A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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sábado, 21 de novembro de 2020

Blá blá blá blá

Já fiz a janta bem cedo hoje e estou com um bolo de maçã, canela e banana no forno. O perfume já tomou conta da casa.

A vizinha bateu aqui para entregar um pedaço de pizza que ela mesmo fez. Parece mas as tábuas dos Dez Mandamentos que Deus entregou pra Moisés. O negócio é duro feito pedra. Eu não como. Ainda mais que eu já falei da minha intolerância ao glúten, mas ela manda para o meu marido. Ela é italiana. Não sabe cozinhar nada. Bateu aqui outro dia me pedindo uma receita fácil e gostosa para fazer quando a sogra viesse tomar conta dos netos. Inclusive ela foi diagnosticada, há quase um ano atrás, com anemia profunda. Acho que não preciso dizer mais nada, não é? A mulher passa fome pra não ir pra cozinha. E tem filhos, hein, que pelo que vejo, passam fome junto. 

Dia desses, o menino chegou branco e nervoso da escola e queria saber o que ia ter para comer. Ela riu. Eu escutei o estômago dela roncando. Olha que absurdo!

Tem gente que diz que eu gosto de cozinhar. Eu gosto é de comer. Porém para realizar a ação "comer", eu tenho que fazer. E eu gosto de variar, gosto de novos sabores. Não gosto de receitas complicadas. Ai, gente, e tem tantas receitas boas na internet, basta um pouco de boa vontade.

Outro dia falei com outro ser que diz que não aguenta mais comer tal comida, que quer a nossa comidinha brasileira. Ué...faça! 

Hoje em dia, nos supermercados, tudo está globalizado. Basta procurar. Quem procura, acha e cozinha e come! Oras oras...

Aqui seguimos na quarentena...restaurantes e bares fechados. Visitas não são recomendadas, grupos na rua também não. Já deu uma melhorada...porém já se falam na terceira onda de COVID para a segunda semana de janeiro de 2021. Por que será?

Logo teremos as férias entre Natal e Ano Novo e já foi "implorado" para as pessoas não irem para outros países...vamos ver, né...

Eu volto...prometo!

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Boletim Corona vírus 5


Talvez eu seja pessimista. Ou não. Talvez realista?
Existe um povo aí que já relaxou geral só porque os filhos voltaram às aulas na semana passada. Eu queria era entender o raciocínio, juro.
Ninguém disse que o vírus sumiu. 
Aqui na Holanda, a situação está sob controle. O sistema não colapsou, está dando conta da demanda. O número de pessoas doentes e mortos diminuiram. Diminuiram justamente por conta do isolamento social, do fechamento das escolas, de lojas, de bares e restaurante, cinemas, teatro...etc etc etc 
Ninguém foi proibido de sair de casa...
Nós aqui não fomos na casa de ninguém e mal saímos de casa. Só por necessidade de supermercado.
Uns e outros ainda levaram a vida como antes. Vi vizinhos recebendo visitas, dando festinhas de aniversário e soltando a criançada na rua pra brincar nos dias de sol.
A volta às aulas é um teste. Ninguém voltou ao ritmo normal de aulas. Turmas foram divididas e tem criança indo apenas uma ou duas vezes na semana para a escola.
Alguns serviços também voltaram como cabeleleiros.
Mas alguém disse que o vírus sumiu???? Não, né!
E aí é que está o perigo. 
As pessoas que podem, ainda estão orientadas a trabalhar de casa e qualquer sintoma de gripe, resfriado, febre, tosse, as pessoas devem ficar em casa. 
Eu precisava ir buscar uns medicamentos na farmárcia. Recebi um email que caso eu estivesse espirrando, tossindo ou qualquer outro sintoma, eu deveria telefonar para eles agendarem a entrega aqui em casa. Tudo para eu não sair de casa, tudo para eu não aparecer na farmácia e colocar em risco quem está trabalhando.
Agora, teve vizinho aqui na rua que passou estes dois meses trancafiado em casa. Nem os filhos saíram brincar na rua. Não abriram janelas e nem as cortinas. Neste fim de semana, recebeu uma penca de gente em casa.
A minha vizinha de porta, estava toda feliz e saltitante. Recebeu visitas também.
Pessoas não estão respeitando mais o distanciamento de 1,5 m em lojas e supermercados.
O fato dos filhos poderem ir para as escolas, não significa que tudo voltou ao normal e tudo será igual. NÃO! O vírus tá aí.
Tem gente que acha que com o calor, o vírus vai sumir. Aliás, já acha que o vírus "deu uma sumida" porque os números estão diminuindo, como disse acima.
Eu não sei se são otimistas demais, burras demais, inocentes demais ou sou eu, a grande pessimista.
E eu não estou a fim de pegar nem a versão mais leve.
Já tá cheio de gente aqui que teve a versão "leve" do vírus, se tratou em casa, foi até medicado, porém não conseguiu se recuperar totalmente depois de semanas...tem os sintomas que vão e vem. Vezes mais fortes, vezes mais amenos.
Imagina, que um amigo nosso queria até vir aqui em casa. Eu disse que não. Imagina, a gente aqui, tomando todos os cuidados...e, por um azar, somos contaminados por um encontro inocente entre amigos?
É, gente...devagar com o andor que o santo é de barro...

