A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

A americana

Eu não sei, mas parece que eu atraio gente tratante. 
Gente que não precisa combinar nada comigo, mas que combina as coisas e na hora H, desmarca. 
Gente que não precisa ter meu número, mas pede porque diz que vai me telefonar e NUNCA telefona. 
Gente que não precisa prometer amizade sem fim e diz que a gente tem muito em comum e isso e aquilo. E, bem lá no íntimo, a gente sabe que vai dar em nada, porque tá assim hoje em dia, pessoas vêm e vão. Mas será que tudo isso faz parte de algum código social? De um blablabla inútil porém necessário?
Uns meses atrás, tivemos uma festa grande de família...festa grande mesmo...teve banda ao vivo, cantor das antigas contratado pra se apresentar...enfim, muita gente...
Quando chegamos, a mesa da família já estava assim meio lotada e não tinha mais espaço para nós e tivemos que procurar por outra mesa. Um casal, numa mesa próxima, nos chamou e ofereceu os lugares vagos na mesa com eles.
A moça, origem chinesa, falava inglês. Aliás, foi ela que teve a iniciativa, porque esperar isso de holandês...não rola assim fácil, não.
Na hora, ela se levantou e se apresentou e já foi puxando conversa. Falou que não falava holandês porque estava só há um ano aqui...e contou toda a história da vida dela, numa simpatia sem fim. Americana. Namorado holandês. Aliás, o namorado dela, um jovem senhor também muito simpático. Nos apresentamos, eu pedi desculpas porque meu inglês não é fluente. Ela riu, entendia como era, uma salada de idiomas...que ela também fala chinês e conseguimos engatar num papo legal.
Nós nos identificamos como sobrinhos dos donos da festa e eu perguntei qual era a ligação deles com os titios! O holandês tratou logo de responder que o avô dele era parente do avô do titio. Eu ri e brinquei que estávamos então todos entre família. 
Mas depois, visto como tudo decorreu, fiquei na dúvida se eram mesmo convidados ou penetras na festa. A cunhada do rapaz veio sentar por um tempo com a gente. Quando falei o nome da titia, ela ficou em dúvida. Eu ainda brinquei..."Você não sabe quem é? É a dona desta festa!" A mulher ficou super sem graça...aí depois, sabe, você junta as coisas...enfim...contei até para o meu sogro, falar com a irmã dele.
E a noite seguiu agradável, comida boa, bebida, risadas...vieram outras pessoas e tudo ótimo.
E a americana já foi convidando a gente para ir para a Califórnia levar a vida sobre as ondas, ser artista de cinema, o meu desejo é ser star, só que não rs na casa de praia dela, que era linda. Descreveu a casa toda, falou que iríamo adorar (eu me achando já, me imaginando com os pézinhos na areia, sentindo a água nos pés hahaha) 


O namorado holandês quieto. Nem que sim e nem que não. Nós, meu marido e eu, nos entre olhamos assim, né...tipo...Oi? Tia, como assim ir pra Califórnia na sua casa na praia?
E eu sei, gente, que ela me passou os números dela, email e me rogou para que eu entrasse em contato, que ela gostaria de vir me visitar, pra gente marcar um almoço, fazer passeios...enfim...
Me liga, por favor! Vamos ser amigas!

Aí você pensa...vou esperar uns dias né...não quero parecer desesperada para fazer amigos! hahaha
Eu, sinceramente, ando meio preguiçosa pra ir atrás dos outros, ainda mais com meu inglês vencido, já vi o esforço que iria me custar, tudo para evitar a fadiga. Aí, você pensa e vê até pelo lado positivo. A moça super simpática, gentil...e, né, as férias na Califórnia...vai, que custa? rs Faz contato com a moça. Ela pediu!
Telefonei...o número caiu num tipo de caixa postal. Gaguejei qualquer coisa, morri de vergonha. Nada de retorno. 
Passei um email, um tempo depois.
Nada.
NUNCA MAIS...gente....
E foi assim! A grande amizade, já era!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Custa tomar banho?


