A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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domingo, 17 de maio de 2020

Meus pais e o coronavírus

 
Já comentei que os meus pais fazem parte da ala vip do grupo de risco com relação ao vírus.
Primeiro pela idade e segundo por diversos problemas de saúde que ambos têm. Eles, no geral, vivem bem, mesmo com todas as limitações da idade e de saúde, felizmente.
Porém, né, apareceu este vírus aí para complicar ainda mais a vida destas pessoas.
Nenhum dos filhos mora perto. Felizmente, meus pais são bem independentes. Resolvem a vida deles, vão aonde precisam ir, a médicos, exames. Vez ou outra tem um sobrinho deles que se faz presente numa necessidade.
Agora com a quarentena, a vida deles ficou mais complicada pelo fato deles precisarem sair de casa. Precisam fazer supermercado, precisam ir na farmácia.
E a cidade em quarentena tirou os ônibus de circulação, inclusive os intermunicipais.
E os remédios de autocusto que eles precisam, chegaram ao fim. Na cidade onde moram, não têm os medicamentos. 
E eis que minha mãe descobre uma turma de motoristas de aplicativo fazendo ponto perto da casa deles.
Ah foi a solução até metade do caminho para a outra cidade. 
Lá foram eles até onde puderam com o transporte e o motorista os deixou num ponto de onde podiam pegar ônibus. E de lá eles foram, pulando de ônibus em ônibus até chegarem onde precisavam.
E o ápice foi parar num bar/lanchonete para lanchar. Estabelecimento este aberto clandestinamente.
E para voltar, tudo no mesmo esquema. Quando não foi mais possível usar o transporte público, telefonaram para o motorista que os tinha levado para ir buscá-los.
Minha mãe estava toda orgulhosa do feito. Eu, nem sabia o que dizer. Vou falar o quê? 
Eles estão usando máscaras e tomando os cuidados gerais. No entanto, a gente nunca sabe, é uma preocupação.
Enfim...no começo eles não estavam levando muito a sério, mas agora com a evolução das coisas lá, eles estão vendo a gravidade. Estão mais em casa e evitando contato com as pessoas. 
E como disse uma amiga minha: deixa nas mãos de Deus. E é isso mesmo, porque daqui não posso ficar pensando só no pior.
Difícil!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Velhinhos

Sabe o que mais me chocou em relação aos meus pais? 
De como estão velhos e de como eles começam com aqueles papos sobre gente que já morreu e com quem eles sonham e ficam tentando desvendar o que o tal sonho quis dizer.
Todos os dias, pela manhã, eles perguntavam um ao outro se tinham sonhado, com quem, como tinha sido o sonho. A maioria dos sonhos era com alguém que já morreu e aí tinha mais emoção!
Minha mãe perguntou ao meu marido se holandês acredita em fantasma. Oi?
Nós vimos na TV, no jornal, que o sino da igreja de uma cidade aqui, começou a tocar do nada, no meio da madrugada, por mais de duas horas sem parar, acordando a cidade toda. Ninguém soube o que aconteceu! Mistério!
Eu lembro que respondi que aqui fantasma pode até existir, mas que do jeito que holandês costuma ser, o próprio fantasma passaria a duvidar de sua própria existência. 😕
Quando me deparo com velhos aqui, no meu dia a dia, eles são ageis, ativos...achei que meus pais também estivessem assim, mas não estão.
Meu pai tem um problema sério de saúde. Até aí, posso compreender os momentos nos quais ele podia não estar muito disposto. Porém, ele não faz nada para se ajudar. E minha mãe, também não. 
Meus sogros, holandeses, poucos anos mais jovens apenas. Mesmo com a doença da minha sogra, eles têm outro tipo de comportamento. Não se entregam. Procuram ser ativos e atualizados.
Meus pais, praticamente, o oposto. 
Minha mãe, realmente, tem o quadro de saúde estável, bom. Porém, o físico está assustador. Andando mais devagar do que uma velhinha de 90 anos com andador. A maior dificuldade para subir e descer escadas, para pegar objetos, abrir embalagens. Também não ouve bem - entendo agora alguns mal entendidos no banco. Você fala um A e ela entende Z.
Aqui outro fragmento de um desabafo meu com uma amiga, também de muitos anos, que os conhece.