terça-feira, 20 de agosto de 2019

O que os pais não revelam sobre os filhos deles e você descobre depois

Resultado de imagem para criança fazendo cocô

Senta que lá vem história...
Mesmo eu dando aquele basta no vizinho mais que folgado, que batia aqui direto para pedir favorzinhos para eu ajudar com os filhos, ele veio aqui de novo, me fazer uma proposta indecente.
Em junho eu fiquei durante as três primeiras semanas com os filhos dos vizinhos. Eram apenas dois dias na semana, suficientes para eu fazer toda uma análise.
Uma coisa eu vou deixar claro: eu NUNCA me ofereci como babá, nunca me ofereci para tomar conta de crianças nem por camaradagem porque eu sei que vira abuso. Eu mesma nem filhos tenho. No entanto, como ele disse que não tinha mais para quem pedir, ele veio falar comigo porque ele sabe que as crianças me adoram. (Golpe emocional...porque não queria pagar mesmo alguém ou uma creche que tem um valor muito maior do que eles me ofereceram, aliás, nem me pagando o valor real eu teria interesse)
A senhora que cuida das crianças estava impossibilitada de vir e teria que ficar um tempo afastada.
Enfim, não custava ajudar. Aceitei a parada.
A menina já tem sete anos. Na primeira semana, correu tudo bem. Eu tinha que buscá-la na escola e levá-la pra aula de dança. Não precisava ir buscar da dança. O que, na segunda semana, isso mudou. Já me pediram para ir buscar a menina e ficar com ela até que uns dos pais chegasse.
No primeiro dia com o menino, que era o dia todo, foi meio chato. Ele não queria dormir e me chutou na hora de trocar a fralda. E eu tinha que ir buscar a menina na escola também e ficar com eles o dia todo. Eram dez horas initerruptas de trabalho. Era o dia mais cansativo.
Comecei a analisar que lógico que a mãe preferia ir trabalhar mesmo. Aliás, não sei porquê ela resolveu ter filhos. O perfil dela é o da mulher de carreira. O trabalho sempre em primeiro lugar. Filho doente não amolece o coração dela, não. Viaja, sai em fim de semana sozinha....filhos? Ficam com a avó, com o marido, comigo, com quem ela conseguir arranjar.
Segunda semana com a menina...ela já não me ouvia muito bem. A sacola dela com a roupa da dança não estava pronta conforme os pais me prometeram que estaria. Ela me mandou procurar a sacola como se falasse com uma serviçal. Oi? 
E me perguntei: o que estou fazendo mesmo tomando conta destas crianças????
No segundo dia, da segunda semana, o menino de novo fez birra no parque. Eu olhei bem para a cara dele e disse que se ele não parasse com o show, eu iria deixá-lo ali sozinho e iria embora. Ele parou na hora...não quis correr o risco. Drama na hora de colocar para dormir o sono da tarde.
A menina foi para um aniversário e eu não precisei buscá-la na escola.
Terceira semana...primeiro dia com a menina. A criatura saiu da escola com uma cara de horrores. Me ignorou. Não trocou uma palavra comigo, enrolou para pegar a bicicleta e eu a chamando pois o tempo era curto entre a saída da escola e a aula de dança.
Em casa para pegar a sacola, ela resolveu que queria jogar no telefone. Perguntei se ela queria ficar em casa. Ela respondeu, grossamente com o diabo no corpo, que não, que iria pra aula de dança. Eu apenas disse para ela se apressar pois ela já devia saber do tempo restrito. Tensão!
Chegando na escola de dança, todo mundo do lado de fora. A escola estava fechada. Ela me olhou e ordenou que eu fosse embora, que não precisava ficar lá e se esquivou de mim. Eu disse que eu não a deixaria sozinha enquanto a escola não fosse aberta. Ela fechou a cara e saiu de perto de mim. Eu fui atrás dela e disse que ela não precisava ser grossa daquele jeito e eu era responsável por ela e se ela não tivesse aula, teria que voltar para casa. E nestas, todos os outros pais olhando para a minha cara, afinal nunca ninguém tinha me visto com a menina. Devem ter pensado que a bruxa aqui estava maltratando a doce e pequena criança. Foi constrangedor.
Apareceu alguém, abriram a escola e ela entrou. Depois voltei para buscar e a menina seguia mal humorada.
No final do dia, eu dei o meu veredito. O pai chegou para buscá-la e eu avisei que eu não iria mais buscar e nem levar na aula de dança.
O pai tentou argumentar, desesperadamente, dizendo que ela era assim mesmo, alguns dias fáceis outros difíceis. Que era o mesmo com a babá, com a avó, com ele. Pensei: se eles aceitam esta apurrinhação, eu não. Não sou babá e nem parente. Primeiro que eu simplesmente NÃO PRECISO passar por isso. Segundo que,quando eu pensava no valor que me pagavam...o mínimo do mínimo, eu já me achava uma trouxa. 
E daí eu me interessei em pesquisar sobre este universo maravilhoso de tomar conta de crianças.
Encontrei um site só sobre oppas, nanny, gastouders, aupair. Para cada modalidade é um tipo de atividade e um valor. Me dei conta que minha função era a de nanny e eles trataram tudo como oppas, naturalmente, banalizando e baratizando a situação. Claro, eles mesmos não ficam com os filhos...filhos é que nem compromisso social: férias, sair para passear, participar das festinhas na escola... dia a dia mesmo, eles nem sabem o que os filhos fazem. Chegam no final do dia, dão a janta e colocam para dormir. Finito.
A mãe também tentou argumentar, de noite, quando chegou do trabalho e contou que conseguiram descobrir que a menina brigou na escola e por isso estava com o "diabo no corpo". Que o problema não era comigo.
Eu continuei firme na minha decisão e não voltei atrás e falei que ajudei até onde pude, que eu mesma nem filhos tenho e foi uma escolha consciente. Tipo, não vou cuidar dos filhos dos outros.
É muita responsabilidade. Eu já estava ensinando bons modos à menina que já está bem grandinha para sentar de pernas abertas usando vestido. Me chamem de careta. Precebi que a menina é safadinha. Na frente dos pais, uma coisa, por trás outra. É...complicado e resolvi cair fora antes que eu pudesse me dar mal.
Cheguei até a emagrecer de ficar pra cima e pra baixo!
E no último dia, o golpe final. 
Depois de ficar de vai e vem, buscando a menina da escola, levando pra visitar a babá e depois bucar de novo e, junto o menino no carrinho, os levei brincar no parque.
Tudo tranquilo até que a menina chegou dizendo que queria fazer cocô. COCÔ!
Ohhh céus...vamos para a casa. Ela disse que não daria tempo. Abaixou as calças e fez ali mesmo, no meio do parque como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Não, eu não podia acreditar!!! É assim mesmo? Será que eu tinha que recolher o cocô dela que nem se faz com cachorro? Pode isso, Bial????? 
Será que eu tinha que ter perguntado aos pais? Sua filha faz cocô em qualquer lugar ou ela prefere o banheiro? Qual o horário?
Olha...ainda bem que foi o último dia!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A folga do vizinho mais que folgado