Ontem tive que pegar um ônibus...
A observação: quando entrei, quase caí pra trás...era um cheiro de "nhaca", um cheiro de gente suada, azedo, que eu só não desci na parada seguinte porque eu iria me atrasar.
Parecia que aquele odor todo estava se impregnando no meu ser, nos meu cabelos - eu tinha acabado de tomar banho e lavar os meus cabelos- eu tentava até ficar sem respirar. Pensei em ir falar com o motorista...pedir para ligar o circulador de ar, abrir a parte superior do teto...mas fiquei na minha.
O trajeto era para um bairro considerado nobre, que o povo enche a boca pra falar que mora lá. Olhei a minha volta para analisar o tipo de gente...maior moçada jovem. Povo de bairro "chique", com Iphones nas mãos, roupas da moda, mas... fedidos! 😱
Aí eu fiquei pensando, durante o trajeto, que tem tantas lojas, drogarias, uma infinidade se fim, sem limites rs de produtos para banho, cabelo. Promoções diversas, kits diversos com preços promocionais. Para ducha, para banheira, porque a maioria das casas aqui tem banheira, gente! Pra você encher de sais, fazer aquele banho de espuma e dar o maior "tchibum"....claro que com o problema da água no mundo, talvez os banhos de banheira não sejam mais politicamente corretos. Mas enfim, não tem desculpa para não tomar banho, entendeu? E, pior, gente jovem, caramba!
Já estive em lojas, nas ruas e você vê aquelas meninas lindas e loiras, todas maquiadas, todas fashion e que passam por você e deixam o rastro de pura "nhaca". Oh gente...é de lascar.
Acho que vou vender sabonetes nos transportes públicos! 
"Não teve tempo de comprar o seu sabonete para o banho, não se preocupe, tenho um kit de banho aqui, para você ficar limpinho e perfumado! Aproveite, leve 3 e pague 2! Respeite o seu próximo. O meio ambiente agradece!"😛
Pronto, falei!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"Zij is uit het leven gestapt"

Está é uma maneira cordial, suave de dizer dos holandeses que a pessoa se matou! 
A tradução seria: ela desembarcou da vida.
Ontem mesmo foi falado dos números de suicídios que se elevaram aqui na Holanda.
É impressionante que isso acontece, tipo assim, nas melhores famílias. Não é gente ferrada na vida, não...é gente com a vida ganha, que faz e acontece, que tem família, amigos, vida social. Mas que vive à sombra. Lá no seu íntimo ninguém sabe de nada e a pessoa não fala. E vamos combinar que este povo aqui também não é de escutar.
Eu já escutei muitas conversas e o diálogo é um monólogo, tudo na primeira pessoa: ik. Você não escuta uma interação do que a gente faz de "se meter" na vida do outro e dar um palpite. Aqui a gente escuta que a vida é da pessoa e é ela que deve saber o que é melhor para ela.
Este blog pode até parecer coisa de ficção, mas não é.
Um mês atrás, a namorada de um dos primos do meu marido se matou. Ela disse que precisava de uns dias para ela e disse que iria viajar. Se enforcou.
Nós a conhecemos rapidamente no funeral do titio, ano passado. 
Naquela época eles já tinham um ano de relacionamento. Os dois vinham se conhecendo, "saídos"de um casamento, com quatro filhos cada um. Fiquei até imaginando quando reunissem os filhos: seriam oito numa tacada só!
A primeira mulher dele, mãe dos filhos dele, pirou! Sim. Ela começou a seguir aí uma seita sei lá do que, com uma filosofia de vida assim e assado e, numa hora lá de libertação, chegou à conclusão e deu tchau ao casamento, aos filhos, ao marido, à vida, aos amigos. Até onde soubemos, a família dela conseguiu interná-la.
Tudo isso ele contou assim, numa tacada só, numa festa de aniversário para a minha cunhada. Vejam bem, este povo não se visita, não se fala, não se procura, mas numa festa eles falam tudo.
E a tal namorada, super entrosada com a família lá. Inclusive era ela que estava acompanhando os meus sogros. Aliás, parecia que ele era o filho dos meus sogros lá no funeral. E ela, orientando as pessoas, olhando se tudo estava nos conformes...ou seja...a mulher estava com tudo, super entrosada com todos.
Nós soubemos do suicídio dela pelo meu sogro, duas semanas atrás. 
Ele até pediu ao meu marido para enviar uma mensagem de condolências. Ele não o fez. Achou que seria muito estranho já que ele e o primo não têm contato algum.
Mas o meu sogro enviou e ele respondeu e foi aí que eu fiquei boquiaberta.
Teve gente que achou a mensagem dele muito bonita e forte.
Eu...achei de extrema arrogância.
Na mensagem enviada ao meu sogro, ele dizia que não sabia que ela sofria de depressão.
Os filhos dela sabiam o que ele tinha feito por ela e o quanto eles estavam felizes juntos. Que eles fizeram muito em dois anos o que muitos casais não fazem uma vida inteira juntos. E foi pontuando item a item. Que tiveram bons tempos e que isso o confortava e que era uma pena que ela tinha um fardo tão pesado que ela não suportou.
Ele só faltou terminar a carta com um "e ela se matou feliz".
Sabe, como que uma pessoa não percebe, em dois anos de relacionamento, que alguma coisa não estava bem?
Ao meu ver, estava tão preocupado com o "estilo de vida" do vamos fazer e acontecer do que prestar atenção de fato na namorada.
Detalhe: os filhos sabiam e o ex marido também.
Dizem que quando uma pessoa quer se matar, ela vai e se mata mesmo, ninguém consegue impedir... mas será que realmente ela precisava ter chegado neste extremo? 
Aqui eles meio que entendem da seguinte forma: a decisão foi dela, ela quis assim. Temos que respeitar.
Não pensa nos filhos, nos pais, no namorado, amigos? Tipo, eles que fiquem aí e se virem neste mundo! Pra mim, já deu! Tô desembarcando da vida, aqui!
Será isso? 
A gente olha a pessoa e acha que é uma pessoa forte, esclarecida...pô uma HOLANDESA, dona do próprio nariz, a mulher emponderada.
Sei lá...só sei que a lista do que fizeram foi grande viu...vai ver foi isso...fez tudo o que tinha pra fazer e a vida ficou sem graça.
Enfim...têm coisas que a gente até quer entender, mas jamais saberemos ou conseguiremos entender de fato.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Desconfie!


