcos.
Principalmente quando estou no ônibus e o percurso é mais demorado, tá o pessoal de papo no celular ou conversando entre si.
É inevitável não prestar atenção nas conversas. Aliás, eu fico testando meu nível de compreensão em holandês e até poderia me intrometer para dar conselhos em algumas conversas hahaha 
Às vezes, até descubro uma nova expressão ou escuto algo dito de maneira incorreta. É até divertido.
Bom, mas o que me deixa perplexa é ver a mistureba de turco com holandês. Já virou outro "idioma". É entre eles conversando, é no telefone. Uma fluência que assusta até! 
Estão lá no maior bate papo em holandês e depois desembestam no turco e voltam para o holandês. Ou ao contrário!
E, assim, na maior naturalidade!
Claro, isso se dá mais entre os mais jovens. São as menininhas de lenço na cabeça com as mais ousadas e todas produzidas, porém percebo menos entre os meninos. Oh o meu nível de observação.
É muito louco!
Eu já começo a ter brancos com o português! Imagina emendar um idioma assim com o outro?!?!? rs
Ah e eu sei que é turco porque entendo umas palavrinhas (Salve Jorge rs), tamam!