Então, cá estou eu de volta. 
Deixa eu contar uma ladainha que tem acontecido todas às segundas feiras. É alguma série na TV? Não. É novela, não...é um drama mesmo. É uma situação que me consome, porque eu sei que é um abuso, não é normal. Têm me irritado há tempos e tirado a minha energia emocional.
Sabe, eu não me nego a colaborar, porém quando começa a passar de um certo limite para o abuso, aí eu não quero mais saber de conversa.
O vizinho, marido da vizinha folgada. Tá, eu sei, eles são gente boa. São simpáticos, estão sempre mostrando interesse na gente, convidam para os aniversários dos filhos. Às vezes, eu tomo um café com ela e ok...é assim.
Eles me pedem para ajudar com as crianças, ajudo.
Outro dia perderam a menina na excursão da escola. A avó - que não fala holandês e nem inglês e nem português - ía buscar a menina. Eu fui junto porque ela me pediu, pois ela não estava certa do local de desembarque das crianças. Ok, fui. Nada da excursão chegar. Já estranhei que tinha ninguém no local. Pois bem...ligo para a mãe, que estava trabalhando, para dizer que a excursão não tinha chegado. Enfim, ela disse que não sabia de nada. Disse que iria tentar contato com outros pais. Me ligou de volta e disse que NINGUÉM sequer atendeu aos telefonemas dela. Lá fui eu pra escola. Felizmente, encontrei a menina lá. Quase quebrei o pau com a professora da menina, porque eu questionei o horário de chegada, o que tinha acontecido e aquele perrengue todo. Ela me disse que chegaram antes do horário previsto. Então deveriam ter ligado para avisar a mãe de que a menina estava na escola. Enfim, virei as costas e trouxe a menina de volta pra casa, sã e salva.
Mas voltando ao holandês, marido da vizinha.
Ele começou a vir aqui de segunda feira. Dizendo que o menino não tinha acordado e que ele precisava buscar a menina na escola. Pra eu ficar com o babyphone pois era coisa de quinzes minutos apenas.
Primeira vez, ok, segunda vez, ok, terceira vez, ok...e outras vezes, ok...só que eu me toquei de que não era um acaso de que o menino não acordava...não era uma situação imprevista. Ele sabia que o menino não ía acordar, porque ele trazia o menino da creche e o colocava para o sono da tarde uma hora mais tarde do que o menino estava acostumado. Óbvio que o menino iria dormir mais tempo e não estaria acordado para sair com o pai na hora de ir buscar a irmã na escola.
Aí eu conclui: ele está contando comigo para ajudá-lo no dia de folga dele. O que eu tenho a ver com isso? Eu não sou parente, não sou tia, não sou amiga...só vizinha. Por que ele acha que pode agora bater aqui toda seguda feira para me pedir favorzinho?
Semana passada, não abri a porta. Já pensei em sair de casa no horário que eu sei que ele vai bater aqui. Já pensei em me esconder no guarda roupas....PATÉTICO! Eu não devo nada a ninguém, muito menos a ele. Estou na minha casa, faço o que quero. Vou ter que me esquivar agora? Eu quero é que ele pare de vir aqui, pare de me solicitar para coisas que nada tenho a ver. Como se eu estivesse olhando para as paredes sem fazer nada da vida e que é um júbilo ele me dar a oportunidade de ficar com o babyphone do filho dele.
E hoje, a campainha tocou...e eu pensei: Vá lá e acabe com esta PALHAÇADA!
Abri a porta com cara de poucos amigos. Tipo, diga logo o que você quer.
_Você pode ficar com o menino mais tarde?
Eu:
_Você vai vir toda segunda feira aqui me pedir isso? Para tomar conta do menino?
Ele fez uma cara sem graça, gaguejou e continou:
_É, hum, eu tenho que levar a menina no médico mais tarde, por isso.
Eu:
_Ah, ok. NÃO, eu não posso ficar.
Ele fez uma cara de que não gostou, não. Deu tchau e se foi. 
Queimou créditos comigo pedindo ajuda em hora que não precisava. Não fiquei com dó, não. Se vira...quem pariu Mateus, que balance o berço.
Esta é boa, ainda faz cara de decepcionado.
Simplesmente não entra na minha cabeça que a pessoa não tenha um pingo de noção do que está fazendo. A gente não fica solicitando os outros de maneira fútil. Cada um com a sua vida, os seus compromissos. Lógico que numa situação de necessidade, ninguém se nega a ajudar. 
Queria ver se fosse o contrário. Queria ver se fosse eu batendo lá toda vez que ele está de folga em casa para pedir algum favor a ele. Com certeza ele ia me dar uma invertida daquelas de perder o rumo pra casa.
Espero que ele tenha entendido o recado.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Quando a saudade fica...

Lizzy quando queria colo
A gente só entende a relação de um animal e seu dono quando passa a ter um bichinho em casa.
Na verdade, ela não era nossa. A gente é que era dela.
Apareceu aqui, foi se enturmando e tomando conta do pedaço. Aliás, as duas! Sim, duas.
Mas a Lizzy era especial. 
Educada, sensata, tranquila, inteligente...uma lady! Tinha senso de humor e, quando podia, achava o travesseiro para se aninhar e dormir na nossa cama. Engraçada era a cara que ela fazia quando eu a descobria. Porém, como ela fazia isso muito de vez em quando, eu deixava a travessura acontecer. 
Ela tinha a casa dela, mas sabia se dividir entre os dois lares. Tinha seus horários, sempre pontual. Seus hábitos eram também bem definidos.
Eu sou meio "Felícia" e ela não gostava muito de amassos, não. Me ignorava. Mas era perfumada e macia a criatura! - E a ironia do destino: a minha alergia a gatos. Eu espirrava quando ela aparecia toda asseada e perfumada! -  E só quando ela queria, ela nos dava a honra de ficar no nosso colo.
Fomos nós que percebemos que algo não ía bem com ela. Apesar de seus dez anos, era cheia de energia e parecia uma gatinha novinha. Avisamos os donos que levaram ao veterinário. Acho que o diagnóstico foi equivocado. Foi tudo rápido.
No dia que ela partiu, nós conseguimos vê-la e ficar com ela. De noite, a "dona" dela veio nos avisar que ela tinha partido, há uma semana atrás.
Os humanos se decepcionam fácil uns com os outros... agora com os animais, a gente se surpreende.
Lizzy... o nosso amor e o nosso respeito. Que bom que você foi a nossa companheirinha e alegrou a nossa vida mesmo que tão brevemente. 💓😻