Ahhh eu estava sonhando com uma cena destas...


Já pensou que delícia....hein?
Cá vou contar para vocês, segue aí!
 
Uma coisa que eu via de muito diferente entre Brasil e Holanda era no quesito brindes no comércio em geral.
Um exemplo, assim banal, no shopping em SP, no dia da mulher eu já ganhei batom da Natura, flor da administração, chocolatinho...isso só passando, sem ter que comprar nada. 
E se voce é o aniversariante do dia, não paga o seu almoço no restaurante.
Tá ainda este glamour todo no Brasil, gente?
No Brasil, as empresas investem ou investiam em festas, em brindes diversos como viagens, mimos, hospedagens em hotéis, shows. Olha, eu desfrutei muito de muitas mordomias, não tenho do que reclamar. Levava minha mãe, amiga, irmão... Jantares, passeios, massagens, tratamento de pele...ohhhh tempos dourados.
E se você entrasse numa rede de lojas comemorando aniversário ou, simplesmente, lançando um novo produto...era certo de ganhar algum agrado.
Aqui na Holanda, nunca vi nada disso! Os cabeças de queijo não querem agradar e nem se preocupam com isso. O lema daqui é bem na máxima do "cliente nunca tem razão". 
Até que, às vezes, já vi algo bem discreto e nem sempre acontece.
Porém, por estes dias, passando por uma loja de lingerie, pijamas, biquinis e afins resolvi comprar um pijama que estava precisando. Por sorte, achei um bem fofo e na promoção.
Fui para o caixa pagar e na minha frente estava uma senhora efetuando um pagamento.
A atendente, discretamente, perguntou se ela tinha interesse em sauna, spa e ela respondeu que sim. Daí ela ganhou uns voucher(s) para um Spa resort.
Pensei cá com meus botões....huuuummmm a compra dela deve ter sido muito boa para a loja dar este brinde a ela. Eu com meu pijaminha de promoção com certeza não irei ganhar nada.
E, para o meu espanto total, aconteceu ao contrário!!!! Quase não acreditei! Meus olhinhos se encheram de luz!
Ganhei quatro voucher(s). Gente...QUATRO! Cada voucher era um "dagentree" grátis, para uma pessoa passar o dia no spa resort, derretendo na sauna e desfrutando do scrub (esfoliante) e ducha ILIMITADO!
Bom, já imaginei aquele dia ou melhor, dois dias dos quais poderiamos usufruir, pois tínhamos QUATRO entradas livres. Tudo bem, pensei até em chamar alguém para ir comigo, mas quem?
Aí que fui pesquisar pois eles possuem vários spas resorts pela Holanda.
Pra começo de conversa, claro que, qualquer coisa extra seria cobrada à parte como os roupões, toalhas, chinelos, refeições e algum tratamento adicional.
Aí la vem marido com a máxima do "oh, não é assim grátis, não!", presta atenção. Ele não se importa se tiver que pagar, mas ele não gosta de ser ludibriado. Ou a coisa é GRÁTIS ou não é!
Até aí, tudo bem...
O meu desencanto começou quando fui buscar pelas localidade e me deparei com os comentários!
Ohhh gente, eu chorava de rir!
As descrições me remeteram, imediatamente, a cenas dignas de um Piscinão de Ramos, com todo o respeito! Ainda existe o piscinão, minha gente?
Pensando bem, no piscinão devia ser mais confortável, pois os ambulantes andam para atender os clientes, dando tudo na mão do freguês.
Um reclamava de filas para tudo, pra comer, pra entrar na sauna, pra pegar toalha, pagar.
O outro reclamava da super lotação na sauna. Pensem na cena...milhares de seres nus no estilo tudo junto e misturado, disputando seu lugar ao sol.
Uma senhora reclamou que na hora de pagar, enfrentou uma fila para sair daquele inferno e que ainda tinham cobrado coisas que ela nem usou.
E os que passaram fome porque a comida do restaurante acabou?
Outros que vieram da Bélgica buscando por sossego, passar um dia lá se lixando e se duchando ilimitado e saíram mais estressados do que entraram.
Então...isso foi o brinde que eu ganhei da loja...GRÁTIS! 
Alguém vai querer?
Quando holandês dizer que é grátis, abra o olho! 