"Meu pai não queria sair porque dizia que não podia andar. No dia que resolvemos ir para a Alemanha, nossa, saiu briga até. Dá pra acreditar? Briga para sair passear?
Minha mãe não fez nada, nada. Levantava e ficava no quarto até que eu me levantasse e fosse colocar as coisas pro café. Só daí ela vinha e, algumas vezes, me ajudou colocando a mesa. Outras vezes, guardou a louça.
Acordavam tarde e o dia não rendia muito. Como tomavam café tarde, eu não me preocupava com o almoço, mas eles se queixavam de fome. Em vez de irem fazer algo pra eles, não... ficavam esperando que eu fosse fazer. Daí umas duas ou três vezes eu disse que se eles quisessem, era só abrir a geladeira, cozinhar arroz, fazer o que bem quisessem e daí ela resolveu ir fazer."

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Eu não me esqueci de que tenho um blog

Nossa, quase dois meses sem escrever! 
Na verdade, eu escrevi, mas acabou ficando um post inacabado e não publiquei. Aliás, foi no calor das emoções e penso que tenha sido melhor assim. Posso reescrevê-lo, na tranquilidade e com mais doçura no coração.😍
Então: papai e mamãe vieram do Brasil. Ficaram cinco semanas aqui com a gente. Deu tudo quase certo. Fica aquela coisa do que poderia ter sido feito e não foi...enfim...mas vieram, atravessaram o oceano por mim. Já fazia quase três anos que eu não os via, literalmente.
Mamãe está com 77 anos e papai com 74 anos. Eu sou a única filha e a mais velha. Depois de mim, só mais dois irmãos. Só o mais novo é que mora "relativamente" perto.
Eu deverei falar mais desta convivência, mas o que seria mesmo legal, seria transcrever aqui as mensagens trocadas com meus amigos sobre o que acontecia aqui, entre mamãe, papai e eu!
Por fim, deixo uma só para ilustrar, que escrevi recentemente a um grande e querido amigo:

"Então...antes dos meus pais chegarem, comprei uns chás bem saborosos sem sódio pra eles tomarem aqui, assim, no meio da tarde com o bolo q a minha mãe nunca fez. Rs
Daí qd eu perguntava, se queriam chá olhavam com uma cara como se eu estivesse oferecendo veneno 💀 
Isso pq meu pai disse q costumava tomar chá com bolacha, de noite
Pois bem, acho q tomaram chá umas duas vezes qd a vizinha veio...e da última vez, minha mãe fugiu pra cozinha pra tomar o café com leite dela com pão 🍞 e eu fiquei injuriada e fiz ela voltar pra sala, q era indelicado deixar a visita na sala pq ela TINHA q comer o pão dela naquela hora. 😖 
Que comesse depois, não ia morrer por esperar.
Daí...um dia aqui no supermercado eles viram chá em oferta e compraram. Meu pai disse q uma caixa era pra inquilina lá deles. Ok
Nesta semana q falei com minha mãe ela disse q deu a caixa de chá com uma caneca pra tal senhora. E eu...será q ela vai gostar do chá?
Minha mãe respondeu...
Ahhh sim, vai sim, o chá é uma delícia, nós estamos tomando. Abrimos uma caixa pra nós e estamos fazendo o chá"


Amanhã fará uma semana que eles voltaram e eu passei estes dias a colocar a casa em ordem...a casa mesmo de paredes e janelas e a casa emocional.
Voltarei!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Enquanto isso... no Brasil