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A campainha

Pode parecer um comportamento totalmente antisocial e é mesmo: desligamos a nossa campainha.
Sabe, estava demais.
Outro dia cheguei a receber três pacotes, de uma vez, para diferentes vizinhos.
Já contei aqui a minha saga com certos entregadores.
A gente pensa no coitado do entregador, dele ter que voltar para fazer nova tentativa de entrega. Na camaradagem de receber um pacote para o seu vizinho e ver que cara ele tem quando vem buscar o seu pacote.
Mas eu me enchi. Não sou ponto de distribuição, não tenho nada a ver com o trabalho do entregador. A missão é dele e não minha.
A gota d'água se deu numa manhã, quando fazia o meu café. Eu prontinha, sossegada, louca para desfrutar do meu café da manhã quando toca a campainha. E sabe quando a campainha toca nervosa? - vocês já analisaram o toque da campainha, a intensidade quando é uma pessoa ou outra? Pois eu, sim! - e nervosa fiquei eu. 
E era o entregador para os meus vizinhos de porta. O detalhe é que os vizinhos estavam em casa. Aí eu me pergunto que se eles lá, que fizeram a compra, sabem que receberão um pacote, não estão nem aí, porque eu tenho que estar? Claro, eles sabem que o pacote vem parar aqui comigo. Muito cômodo. Me fiz de morta. Não abri. Não recebi pacote algum! E senti o gostinho prazeroso de ir à forra.
Para quê eu tenho que abrir a porta se não é assunto do meu interesse? E já viu campainha tocar numa hora boa? Não, é sempre numa hora imprópria! Sobe uma irritação.
E vocês pensam que o pessoal aqui abre a porta? Abre nada. Já reparei nisso. Ninguém tá nem aí.
Mas... justamente a vizinha folgada...bateu aqui...percebeu que a campainha não estava funcionando e me ligou no celular. De fato tínhamos saído.
Achei o cúmulo da insistência, pois não era nada de urgente. Ela apenas queria entregar uns pasteizinhos. Nessas horas eu penso: custa esperar a gente voltar e ver que estamos em casa? Eu não vou perseguir o meu vizinho porque ele não abriu a porta na hora que eu bati. Se queria entregar algo e não deu certo, azar o meu né e não o dela! Afinal ía sobrar mais pasteis para eles!
Eu sei, eu sei, ela só queria ser gentil, mas ligar no celular como quem precisa tirar o pai da forca...um pouco de exagero. Eu mesma já bati lá e ninguém veio abrir. Me descabelei, liguei atrás? Claro que não. Esperei por outra oportunidade.
Enfim...até segunda ordem, a campainha segue desligada.
Bom...agora entra uma semana de férias escolares...será uma semana tranquila para quem fica! Pelo menos, eu acho!
Boa férias para quem vai!

domingo, 1 de outubro de 2017

A vizinha


Bom, nem vou discutir aqui que eu não tenho amizades holandesas...não tenho e pronto...é assim. Culpa deles, não sei...culpa minha que não vai atrás? Sei lá. Já tentei.
Nossa, você vive a tantos anos aí na Holanda e não tem amigos holandeses? Não, não tenho!
Falo de amizade...que vai na casa, que combina um passeio, que conta alguma coisa, que desabafa...necas. Porque dizer "hallo"na rua, eles dizem para qualquer um. Te cumprimentam como se fossem seus melhores amigos e podem te contar a vida deles em cinco minutos. Apesar que tem uns que nem "hallo" dizem mais. Uns tipos que passam olhando pro chão, só para não te olhar.
Mas um dia, encontro uma das vizinhas, HOLANDESA, na rua. Ela me para e começa uma conversa e então ela diz que precisa ir ver a mãe, que é bem idosa e interna numa residência de idosos e emenda um "vamos tomar um café qualquer dia". Gente...eu juro que fiquei me perguntando se eu tinha entendido bem. Ela diz para eu bater qualquer hora na casa ela.
Aí esta semana, depois de duas semanas do nosso encontro, vi que ela estava em casa e fui lá, meio ressabiada. Como eu não queria fazer nada assim "na hora", perguntei se poderíamos tomar o tal café no dia seguinte e ela topou.
E ela veio. Me trouxe bulbos de jacinto que eu nem sei onde plantar, mas tudo bem. O que vale é a intenção.
E a primeira pergunta dela para a minha pessoa é o que eu faço fora de casa.
Gente, parece que você é obrigado a ter que participar de uma academia, de um clube, de uma quadrilha de bandidos, de uma igreja para ser alguém.
Parece que tudo gira numa troca de interesses. Deixa eu conhecer fulano, quem sabe ele pode me ser útil para alguma coisa.
Uma coisa que me esgotou é encontrar com gente que nada tem a ver comigo. NADA. Eu procuro sempre respeitar o jeito da pessoa, mas se a pessoa não considera o meu lado...tô fora.
E ela contando que frequenta academia, que paga tanto por mês, que pode fazer qualquer aula ou atividade antes das dezesseis horas, que encontra vários vizinhos lá, que tem sauna e que o mais legal é que o café, chá, energéticos e bolachinhas são à vontade e você faz contatos com as pessoas.
Para, né? Dizer que café e chá são à vontade, ilimitados e contato com pessoas ou com os vizinhos não irião nunca me convencer a frequentar uma academia...
Questionei esta parte do contato e amizade. Ela me olhou, como se me analizasse.
Eu disse que eu tenho e me ocupo bastante com as minhas poucas e fiéis amizades. Que mesmo determinados amigos estando tão longe fisicamente, nos fazemos presentes na vida uns dos outros e que eu não tenho necessidade de contatos.
Ela se calou. Falou do clube de horta do qual faz parte, dos jantares a cada duas semanas com o pessoal onde cada um faz a sua comida e leva pra comer no tal encontro. Fico me perguntando o que esta gente conversa hahaha sobre a colheita?
Enfim...ela foi simpática, amável para uma holandesa, que eu costumo dizer que se bastam a si mesmas rs...não...minha sogra e minhas cunhadas são tranquilas, mas é da família né, não conta.
Me emprestou um livro sobre Alzheimer e disse que quer que eu vá tomar café com ela na casa dela...
Acho que estamos progredindo! 
Veremos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