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bem que eu tento...

Já faz é tempo que estou ensaiando para vir aqui, mas é sempre uma coisa e outra que se passa que me interrompe. Tenho todo o post mentalmente na minha cabeça, mas sentar e escrever é um outro ponto.
A última coisa que decidi fazer foi sair da minha zona de conforto. Dizem que a gente se acomoda né, e quando a gente não faz nada, vem o destino e apronta com a gente.
No meu caso, não esperei pelo destino e me lasquei do mesmo jeito.
A Holanda é o centro dos trabalhos voluntários, todo mundo aqui quer ser útil e já me questionei muito o quanto este povo é caridoso, só que não! rs
Eu já saquei muita coisa por aqui e, por isso, às vezes, reluto em ir atrás das coisas porque quase sempre é arranjar sarna pra se coçar, mas tá, vamos tentar, quem sabe a coisa mudou, tem tanta gente no mundo, algo há de sair como eu espero.
Resolvi que queria retomar meu estudos de holandês. Sabe aquele nível que não melhora? Você fala, mas sempre faltam as palavras, as expressões, o pulo do gato. Decidi que desta vez eu ía atrás, tomar uma atitude.
Aqui na cidade tem uma instituição de voluntários, denominados de taalcoach. Aliás, vocês já repararam que hoje tem coach em tudo quanto é esquina e pra tudo? Pra mim já avacalharam geral mesmo, esculhambaram com o psicológo, o pastor de igreja, o guru, o vidente, o professor, o orientador vocacional,  o padre...pra tudo hoje o coach resolve tudo. Ou quase tudo! rs
E eu topei com um voluntário que está trabalhando nesta área: é coach. Quando ele me falou, minhas anteninhas já ficaram ligadas. Mas tudo bem, ele não vindo pro meu lado. Tudo o que eu queria era que ele me ajudasse com a língua nativa dele e eu com o português, pois ele também tinha interesse no meu idioma. Achei ótimo. 
Fui conhecê-lo num lugar público e neutro. À primeira vista, fiquei bem contente. Senhor simpático, falante e me perguntou muitas coisas. Bom, normal, eu não tenho problemas em dizer o que fiz, no que trabalhei, o que estudei. Só achei estranho quando ele me perguntou seu eu tinha levado meu curriculum. Claro que não. Não estava indo para uma entrevista de emprego. Por que levaria um curriculum comigo? E foi só no final do papo que ele me contou o que fazia. E, claro, me recomendou que eu enviasse meu curriculum assim que possível.
Adendo 1: o taalcoach vem na sua casa. Até nisso eu fui condecendente. Sabem por quê? Porque holandês nenhum deixa você entrar na casa dele, assim do nada. Então, por que raios eu tenho que deixar vir gente, que eu nunca vi, na minha casa? Não gosto disso. Mas... tudo bem, sirvo um café, umas bolachas e pronto, afinal a pessoa vem com a maior boa vontade, até a minha casa, me ensinar e eu nem preciso sair do conforto do meu lar. Resolvi ceder neste quesito.
Adendo 2: encontros das duplas (voluntário e estudante) numa noite de "kookavond".  Ou seja, você cozinha para os voluntários. Meu...eu já cozinnho todos os dias na minha casa e quando rola uma baladinha eu tenho que ir cozinhar para outros? Por que não irmos todos para um restaurante, eu até pago a parte do voluntário se for o caso, em agradecimento! Mas tudo bem, resolvi ser flexível neste ponto.
Adendo 3: eu também fui convidada a trabalhar voluntariamente com a organização. Olha que legal, para ganhar salário eu não sirvo, mas para trabalhar de graça eu tenho competência! Até isso me animei a fazer.
Ficou tudo combinado. Ele me enviaria uma confirmação apenas do horário.
No final da tarde já recebi o email, tudo bem rápido. Mas o conteúdo da mensagem não me agradou. Algo ali tinha um teor que me deixou em estado de alerta.
Veio com um papo de que ía investir o tempo dele para trabalhar na minha apresentação pessoal e na busca de trabalho.
Para tudo! Eu não pedi nada disso. Para tudo de novo! Como assim ele decide uma coisa e pronto?
E incluiu a mulher dele no meio, pois ela somaria muitos aos nossos encontros semanais e ela poderia significar muito para mim. Hummm, cuma? Não chamei ela pra vir na minha casa. Quem falou que eu quero que ela signifique algo para mim?
Esperei marido chegar, porque sabe como é: ler em um outro idioma pode trazer alguma interpretação equivocada e como o marido é gente que nem eles rs de repente ele poderia entender de uma forma melhor.  O taalcoach de repente só queria fazer amigos, me dar uma dicas aí e eu levando tudo a ferro e fogo.
Pois bem, marido leu e aí o caldo entornou pro meu lado!
Ele já entendeu que eu já tinha combinado que o cara ía ser meu coach pra toda uma vida, que a mulher dele ía me catequizar e que no final do mês a gente ía receber uma bela fatura dos serviços prestados pelo coach à minha pessoa.
E quando eu vi, eu estava me justificando pro meu marido, que não era nada daquilo do que ele estava pensando! hahaha E eu me senti uma idiota.