Meus pais...acontece de tudo com eles.
Quando o telefone aqui toca e vejo que é lá de casa...já sei que pode ser algum perrengue.
Eles são aposentados, idosos e meu pai, principalmente, com sérios problemas de saúde. Mas ele gosta! Ele consegue fazer de um dia de exames no hospital um dia de turismo...bate papo com Deus e todo mundo e disputa para ver quem tem a doença mais grave.
O dia que ele teve que ser amparado pela cadeira de rodas, depois de um exame, foi como receber atendimento vip em hotel de cinco estrelas.
Em casa ele reclama e quando tem consultas e o médico pergunta como ele está, ele responde:
_ Ahhh doutor, está tuuuuudo bem!
No último exame cardíaco, enquanto era realizado por um médico especialista, ele disse que sentiu uma dor muito forte no peito durante o exame.
Minha mãe perguntou o que o médico tinha dito a respeito desta dor, o que podia ser.
Ele olhou admirado para a minha mãe e disse:
_ Mas eu não falei nada pro médico! Imagina, estava no meio do exame, você acha que eu ía incomodá-lo? Não era a hora!
Minha mãe fica doida com ele. E eu também, quando fico sabendo destas coisas.
E daí minha mãe diz que se pro médico ele não conta nada, por que então está contando para ela? 
E um tempo atrás eu tive um sonho. 
No sonho, um senhor que parecia um advogado entrava e dizia que meus pais precisavam assinar uns documentos e lá foi ele dando a caneta para eles, que foram assinando as folhas, uma a uma.
As folhas estavam todas em branco e tinham somente as assinaturas deles.
Eu peguei na mesma hora todas aquelas folhas, rasguei tudo na cara do homem e perguntei o que ele pretendia com aquilo.  
Tomei este sonho como um aviso e tratei de falar com meus pais, pois eles estão realmente envolvidos com algumas ações aí. 
E como eles moram sozinhos, ninguém vê os filhos perto, tem muita gente achando que eles não têm ninguém por eles.
E daí aparece gente de tudo quanto é jeito. Minha mãe é mais ligada, mas meu pai...faz tudo bonito e fácil aos outros.
Outro dia, foi "assistente social do governo" dizendo que eles tinham direito a uma "bolsa farmácia" para os medicamentos que eles não encontrassem no posto de retirada de medicamentos.
O tal rapaz com um crachá muito esquisito, entrou em casa, sentou-se no sof'á, tirou lá umas folhas de papel e disse que precisava dos dados bancários e foi só pedindo documentos.
Quando minha mãe, depois de ser tapeada dentro da agência bancária, escaldada, ficou com o pé atrás e sabe que este tipo de coisa não se passa para desconhecidos, ela disse que ía me telefonar.
O rapaz, na mesma hora, se levantou e saiu do mesmo jeito que entrou. Sumiu!
Golpe na certa, né minha gente?!?!
Depois outro, do banco onde minha mãe recebe a aposentadoria dela, bateu lá em casa.
Desde quando funcionário de banco agora vai de porta em porta atrás de atualização de cadastro?
Disse que tinha uns documentos que ela precisava assinar para a aposentadoria não ser cancelada, atualizar endereço e foi apontando com a caneta onde ela precisava assinar.
Ela tomou o calhamaço de papéis e disse que ía ler aquilo e entrou e deixou o rapaz na calçada.
Ahhh o rapaz muito bem arrumado, com carro bonito, muito educado.
Eu disse a ela que tomasse cuidado com pessoas muito bem vestidas, falando manso e amigáveis demais... pois são os piores tipos! Desculpa ae gente, mas é a realidade.
Ela passou os olhos nos papéis e viu que era para abertura de conta corrente, cartões consignados e algo para empréstimo.
Voltou para a porta, devolveu tudo e disse que ela mesma iria ao banco.
O rapaz ainda tentou argumentar e ela ainda deu meu telefone para ele me ligar e explicar tudo aquilo. Que ela só assinaria se tivesse a minha permissão.
Claro que o rapaz depois dessa se foi e, claro, que não me ligou.
E a gente achando que em cidade do interior é tudo tranquilo, as pessoas são mais honestas. Que nada, é o ambiente propício pros espertalhões fazerem a festa.
E foi aniversário do meu tio...eu telefonei, afinal é o meu único tio com quem tenho intimidade e afeição. E eu telefono só no aniversário mesmo.
Ahhhh o netinho dele...ficou tentando minar a nossa conversa.
Primeiro veio com o discurso:
_ Ohhh vô, esta ligação aí...vai ficar caro hein! Ela pode ficar falando deste jeito, tanto tempo?
Meu tio riu e disse que ele não precisava se preocupar, que era muito barato para mim.
Passou um tempo e lá veio ele de novo...Tudo bem, já tinha quase uma hora que eu conversava com o meu tio...
_ Ohhh vô, é a minha mãe no celular, ela precisa falar com você AGORA!
Gente, molequinho teve a audácia de ligar para mãe dele só para atrapalhar a gente. Porém, meu tio não cedeu! Disse para ele ver o que mãe dele queria.
E depois de uma hora e meia de conversa, encerramos o papo e o meu tio foi servir o lanche do moleque. Coitadinho! rs

sábado, 14 de maio de 2016

E depois de tanto tempo...