E no velório do sogro da vizinha

O pai do nosso vizinho e sogro daquela vizinha folgada mas que é gente boa, faleceu no final de abril.
Ele tinha 72 anos e creio que há um ano, ou nem isso, foi descoberto um cancer de pulmão.
Olha, triste viu, porque o senhor era um homem grandão, forte, bem disposto e cheio de vida pra curtir a vida boa que é estar na terceira idade por aqui, com uma boa aposentadoria. Infelizmente, não foi bem assim.
Nós recebemos o convite para o velório e a cerimônia. Devido a nossa pouca intimidade, decidimos ir apenas no velório que costuma ser de meia hora para cumprimentar a família. Bom, nós somos vizinhos. Vez ou outra a gente quebra o galho - mais nós, digá-se de passagem, os galhos deles rs - e ela me chama pra um café e vice versa. Às vezes, a gente troca uns quitutes...a menina dela AMOU o meu bolo formigueiro e eu tive que dar a receita. A menina não gosta de bolo, mas o meu...foi sucesso nas paradas.
Enfim, assim como nós, encontramos outros conhecidos dos vizinhos, que também decidiram ir nesta meia hora e devem ter pensado o mesmo que nós.
A cerimônia toda também foi bem no meio do dia, no dia seguinte, ou seja, para quem não é parente ou amigo próximo, não dava.
O velório costuma ser no início da noite, num horário em que as pessoas podem comparecer. Serviram café e chá num salão bem grande para quem quisesse ficar mais um pouco.
Tinha muita gente, pois eles são família antiga de um vilarejo e todo mundo se conhece. Havia, então, uma fila bem grande e esperamos, pelo menos, quinze minutos para entrar, passar pelo caixão fechado cercado por coroas de flores e depois, chegar nos familiares.
E é, aí, na chegada aos familiares que é a parte mais sensível.
Nós conhecemos a família, entre outras pessoas, no aniversário da filha dos nossos vizinhos. E só. 
A primeira pessoa era a esposa, a mãe do nosso vizinho. Ela estava muito emocionada e abriu um sorriso simpático quando me viu e agradeceu a nossa presença.
Em seguida a filha mais velha, o marido e os filhos deles, ou seja, os netos.
Depois estava o nosso vizinho e a vizinha.
Apenas estendi a mão, num cumprimento no maior estilo holandês e ele se inclinou, encheu os olhos de lágrimas e me abraçou. Eu fiquei naquele momento meio surpresa. Não esperava isso.
E quando cheguei na minha vizinha, ela também, se debulhou em lágrima e me abraçou. Nisso, eu parei a fila para consolá-los. E danou-se todo o protocolo holandês.
E, quando nos encaminhávamos para o salão do café, na fila ainda para os cumprimentos, me deparei com uma senhora holandesa que conheci na casa dos vizinhos. A cumprimentei e segui.
Quando já estávamos sentados tomando o café, esta senhora me viu e veio falar comigo.
_Me desculpe. De onde mesmo que nos conhecemos? Você me cumprimentou e seu rosto não me é desconhecido.
Olha...se ela estava num local onde ela só conhecia os meus vizinhos, ela só poderia me conhecer da casa deles, não? Meio óbvio.
Eu ainda a chamei pelo nome e disse a ela que nós tínhamos nos encontrado por duas vezes já. Ela ficou super sem graça.
Depois passaram por nós um casal de vizinhos. Eles nos viram? Não sei, pois se viram, fizeram de conta que não. Eu desconfio que a moça é cegueta, pois ela tem o olhar perdido. Vai ver se recusa a usar óculos...e passa por antipática hahaha O marido a segurava pelo ombro e parecia guiá-la. hahaha
Depois olhei e vi outro casal. A moça também me olhava. E aí, eu me enchi...sabe quando você olha de volta, este povo, ao invés de dar um "hallo", desvia olhar, como se estivesse fazendo algo de errado.
Tem horas que eu me invoco e volto a ser o que eu era e vou lá, na maior, e chego junto!
Me levantei e fui até o tal casal. Meu marido, nestas horas, fica meio passado. Eles tomaram um susto. Não sei se não se lembravam de mim, do meu marido, ou sei lá...mas o filho deles é o melhor amiguinho da filhinha dos vizinhos. Eu me aproximei e já fui dizendo que os conhecia da casa dos vizinhos, se eles também se lembravam de mim e perguntei do menininho deles. E eles lá, gaguejando.
Eu não sei se este povo realmente esquece ou este povo faz de conta que esquece.
Quanto mais eu vivo neste país, mais eu acho estes holandeses super esquisitos.
E meu marido nestas...lógico holandês, no meio de holandeses, fica igual...e ele também olha e diz que não reconhece ninguém.
Será que é algum problema no genes de reconhecimento visual deste povo?!?!?!
Mistério!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A vizinha folgada... socorro!