Coach fdp!
Aí o meu sangue subiu pro olhos e disparei, no meu melhor holandês, uma mensagem direta e reta.
Perguntei ao senhor simpático se ele estava me oferecendo seus serviços profissionais de coach. Esclareci que eu não queria treinamento, coaching, conselhos, simpatias, nada para o meu setor profissional e que quando procurei pelos voluntários foi com o único objetivo de melhorar meu holandês e de ajudá-lo com o português, e que tudo isso era gratuito, trabalho voluntário. E que aquela mensagem me fazia entender algo além do combinado.
E aí? O que todo holandês faz quando é confrontado? Sai pela tangente.
Respondeu que tudo não passou de um mal entendido e ainda continuou a afirmar que a mulher deles significaria muito para mim.
Depois deste aborrecimento e com os meus dois pés atrás, pensando que eu corria o risco de me meter com gente chata, intrometida, que perderia o meu sossego, minha privacidade, eu cancelei tudo numa mensagem, que tinha todo o assunto discutido com ele, para a instituição de voluntários. 
Seria ele, na pele de voluntário, a querer engabelar seus alunos e oferecer seus serviços? Ou a instituição ganha uns trocos promovendo estes "encontros"usando o idioma holandês como isca?
Só sei que não veio uma resposta, nem do taalcoach e muito menos da instituição organizadora dos voluntários.
E eu sigo na minha zona de conforto, obrigada! E obedeci a minha mãe que nunca dá palpites, mas quando eu contei para ela o que estava acontecendo ela foi a primeira e categórica no: CAIA FORA!
Desobedecer mamys...noooit!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Consciência

O nosso amigo espanhol também esteve no Brasil, só que a trabalho. A gente até tentou um encontro mas nos desencontramos.
Uma semana ele ficou em São Paulo.
A minha amiga, esposa dele, que ficou na Espanha, começou, meio ressabiada, um assunto, que ele comentou com ela e ela o criticou e queria saber da minha opinião, afinal eu também tinha estado no Brasil.
Ele, lá numa praça de alimentação de um shopping qualquer, resolveu dar uma ligadinha pra saber se estava tudo bem em casa. Aí ele fez a observação de que parecia que estava nos Estados Unidos. Ela pergunta, né, porque ele falava daquele jeito. Como assim que parecia que estava nos Estados Unidos???? Daí ele diz que estava horrorizado porque ele nunca tinha visto tanta gente gorda na vida dele.
Olha, gente...e ele tinha razão.
Não é gordinho(a), não! É gente obesa, quadrada. Adultos, crianças.
A gente se assustou muito mesmo. A maioria, infelizmente, de mulheres. Não que pra homem seja bom, mas pô, mulher, né? Eu acho que é muito sofrido muito mais para as mulheres.
O brasileiro em geral tá obeso, sim.
Aliás, também tomei um susto com duas amigas. Quase não reconheço quando uma delas surgiu na minha frente. Meu irmão também não fica atrás. Está gordo!
Não é no sentido de deboche , não. Isso é alarmante. Estas pessoas vão desenvolver sérias doenças. Teremos uma país doente e, o pior, sem estrutura para tratar estas pessoas.
Mas isso é alimentação. Brasileiro come mal... come muito errado. Muita massa, muita carne, gordura, pizza, churrasco, cerveja...doces...
Observei mesmo isso em casa, com meus pais. Eles comem errado. Já não sei se é mania, vício, teimosia. Uma vida com padrões errados.
Também, vai fazer uma compra! Tudo pela hora da morte, caro. Verduras e legumes, um absurdo e qualidade nenhuma. Mesmo pagando por qualidade, ela passa longe.
Enfim, gente...é preciso cuidado, atenção, manutenção e ficar de olho mesmo na alimentação.
Ninguém tem que ser modelo, top model, mas ser obeso, quadrado, que mal consegue ficar em pé e andar, também não dá!
E, people, calça legging não é calça cumprida, tá?!?! É pra usar com uma blusinha comprida, um vestinho curtinho, lá na altura das coxas...mas curto que isso, não dá, não pode!!!! Devia ter multa! rs
Pronto, falei!
Só não posto imagens porque pode ter criança "assistindo"rs