Estranho retomar o blog depois de tanto tempo. Fica difícil para pegar as ideias e organizá-las.
Vamos lá!
O tempo tem voado, compromissos familiares, marido trabalhando muito e com exames médicos para fazer, casamento do cunhado que convidou NINGUÉM e várias coisas que nos interpelam a vida e tomam o nosso tempo.
Aconteceram alguns fatos que tomaram a minha atenção, principalmente com meus pais no Brasil.
Ainda bem que pela internet a gente resolve muitas coisas.
Aqui com a família holandesa começa uma fase de aprendizagem. De como lidar com uma pessoa demente, com a memória recente totalmente comprometida.
Fui em dois eventos sobre demência. Em um, meu marido me acompanhou e, noutro, fui sozinha mesmo.
Gente, é tanta gente. Chega a ser meio assustador. Inclusive pessoas que frequentam as reuniões e que já perderam seus entes queridos por causa da doença. É um assunto pesado.
Tomei a iniciativa de ir porque não vejo a família levando o assunto a sério. Tanto que relatei tudo o que escutei e os aconselhei a irem. Meu sogro é a pessoa mais resistente.
Porém, só vou até um limite, viu. Não posso ir muito além, mesmo porque este não é o meu papel. Os outros que convivem muito mais perto dela, é que precisam se cercar de informações até mesmo para ajudá-la.
Mas mudando de alhos para bugalhos. 
O meu cunhado se casou. Só ele, a mulher, os dois filhos e as quatro testemunhas, ou foram duas...nem sei, para a cerimônia na prefeitura.
Se casaram em abril, mas nem soubemos o dia. Ele deve ter falado mas a gente nem guardou a informação...nem éramos convidados mesmo.
Eu, aqui para comigo, penso que um dia ele vá se arrepender de não ter ao menos os pais presentes. Mas sei lá, às vezes este povo é tão desprendido de certos sentimentos que nunca irá parar pra pensar nisso.
Disse que ele que combinou com a mulher que quando completassem vinte anos juntos, se casariam. Feito!
A cunhada, que se separou, já está devidamente instalada no novo lar mas ainda de picuinhas com o ex. É cada implicância por causa das filhas. Sinceramente, não dá pra saber se era ruim junto ou pior separado. Criaram cada regra mais sem pé e sem cabeça. Imagina que, no acordo, ela exigiu que no aniversário das meninas, eles devem ser reunir às 11 horas da manhã para cortar o bolo como se ainda fossem uma família feliz! 
Para tudo, achei esta ideia absurda. Claro que, independente de quem estiver com a filha no dia do aniversário, tanto o pai ou a mãe devem ser livres para aparecer para cumprimentar a filha, é meio óbvio, mas não deve ser uma obrigação. Isso empaca tanto a vida de um como a de outro. Tanto que já deu confusão no primeiro aniversário depois da separação.
Ahhh e fomos ao Keukenhof. Já fazia nove anos da última vez que estivemos por lá com meus sogros.
Achei que não daria para ir. Tempo muito fechado e frio, ou melhor, congelante.
Fiquei de olho na previsão do tempo, fomos quase perto de terminar.
Assim que melhorou o tempo, abriu sol, chamamos os meus sogros e lá fomos nós. Tivemos um dia lindo de sol e fresco para caminhar entre as flores.
Lindo demais...é um dia de passeio que vale muito a pena.





















segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Que nome a gente dá, hein?