Colega, você aí, minha amiga, que é mãe, que resolveu enfrentar a grande aventura da maternidade.
É uma decisão sem volta a decisão de ter filhos. Acredito que você tinha em mente esta ideia quando resolveu ser mãe, idealizando aquele rostinho fofinho, as risadinhas banguelas e todas as fofurices que só um bebê tem. Com quem será que irá se parecer? Será lindo como o pai? Terá a inteligência da mãe?
Pois é, e espero também que você tenha levado em conta as noites em claro, que podem ser muitas no decorrer da vida inteira e por vários motivos. Dos choros infinitos de cólica e mazelas diversas. Das birras e malcriações. Das brigas sérias, do desrespeito...porque uma hora tudo isso acontece...em umas famílias mais, em outras menos...mas acontecem.
E aí você tem o seu primeiro filho e resolve ter o segundo, o terceiro, o quarto...
Se você vive longe da família e, ainda por cima, num país estranho e frio...você terá que ser quase ninja.
Saiba que ao decidir ser mãe, você vai triplicar suas obrigações e tarefas diárias. Mas tudo isso é fichinha, afinal tudo vale a pena quando se recebe o carinho de um filho.
A escolha é de cada um.
E considerando que a escolha é sua, eu acredito que você não vá responsabilizar e delegar suas obrigações a terceiros, principalmente aos que não têm filhos.
Não pense que quem não tem filhos, não tem o que fazer. Uma pessoa sem filhos talvez tenha mais liberdade no seu dia a dia, mais flexibilidade nos seus horários. Como por exemplo, não ter que sair no frio, no meio da escuridão, da chuva, do vendaval pra levar os bacurizinhos para escola.
Uma pessoa sem filhos tem as mesmas coisas para fazer que uma mãe, ela só não tem os filhos. O resto é tudo igual.
Mas claro que, neste mundo, ninguém vive numa bolha e uma hora ou outra será necessário pedir uma ajuda. Tudo bem. É perfeitamente compreensível. Nós sem filhos não somos tão frios e apáticos assim.
Agora se você tem uma rotina, que foi escolhida por você, seja realista de que a rotina é sua e ninguém tem nada a ver com isso.
Claro que outras pessoas que têm filhos se compadecem e sabem que podem trocar favores do mesmo nível com outros que também são pais. Até aí, normal, uma mão lava a outra e todos ficam felizes. Quer ter uma noite romântica com seu amor? Peça ajuda para a avó, uma tia ou para aqueles vizinhos com quem seus filhos brincam depois da escola. 
Pode até ser para aquela amigona sem filhos? Pode...mas tenha em mente que ela é que está lhe fazendo um grande favor e não você, de deixar ela desfrutar dos seus filhos. A sua amiga sem filhos, nunca vai ter o que te pedir na mesma proporção. Pense nisso. Claro, a não ser que ela viva enfiada na sua casa, tomando o seu tempo, abrindo sua geladeira, seja uma espaçosa...tudo depende. Tenha bom senso.
E a minha vizinha folgada parece não ter bom senso.
Ela sabe que tem que buscar a filha mais velha na escola. Porém, muitas vezes o bebê ainda está dormindo nesta hora dela sair.
O que ela se acostumou a fazer? Adivinhem. A bater aqui.
Detalhe: ela tem carro na porta e dirige.
Já quebrei o galho dela algumas vezes e a coisa tem sido quase que semanal.
Sabe que tal hora tem que sair? Acorda o bebê um pouco antes, coloca ele na cadeirinha, enrola num cobertor e pronto...entra no carro e vai. Não é nem cinco minutos.
A rotina é dela, não minha.
A desculpa dela: o menino está dormindo e ela tem dó de tirá-lo da cama pra sair no frio.
A minha ira: ver o pai sair com o filho no fim de semana, no frio, bem no horário do menino estar dormindo. E ela em casa. Aí pode?
Se o menino pode sair com o pai, dormindo no carrinho, no frio, por que não pode sair com ela, no carro, que precisa sair pra ir buscar a filha mais velha na escola? Por que ela tem que bater aqui e me pedir para ir ficar com o menino?
Ah e uma outra vez, ela saindo e eu saindo ao mesmo tempo, a pé. Ela só me falou "hallo", entrou no carro e saiu cantando pneu. 
Pensei que ela podia ter me oferecido uma carona, né?
_ Olha, tô indo para tal lado, se der certo pra você também, entra no carro que eu te deixo lá. (Ainda mais considerando que eu tenho prestado favores a ela...seria simpático e mesmo porque já bateram aqui pedindo pro meu marido levá-los para a estação quando eles não tinham carro. A chamar o meu marido no trabalho dele para levá-la ao controle da gravidez...Vejam o nível da minha solidariedade...Pois é, a gente é trouxa mesmo)

Depois dessa, a porta pode ir abaixo, mas eu não abro mais! 
Me chamem de cruel! Em 2017 tudo será diferente!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Da série: vou viver uma vida e não vou ver tudo...

Sabe, eu venho contar aqui e a maioria dos eventos são aqueles que me assombram.
A gente cresce com uma certa educação, ao decorrer da vida adquirimos aqueles códigos sociais de boas maneiras, seja no trabalho com os colegas e superiores, com amigos, família e por aí afora. Claro que cada um de nós temos o nosso jeito de ser, que é o que nos diferencia dos outros, afinal temos emoções, sentimentos, características! Uns mais introvertidos, outros mais abertos e receptivos. Outros mais atirados e comunicativos, outros mais solitários.
E tem coisas acontecendo aqui ao meu redor que vai totalmente contra a tudo que já vi nesta vida!
O conceito de amizade será que mudou? Depois dizem que nós, brasileiros, é que temos a mania de achar que todo mundo é amigo.
Continuando sobre a festa surpresa da vizinha.🎂
O vizinho pediu para fazer o favor de receber o presente dela. Claro, tem que ser surpresa. Até aí, ok. Me avisou o horário e recebi o presente na minha casa.
E qual não foi a minha surpresa quando ele passou um e-mail para todos os envolvidos dizendo que ele tinha comprado o tal presente e que ele esperava que as pessoas colaborassem.😲
Gente, primeiro ele convidou todo mundo e disse que ninguém deveria se preocupar, o importante seria a presença. E depois que as pessoas, mesmo no meio de seus compromissos da semana, se prontificaram a participar, ele vem com este papo?
Eu acho isso manipulador, deselegante, cara de pau mesmo!
Não vejo nada demais numa festa surpresa desde que as pessoas sejam amigas de verdade, pessoas íntimas do aniversariante e que um presente comum seja acordado entre todos, previamente. Eu já participei de coisas assim antes! A tal famosa vaquinha, ainda mais para os colegas de trabalho com que a gente estava todos os dias. A gente combinava antes com os demais, o presente, o valor.
Isso não é a primeira vez que acontece. De uma outra festa nós não participamos. Foi mais ou menos na mesma linha.
Acho de muita cara de pau fazer uma festa no sentido realmente de angariar fundos para o presente que ele determinou que queria dar. Claro que é tudo muito sutil. Sempre está lá que você pode participar com qualquer valor e se quiser, que a sua presença é o que importa e blablabla Se é o que realmente importa porque se presta a este papel?
Há escolha afinal?  É tão sutil que você se sente colocado contra a parede e para não ficar chato acaba fazendo o jogo da pessoa.
Meu pai diz que isso é "fazer bonito com o chapéu dos outros". 😜
Só dá vontade de ficar bem longe desta gente!
Mas...Olha, isso virou moda agora, é?😕

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O bebê, a vizinha e uma alemã