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Oh só, como são as coisas


 Eu fiquei com esta história pra contar porque, em paralelo, soube de uma outra e, não tem como, é inevitável, a gente faz uma comparação.
Já faz tempo me deparei com um texto que "aconselhava" os seus leitores de como ficar rico. Uma dica era agir como os ricos. Entendi depois, comparando as situações abaixo.
Pois bem, deixa eu contar as parábolas da vida aqui na Holanda.
Gente que quer ostentar sem poder, tem aqui também! Tem holandês rico, tem holandês classe média, tem o holandês mais pobrezinho, tem!
Tem uns conhecidos que, uns tempos atrás, junto com a crise, entraram em epóca de vacas magras.
Aí, em vez de mudar o padrão de vida, economizar, ter uma casa mais simples, trocar o carrão por um modelo mais barato, porque chegou até no ponto de quase faltar comida na mesa, de quase ter a casa leiloada, do chefe da família não ter emprego e da esposa dizer que ter que ir trabalhar seria muita humilhação, os fulanos continuam mantendo a classe, todo mundo muito bem vestido, celulares pra família toda top de linha e aparatos diversos, viajando nas férias...Preocupação...não está no dicionário deles. A preocupação é dos amigos, que trabalham, vivem de acordo com a realidade, com tudo programado e ainda tem que socorrer os fulanos quando a coisa aperta pra valer.
E o que eu tenho com isso? Nada, porém continuemos...
Aí,lá no casamento do primo, aconteceu uma coisa muito interessante que me fez lembrar destes conhecidos cheios de pompa e glamour, imediatamente.
Titio que, digamos assim, é um homem bem sucedido na vida, estava meio incomodado porque não encontrou lugar "grátis"para estacionar o carro perto do restaurante. Aliás, ele perguntou a Fofis onde tínhamos estacionado o carro. Claro que a gente estacionou num lugar "grátis".
A gente lá, todo mundo à mesa, comendo, hora do almoço, caindo uma chuva chata lá fora. De repente, ele escuta que estacionar na frente do restaurante era grátis.
Ele não teve dúvida, levantou-se e saiu mais do que depressa.
Voltou todo feliz, pois tinha desocupado uma vaga bem na frente do restaurante e ele conseguiu colocar o carro dele na vaga grátis!
Só digo uma coisa, gente...não ía fazer diferença pra ele pagar por um mês se fosse preciso deixar o carro na vaga paga.
O pessoal rindo da façanha dele... titia meio sem graça com ele.
Olhei pro Fofis e rimos, porque eu me lembrei da situação destes conhecidos que contei acima.
Me lembrei do texto que tinha lido e entendi nesta hora do "porquê do imitar os ricos".
Quando eu crescer, quero ser igual ao titio! rs