Com este clima bucólico de inverno e com tudo congelado lá fora...tô aqui né, pensando com meus botões.
Me desculpe os leitores. Prometo que vou parar com o mimimi...mas eu acho que tem a ver um pouco com o post anterior.
É um fato verídico...vou contar por cima, porque se eu for detalhar, este post vai ficar enorme.
Uns tempos atrás, um sobrinho da minha mãe estava aí nuns maus bocados financeiros e enfrentando problemas sérios de saúde com o neto.
Talvez umas quatro vezes ele ligou para pedir ajuda para a minha mãe, financeiramente falando. 
Na mesma hora, a minha mãe saía de casa e se deslocava até o banco. Pegava fila para providenciar a transferência do dinheiro pra conta dele. Sabe como é...a véinha nem tem internet em casa, não gosta destas coisas de caixa eletrônico e prefere o tete à tete com o bancário, lá no caixa.
Meu primo costumava visitar a minha mãe? Não. Telefonar em algum dia festivo para cumprimentá-la? Não. Aliás há anos que minha mãe não o via. Ah e meu primo mora em outra cidade.
E quis o destino que, neste fim de semana passado, eles se encontrassem na rua, assim do nada. Inclusive perto da casa dos meus pais.
Minha mãe toda contente em vê-lo, com os netos, já assumiu que eles estavam indo visitá-la e já foi logo dizendo para irem para casa, que era logo ali e que ela iria servir um lanche para eles.
E foi aí é que veio o balde de água fria. 
Ele não estava indo pra casa dos meus pais mas na casa de uma outra irmã da minha mãe. Outra tia, assim, nada a ver, sabe? Nada a ver mesmo.
O detalhe é que a minha mãe vinha voltando da casa da minha tia e ela estava toda arrumada pois esperava o filho para saírem. Nem comentou nada que este meu primo tinha combinado com ela de passar lá - apesar que ela nunca fala nada mesmo. E, se bem conheço a minha tia, ela iria ficar uma fera com ele chegando sem avisar. Se o filho dela chegasse pra buscá-la, não pensem vocês que ela deixaria de sair, não! Ela ía pegar a bolsinha dela, colocar todo mundo pra fora de casa, passar a chave na porta e tchau, minha gente. E eu já vi ela fazendo isso com estes olhos que a terra há de comer um dia!
Minha mãe se despediu deles e seguiu sozinha pra casa não sem antes avisá-lo para se apressar, pois a minha tia estava de saída. E seguiu pra casa.
Eu não sei vocês...mas se eu estou na cidade da minha tia que me tirou da pior nos momentos mais complicados, eu iria primeiro na casa dela! E depois, quem sabe, visitar os outros parentes.
Ele, simplesmente, disse que passaria na casa dos meus pais numa próxima vez.
Minha mãe não falou nada, mas tenho certeza de que ela ficou chateada.
Eu fiquei.
Então é isso!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Algumas considerações

Dia dos Pais no Brasil, telefonei minha mãe telefonou para eu falar com o meu pai. 
Na verdade estava era dando um tempo para ligar no fim da tarde lá, porque normalmente eles saem para almoçar, voltam e fazem a ciesta.
Desta vez, minha mãe foi mais rápida e me ligou para contar as novidades do fim de semana maluco que tiveram e eu aproveitei a chamada para falar com o meu pai também.
Também falei com meu tio que estava por lá. Sabe, é o único tio que sobrou e com o qual sempre tive contato.
Meu tio não é assim um homem veeeeelho, nem assim ignorante, porém ele me veio com cada pergunta.
Eu não sei o que ele pensa, se eu voltei no tempo, se eu moro na roça. Tudo bem que este meu lado da Holanda está longe dos grandes centros, mas perguntar se a minha cidade tem cinema e se aqui passam os filmes atuais que também passam no Brasil, foi um pouco demais.
É como quando a gente se irrita com um holandês que acha que o Brasil é uma Amazônia só e fazem as perguntas mais esdrúxulas possíveis, que aliás pararam de acontecer. Nunca mais holandês veio com pergunta besta sobre o Brasil pro meu lado. Se vem comentar algo é sobre a corrupção e o governo, infelizmente, mas felizmente com perguntas mais pontuais.
Aliás, a cada episódio do jornal na TV tem notícias do Brasil regularmente.
Marido achou graça e entrou na zoação dizendo que eu devia ter falado que aqui ainda estão passando os filmes da década de 80 e que esta semana acabou de estrear E.T. hahahah
Sabe, o mundo tem evoluído, todo mundo com algum perfil aí na internet, botando banca e vir com certas perguntas pro meu lado depois de tantos anos aqui, me irrita.
Minha prima me perguntou se eu tinha empregada. Claro que a resposta foi não. A cara que ela fez foi tudo! De horror!
Sabe, tem gente que vive num mundo muito pequeno e é difícil. Falta conhecimento, falta informação, falta cultura geral.
Internet pra esta gente é só pra postar foto no perfil social, bisbilhotar a vida alheia e cobiçar o que não pode ter.
Não dá!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Eu sei, eu tô atacada!