O que tudo isso tem a ver? 
Vou juntar tudo num mesmo post para economizar palavras...e poupa-los dos detalhes sórdidos!
Aqui na Holanda se faz todo um rebuliço quando nasce uma criança. Enfeita-se a casa, envia-se cartões. Os pais podem até ser daqueles que não olham na cara de ninguém na rua. Falar um "hallo" então...é como pedir dinheiro emprestado.
E nasceu uma menininha aqui. Nunca tivemos contato com o casal. Nem de "hallo". Pra ir mais além, não vi nem a moça grávida! Seria ela a Nazaré?  - ela vai voltar!!!! 
E para a nossa surpresa total, recebemos um cartão do aviso do nascimento da garotinha, com o número do telefone deles.
Pânico! E agora? O que gente faz? Os pais estão tão tristes que não têm visitas para receber e querem o apoio moral dos vizinhos? Querem conhecer melhor os seus vizinhos? Querem colecionar cartões de cumprimentos para mostrar à filha quando ela estiver grandinha?
Apesar de ter o marido holandês, ele nestas horas não é de grande ajuda. Ele também acha o povo tão esquisito que disse que não entendia era mais nada.
Sério, gente: entrei até na internet para saber como são as regras de fato. Encontrei de um tudo. É até questão de prova do curso de integração.
A maioria das respostas era: envie apenas um cartão de cumprimentos.
Outros mais sociáveis diziam...compra qualquer coisinha e aparece lá para cumprimentar pessoalmente, é legal.
Deixei o meu lado brasileiro falar mais alto. Ahhh, pare de tanta frescura, vá lá e pronto!
Telefonei antes, claro. O rapaz ficou meio perdido - imagina, parecia que tinha esquecido que deixou cartões na rua toda! Foi simpático e marcou a visita. 
Levei um presentinho e fui recebida cordialmente. Vi a pequena nova moradora da rua!
Sentamos à mesa, serviram café e os famosos "biscuit met muisjes" cor de rosa, lógico!
Ele começou a olhar no relógio. Achei estranho.
Meia hora depois, exatos trinta minutos, sou convidada a me retirar. Eles tinham hora no pediatra.
Doeu no fundo do meu coração.
Lição aprendida: faça a sua parte, mas não espere que eles queiram algo a mais. Já te deram meia hora da agenda deles e tchau! 
E, claro, meu sogro ficou muito orgulhoso de mim! Disse que o que fiz foi muito assertivo. rs
Próximo assunto...


Aniversário da vizinha. Será festa surpresa. Advinha...quase a rua toda convidada!
É normal isso? Fala sério...eu não entendo mais nada. Será que não dá pra ser só a família e algumas amigas dela mais próximas? Será que é tão pouca gente assim?
Eu tenho contato com ela...ela é legal, é. Estrangeira como eu e se mete mais com os outros...talvez por ela ter chegado há menos tempo, ainda tem esperança de criar laços com este povo aqui. 
Eu, sinceramente, fico com aquela impressão do "vocês têm que me engolir".
Lembro até hoje de uma ex amiga que se mudou e, por passagem de seu aniversário, convidou os vizinhos próximos para se conhecerem. Estava todo mundo lá, comendo bolo, bebendo, chá, café...rindo...rindo! Alguém a convidou de volta pra alguma coisa? Nunca!
Veremos o que vai ser esta festa surpresa!


E a alemã, foi uma senhora que conheci encontrei por acaso em Portugal.
Estava eu no telefone falando com a minha mãe na recepção do hotel. Quando terminei esta senhora alemã se aproximou, com um sorriso imenso no rosto...
_Ahhh você é brasileira? Eu escutei você falando ao telefone e identifiquei o seu sotaque e vi que é brasileira! 
Eu confirmei, claro, e ela continuou...
_Nossa, como vocês brasileiros são maravilhosos! Fiquei três meses lá no Brasil, passeando sozinha e como fui cuidada, bem recebida. As pessoas se importam com a gente...nunca vi nada igual. Tenho pena de vocês aqui na Europa...nós não somos tão amáveis como vocês. Deve ser muito difícil toda esta frieza das pessoas daqui.
A mulher só faltou me pedir desculpas! hahah
E ela ainda completou...eu só vim falar com você porque vi que é brasileira...se fosse uma outra alemã, não ousaria! Nós não somos abertos.
Esta senhora só faltou me abraçar e me beijar como se eu fosse artista de tv! hahaha
E aquela era a última noite dela no hotel. Nunca mais a vi.
Lição aprendida: ser gentil, ter um sorriso gratuito no rosto, se importar com o próximo ainda vale a pena!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Algumas considerações


Sabe, pode parecer esnobe da minha parte, mas deixa eu fazer algumas considerações.
Às vezes, penso que é uma provação. Eu não gosto de ter que negar as coisas e, normalmente, eu acabo cedendo mesmo quando a coisa não é do meu interesse. Afinal, a gente pensa que não nos custará nada mesmo. É fácil, rápido, vamos lá...
Tenho aprendido que ajudar é uma coisa, mas ser feita de boba é outra. Quando você se "prejudica"e se mete em frias por causa de assuntos que só dizem respeito as outras pessoas, o certo e coerente é você dizer não e pronto.
Eu nunca me ofereci para tomar conta da filha dela. Nem eventualmente. E ela, quando deixou o baby fone na minha mão, nem me perguntou se eu queria ser paga ou combinar algo pelo fato dela ter mil trabalhos voluntários na rua e precisar de alguém pra ficar com a menina. Nada.
Depois, quando eu disse que cobrava, ela não apareceu mais.
E, quando veio fazer a tal proposta indecente, confessou que já tinha duas pessoas que cobravam cinco euros por hora para ficar com a menina dela quando ela precisava e que ela poderia me pagar este valor.
E eu achando que ela não sabia o esquema aqui na Holanda. Tolinha! A mulé tava querendo era me dar a volta mesmo!
É um jogo emocional muito pesado, é! Ainda mais quando você se toca de que a pessoa em questão é uma profissional da área de marketing. Ou seja, ela joga comigo o tempo todo! Usa de técnicas frias e calculistas, como uma vendedora querendo te vender uma porcaria como se fosse artigo top de linha. E é, assim, percebendo estas táticas que eu fico mais louca da vida ainda! 
Ela usou a menina, usou de encontros casuais - eu acho que ela me seguia mesmo - e quando eu via, ela brotava na minha frente como se fosse algo casual.
Quando eu estava saindo ou entrando, lá estava ela na porta, sempre com uma conversinha mole e os convitinhos pra tomarmos café.
Para parecer igual, ela concorda sempre com sua opinião. Ou diz saber pelo que você passou, porque com ela aconteceu igualzinho.
Curiosa até e sabe pedir sua opinião como se ela realmente precisasse de seus conselhos.
O lance é não se deixar envolver e pensar no seu lado também, oras! É uma negociação, simples, fria e objetiva.
O meu cunhado holandês que é mais ou menos da área dela, conversou comigo. Porque eu levei o assunto pro conselho de família holandesa e até nos rendeu boas risadas. Galera geral horrorizada.
Afinal ela é vizinha, melhor manter a relação amigável.
Olha gente, os holandeses sabem fazer certas coisas tão bem feitas que é de deixar a gente boquiaberta.
Teve gente que reagiu surpresa de como eu poderia recusar um "trabalho". Ok, realmente é um trabalho como qualquer outro, porém não me convém. Ainda estou numa situação capaz de poder decidir e escolher o que e o que não me convém fazer. 
E se é para ocupar o tempo, garanto que eu sou muito boa nisso e sei me ocupar muito bem no meu dia a dia.
Mas é isso, aí! Não deixar a peteca cair!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A vizinha