terça-feira, 20 de maio de 2014

Um fraque e várias calças coloridas

Então, eu disse que nós íamos ter mais eventos familiares e tivemos.
Um foi a formatura, se assim posso dizer, do primo que recebeu o título de doutor.
Ele já havia nos convidado antes, na época do bacharelado. E, aos 30 aninhos, concluiu seu doutorado.
No Brasil, eu não tenho idéia de como é que a pessoa "vira doutor". Meu irmão recebeu o título dele e nós mal ficamos sabemos das coisas, na época. 
Aqui gente, parece até um casamento, uma audiência num fórum. É muita formalidade!
Estivemos na Universidade de Twente, em Enschede.
Aliás, fazia tempo que eu não punha os pés num campus. Ahhhh que delícia andar por entre os prédios e sentir a atmosfera, ver os estudantes. Eu acho que todo mundo tinha que ter a oportunidade de vivenciar uma vida acadêmica, não por um título, mas por tudo que se vivencia neste meio.
Chegamos em cima da hora, para variar, e tinha lugares reservados para os familiares na primeira fila do auditório.
Ele usava um fraque! Fiquei de queixo caído! rs Seus dois paraninfos foram o futuro sogro e o seu melhor amigo da época de faculdade, cada um no seu fraque engomado.
Ele fez uma pequena introdução sobre o seu trabalho, explicando e exemplificando para os leigos do que se tratava a sua tese.
Depois disso, entrou a comissão de doutores, precedida de uma senhora que trazia um bastão todo caracterizado, maior que ela. Depois que todos tomaram seus lugares na bancada, ela bateu o bastão no chão, marcando o início da "defesa". E, nós também tivemos que ficar de pé.  Os doutores usavam uma beca super chique com babados e um tipo de boina que era usada na hora que cada um tinha a palavra.
Primo dominou tudo direitinho e quando ele ainda discursava sobre uma questão, o tempo já havia se esgostado e a senhora, novamente, entrou no recinto, bateu com o bastão no chão e disse que o tempo havia terminado. Era a hora da decisão.
Todo mundo ficou em pé de novo. Os doutores da bancada se retiraram e regressaram uns 15 minutos depois para nomeá-lo doutor e cumprimentá-lo.
De lá, seguimos para uma pequena recepção. Cumprimentos, entrega de presentes, galera se beijando e se abraçando. Conhecemos a noiva dele. E como ela estava ao lado dele o tempo todo, parecia que era um casamento. rs
Depois da recepção, seguimos todos para um restaurante vegetariano, rs, maravilhoso e lá os pais e os colegas discursaram, fizeram apresentação de fotos... foi super divertido porque demos muita risada.
Sem contar que a prima se sentou conosco e conversamos muito com ela também... foi bem agradável.
E marido ainda estava com uma certa preguiça de ir... imagina perder um acontecimento assim... não é todo dia que alguém vira doutor assim na família, não! E valeu a pena, mesmo porque o primo é da mesma área profissional que marido...ou seja, marido acabou curtindo muito na hora da parte técnica da defesa da tese!

Agora, vamos falar das calças coloridas, que só as mulheres holandesas sabem usar e fazer combinações "maravilhosas" como ninguém! rs
Foi aniversário de cunhado. Festa surpresa... bar reservado, festa fechada e sem comida pra variar! Depois das oito da noite, people, é só chips e minduins! rs Ahhh tá, tinha até uns nuggets lá, uns bolinhos de carne, mas foi só uma bandeja!
Foi engraçado porque o cunhado ficou meio paralisado. Os sobrinhos também foram e eles ficaram mais surpresos do que o pai. Eu achei o máximo o entusiasmo deles.
Aí aquele povo todo - se conhecem desde o berçário - que eu não sei o nome de ninguém e as "amigas". Uma até me cumprimentou desta vez com beijinhos! Oh o progresso.
Ficamos com os sogros. Marido só cumprimentou "os amigos"  e nem dava para conversar direito porque a música estava muito alta. Ele desistiu.
Aí, né, eu começo a olhar em volta e percebo que todas elas usam calças coloridas: verde, rosa, dourada, amarela..., blazers e botinhas! rs Sabe comissão de frente de escola de samba?!?!? 


 Tinha uma com esta marrom (dourada?) metalizada aqui



Eu comecei a rir sozinha quando fiz esta associação. Sem contar que fica meio "cocota". Eu vejo muita mocinha, linda, loira e de corpão de modelo andando por aqui deste jeito. 


Agora, pra tias que já tão dobrando os 40 anos - olha só quem está falando - de cara lavada ainda por cima, sem um batonzinho...sei lá...e todas elas vestidas iguais no mesmo lugar! hahaha E as botinhas até a canela, também coloridas.

Aí, resolvi ir até o bar pegar bebida pros sogros, marido e, quando me dou conta vejo três delas me olhando! Olhando mesmo, me medindo dos pés à cabeça. 
Eu usava um jeans escuro, um sapatinho preto de salto e uma blusinha (tipo camiseta) verde escuro. Tinha feito escova, uma maquiagenzinha leve... afinal né...uma baladinha, numa sexta à noite...até que estava ajeitadinha, vai! rs
Esperei a moça do bar voltar, pedi as minhas bebidas, olhei pra elas e as cumprimentei com um leve sorriso. Voltei pra mesa e contei ao marido. Ele riu.
Fiquei me perguntando, o que será que se passava na cabeça delas?
Será que é algo do tipo: o que será que esta brasileira tem que nós não temos?!?!
Eu acho engraçado... porque chegar e tentar conversar ninguém tenta. Mal te cumprimentam, mas estão ali, de butuca, te olhando! Isso falando das holandesas...porque os rapazes, quase todos eles me chamam pelo nome e eu nunca guardo os nomes deles e me cumprimentam, amigavelmente, numa boa! rs

E, assim, por hora, se encerram as festividades!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Solteiro ou casado?