O objetivo deste blog seria falar da Holanda, mas é que aconteceram tantas coisas assim, inusitadas, nas férias que eu quero vir aqui contar! rs 
E já que me falaram que eu voltei "atacada" do Brasil - e voltei mesmo, vocês nem sabem o que eu estou aprontando daqui rs - eu vou é continuar com as minhas narrações...
Vamos lá... a gente lá, né, suando, vesgo, se arrastando de calor pra cima e pra baixo e uma prima com um piscinão em casa.
Convidou você? Pois é, nem a gente.
Ok, tá maior crise de água, vai ver ela já está usando a água da piscina pra cozinhar e convidar a gente não seria lá uma boa ideia. Ok entendemos e até deixo passar.
Aí foi meu aniversário, convidei a parentada - e até umas pessoas em consideração à minha mãe - e lá foi prima, marido, filha pro almoço.
Conversa vai e conversa vem, o marido da prima nos convida para jantar na casa deles. Ele descobriu o seu novo hobby que é fazer pizza e nos prometeu fazer o que tinha de melhor no seu cardápio.
E a gente foi um dia lá, à noite. Sentamos no terraço, à beira da piscina e a gente, fazendo de conta que nem estava morrendo de vontade de cair na água. Aliás, chovia neste dia.
Daí começam aquelas perguntas típicas: tem feijão na Holanda? O que vocês comem? Tem café? Existe vida em Marte?
Aí, vem lá o marido da prima dizendo que tem vontade de vir para a Europa, que quer fazer isso e aquilo, que como é que faz, onde compra as passagem, que avião que pega, onde é que desce?
Daí a prima...ahhh mas nós podemos ficar na casa deles! Eles levam daí a gente pros lugares, porque afinal a gente não fala inglês, não conhece nada.
Adoro este jeito brasileiro de falar tudo na brincadeira, sabe! Só que não!
E é aí, minha gente, que eu tenho que aprender a respirar fundo, fazer cara de paisagem e concordar com um sorrisinho sem graça.
Pô, a gente vai lá pra comer uns pedaços de pizza e tomar uns guaraná, coisa de umas duas, três horas e o povo já acha que a sua casa está à disposição um mês para eles e que você ainda vai levá-los para os passeios.
E a gente nem um "tchibum" de amostra grátis num dia escaldante de calor...
Ahhh não dá, não!



sábado, 13 de dezembro de 2014

Em busca de um rebanho

Deixa eu contar pra vocês o que "anda pegando".