Talvez a ilustração acima seja meio exagerada, mas vamos lá...é mais ou menos assim.
Quando ela me conheceu, foi super simpática. Eu diria simpática até demais. E, sério gente, passei a ficar muito pé atrás com pessoas super mega simpáticas.
Ela não é holandesa, o marido sim.
Aí o tempo foi passando, a pessoa querendo bancar a super prestativa. Fazendo coisinhas de comer e entregando aqui pra gente... Ui... faz séculos que nunca mais vi isso na minha vida, nem no Brasil.
Antes eu até sonhava em ter uma vizinha assim, pra gente tomar um café, trocar umas ideias e, porque não, até se ajudar em algumas coisas. Aquela boa e velha política da boa vizinhança. É legal, é saudável.
Eu sou do tipo que se, por acaso, eu não puder fazer algo num determinado momento, eu deixo pra fazer depois. Não fico atrás dos outros, requisitando favorezinhos, solicitando. Afinal todo mundo tem o que fazer.
Uma pessoa não precisa me perguntar se quero algo do supermercado. Até onde sei, estou perfeitamente capaz de ir até lá para fazer as minhas compras.
Confesso que estranhei e muito todas as ofertinhas cordiais.
Até que um dia...
"_ Oi, olha, eu preciso sair rapidinho, porém é o horário da minha filha dormir. Então, aqui está o babyphone e a chave. Caso você escute que ela acordou, pode ir lá e pegá-la. Ahhh você só coloca uma roupinha nela, porque ela está de pijaminha."
Tomei um susto!
Em pé na porta, me vi com um babyphone na mão, a chave e uma criança que poderia acordar a qualquer momento e que mal tinha me visto na vida.
A vizinha se picou.
Tudo bem, ela voltou em 45 minutos. Foi uma eternidade e eu rezando para que a menina não acordasse.
A vizinha tinha uma reunião de trabalho voluntário que tinha sido antecipada.
Eu teria ido nesta reunião no horário da minha filha dormir? Claro que não. E você?

Festa de voluntariado. Me perguntou o que ía fazer no dia - oh a invasão de privacidade - e me pediu pra deixar a menina aqui comigo. Eu disse não, que não ía ficar.
Pô, é festa, leva a criança junto, oras oras...
E, com muito jeitinho, ela tentou outras vezes, até que eu, também, com meu jeitinho holandês, disse que o buraco era mais embaixo: quer que eu tome conta da sua criança? Me pague!
Eu comecei a perceber que tomar uma simples xícara de café poderia me custar muito caro.
O tempo passou e, felizmente, ela encontrou um trabalho!
E foi aí que ela ficou na minha cola de novo. Ela cismou que eu tenho que ser a babá da filha dela.
Veio com uma ideia super mirabolante: acordar na madrugada, ir lá pra casa dela, tirar a menina da cama, trocar, dar o café, escovar os dentes e levar para a creche... por cinco eurecas, porque ela acha que TUDO ISSO eu farei em apenas uma hora.
Olha, no dia que isso aqui amanhece como se fosse o último dia, você tem certeza de que é o Apocalipse, aquele vento e chuva que podem te virar do avesso na rua... você sairia por cinco eurecas do seu lar? EU... JAMÉ!
Eu tô resumindo a estória porque se eu fosse narrar todos os detalhes... ah isso aqui ía longe.
Mas espera, esta é legal: mandou o marido bater aqui para pedir que os levassem para a estação de trem!
Sim, isso mesmo, na maior cara de pau. E olha que era um dia em que a gente estava ocupado e eles sabiam disso. Mas quem se importa?
Estava chovendo, sim, mas aquela garoa fina. Nem vento tinha.
Podiam ter pego um ônibus, podiam ter esperado a chuva dar uma paradinha, podiam usar capa de chuva, mas claaaaro que não. Ela achou melhor pedir pra gente, afinal para que serve o carro dos vizinhos?
Mais uma vez, fomos pegos de surpresa! Ficamos sem ação e marido enfiou todo mundo no carro e levou, o casal e a criança.
A última, destes dias, é que me enviou um sms. Já passava das nove da noite. Queria saber se eu estaria em casa - oh a invasão de novo - para receber um pacote para ela no dia seguinte.
Olha, gente, isso me irrita profundamente. Não é o fato de receber pacotes que não são meus, mas a invasão de privacidade. Se eu estou ou não em casa, não é da conta dela.  E, vamos combinar, é muita cara de pau a pessoa vir te pedir isso, falando de um jeito como se você tivesse a obrigação. Eu não sou a única vizinha. Um outro vizinho poderia muito bem receber o pacote dela. Não precisa combinar este tipo de coisa, isso acontece numa dinâmica natural - apesar de eu já ter notado que tem gente que está em casa e não abre pra entregador, não!
Nem preciso dizer que o sms foi totalmente ignorado.
Detalhe: ela transferiu os trabalhos voluntários dela para o fim de semana.
Sou só eu que acha isso um absurdo? 
Você tem marido, filho pequeno, trabalha a semana inteira viajando, seu filho longe de você e quando é fim de semana deixa os seus em casa para fazer trabalho voluntário???? Ok, atitude nobre, é. Porém, só penso que não adianta nada você querer consertar o mundo lá fora se a sua casa e a sua família ficam sem você. Ainda mais uma criança que acabou de fazer três anos.
E, ok, se ela quer fazer tudo isso, tudo bem, mas não venha me empurrar os abacaxis que são dela, para eu descascar.
Sabe aquela sensação de você oferecer a mão e a pessoa arrancar seu braço? Com ela é assim.
E ela falando que ficou tão feliz quando soube que eu era brasileira.
Ohhh e por que será?
Não sei o conceito dela sobre brasileiros - ou até suspeito - mas, se depender de mim, ela vai mudar de opinião!