Uma amiga lá no Brasil me contou, numa ocasião, sobre um grupo de pessoas que ela recepcionou na empresa onde ela trabalhava.
Por coincidência, tinha um holandês no grupo. E ela, solteira, meio que se encantou pelo rapaz, ainda mais porque não viu nenhum sinal de impedimento: uma aliança.
Bom, mas como era um ambiente extremamente profissional e, realmente ficou só nisso, ela não teve oportunidade de maior aproximação informal. Enfim, ela só ficou no encantamento, mesmo.
Daí eu disse a ela que o fato dele não usar uma aliança, não significava que ele fosse livre, leve e solto. O moço bem podia ser casado, há anos, e já ter uma penca de bacuris! Ela riu e se admirou.
Não sei se é o caso só da Holanda - acredito que não mesmo. A aliança já deixou de ser um acessório primordial na vida de muitos casais.
Tem gente que usa, tem gente que não usa.
No Brasil, apareceu até a tal da aliança de prata, na mão direita, que significava que a pessoa tinha um compromisso com outro alguém - confesso até que achava meio breguinha. A aliança de ouro na mão direita, noivado, na mão esquerda, casado.
Aqui na Holanda, parece que tanto faz. 
Uma aliança na mão direita ou esquerda, significa a mesma coisa: casamento.
Mas aí, conversando com outros casais, veio mais uma explicação: que aliança na mão direita significa que você se casou apenas no civil e a aliança na mão esquerda, significa que você se casou também no religioso. Interessante, né?
Porém, como muita gente tem a cultura brasileira e, também, se casou eventualmente"na igreja", acaba usando a aliança na mão esquerda mesmo.
Agora, como muita gente só mora junto e não é oficialmente casado, ninguém usa aliança. Ou até a usa, por um simbolismo mesmo do casal.
Fato que, se o povo não usa aliança, fica praticamente impossível saber se a pessoa tem algum tipo de relação, se é casado ou solteiro.
Acho muito engraçado, porque já começa pelos casais de namorados ou casados que não parecem casais. Afinal, demonstrações de afeto em público são bem contidas e é muito difícil ver um casal de mãos dadas por aqui.
Não que a aliança seja um sinal de impedimento, porque diz o marido de uma amiga, que é até pior usar uma, que atrai. rs
Outros não estão nem aí mesmo, com ou sem aliança... tanto faz.
Vai ter que ser na raça...perguntando mesmo:
_Você tem namorada, casado ou tico tico no fubá? rs

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

É, aqui tem disso...

Aconteceu uma coisa estes dias que ganhou a mídia aqui na Holanda.
Pois é, todo mundo - quem não mora aqui - e tem uma visão totalmente diferente do que é o país, acha que certas coisas aqui não acontecem.
Marido me disse uma vez que eu mostrei a ele uma Holanda que ele nunca imaginou que pudesse existir.
Não quero ser aquela que vai bater na mesma tecla, mas a Holanda não é um país onde se pode tudo, como muitos pensam. É um país que tolera e que aceita, dentro de limites impostos por leis, certas coisas que outros países ainda não sabem como administrar. É essa a diferença da Holanda com muitos outros países no mundo. E só.
De resto, tem tudo... em maior ou menor proporção, mas tem!
E não me espantou o fato de um rapaz ser rejeitado para uma vaga de emprego por ser negro, além de outras observações feitas pelo seu entrevistador.
O entrevistador se reportou, através de e-mail, ao seu superior para posicioná-lo a respeito da entrevista e sobre o candidato, com as seguintes palavras:



"Dando uma olhada, é nada.
Primeiro que é de cor escura (negro).
E no seu CV consta pouca ou quase nenhuma experiência com computadores."


Só que o e-mail não foi para o superior e sim para o candidato!
Olha a m%rd@ feita!
Aí eu imagino a cena de quando pegam meu CV... "estrangeira".
Ok, eu sei de muita gente que não teve problemas com este fato, mas tem tantas outras que passam apuros pelo simples fato de serem estrangeiras.
Eu sei que isso sempre existiu, mas confesso que, neste caso, assim, exposto a olhos nus...bem assim na cara da sociedade holandesa...
Por um lado foi "bem feito, Holanda... mostra a sua cara!" Por outro, dói e muito saber que estas coisas acontecem... ainda acontecem.