Depois que a minha tia faleceu, em julho deste ano, eu acho que minha mãe meio que se aborreceu. Afinal, minha tia e ela íam para tudo quanto era evento, passeios e sempre estavam juntas, almoçando, tomando um café e se falando dia a dia. Para a minha mãe foi uma perda muito dolorosa.
Aí, pra dar uma renovada nos ânimos, meus pais decidiram voltar para a cidade de nossa família, no interior. Eles já vinham pensando nisso há algum tempo, porém, de fato, nunca tinham mesmo decidido voltar.
Eu não gostei muito da ideia, não! Falei para que eles pensassem bem e escutei algumas considerações: de que a casa estava grande, precisando de reformas, que nem ninguém aparecia mesmo e que era mais acertado voltar para a nossa cidade, para um casa menorzinha e mais ajeitada pra eles dois.
Voltaram. E isso completou 3 meses.
Parece que meu irmão apareceu para ajudar. Visitar mesmo meus pais, fois apenas duas vezes nestes três meses, o que eu acho uma tremenda falta de consideração.
Dois primos ajudaram depois que a mudança chegou.
Minha outra tia, a irmã mais velha de minha mãe, que já fez 82 anos, ficou feliz da vida.
E vou dizer para vocês o seguinte: acabou o sossego dos meus pais! FINITO! A casa deles está um entra e sai de gente. 
Já começa pelo meu pai, que acha que os velhos conhecidos ainda são amigos e chama todo mundo que encontra na rua pra ir tomar café lá em casa. Nem preciso dizer que minha mãe não está muito contente com isso.
Já viu, o povo de interior como é. Chega sem avisar, não vê se é hora de almoço, de descanso, de janta. Não pergunta nem se é conveniente a hora. Entra, senta e se instala.
Eu tenho algumas roupas minhas lá, de verão. Outro dia, no meio de um temporal, baixaram lá em casa uma prima e a filha dela. Ensopadas. Nem preciso dizer que duas blusas minhas se foram. Minha prima, que está quadrada de gorda, ainda viu um vestido meu e pediu para ela. Olha a audácia! Claro, minha mãe não deu e disse a ela que o vestido não serviria nela. Ela ainda olhou desconfiada.
Até aí... vai se levando...
Agora a bomba mesmo foi uma prima que há anos nunca mais apareceu, nunca ligou, nunca visitou.
Uns fins de semana passados, surge a prima, marido e um casal desconhecido. Anunciaram a novidade: começar uma igreja!!!!
Minha mãe foi na primeira reunião. Não teve escapatória. Bom, não teve porque não quis falar nada. Sabe aquela coisa do achar chato...vamos lá, o que custa?
Começaram lá as orações com meia dúzia de gatos pingados. O meu primo cedeu a sala da casa onde ele tem a empresa dele.
O tal casal desconhecido era os pastores, líderes, representantes da igreja ou sei lá como denominar.
Oraram, pularam, dançaram, gritaram!
Depois teve lanchinho. Minha prima sugeriu ao grupo que todo mundo levasse algo para o próximo encontro.
Quando minha mãe me contou, eu, primeiro, ri. Porém depois, fiquei preocupada. 
Talvez meus pais estivessem correndo sérios riscos de sofrer golpes. Eles não são idiotas, mas estão numa idade em que parece que se tornaram ingênuos... Ahhh mas a L, sua prima, é tão bozinha. Boazinha? Quantos anos sem ver, sem saber da vida dela? A gente não conhece ninguém mais nessa vida, não. Quem dirá depois de anos sem notícias e convivência.
Minha mãe me assegurou de que iria falar que não iria fazer parte do grupo.
E o que aconteceu?
A prima apareceu lá em casa e arrastou minha mãe, de novo, pra tal reunião. E depois o lanche foi lá em casa! Abuso total!
Detalhe: o primo, que cedeu a sala, já tirou o corpo fora com a esposa dele. Disseram que tinham compromisso. Não sei até quando eles darão desculpas ao invés de chegar e deixar claro de que não querem participar.
Minha mãe disse que falou sério com a minha prima de que não interessa participar desta igreja deles. Como eu a instruí. Porque lá veio ela dizer que daria desculpinhas. Eu fui contra e a instruí de outro modo. Simples: que fosse direta, que desejava boa sorte mas que ela não vai participar e ponto final!
Se a minha prima aparecer lá de novo com conversinha mole, tô vendo que serei obrigada a encorporar a holandesa que existe dentro de mim!
Depois de anos nestas terras gélidas e vendo como holandês faz, eu tenho que ter aprendido algo, né não?
Aleluia!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O primo, o computador e a titia


A única tia que agora tenho por parte da minha mãe é a irmã mais velha dela.
Ela já está com seus 81 anos e toda conectada na internet.
Desde do falecimento da minha outra tia, eu não tive muita coragem de falar com esta minha tia. A sensação era de que se fosse falar com ela, conectar a webcam, eu ía era abrir o bocão e me debulhar em lágrimas.
Mas titia voltou pra internet e me enviou uma mensagem e nos conectamos. Não chorei e me senti fortalecida.
Aí a gente conversando e aparece meu primo na sala.
O primo já está um coroa, com seus 50 e poucos anos, mas continua com cara de primo! rs
Daí minha tia o chama para vir falar comigo também.
Ai, gente, foi tão engraçado.
Ele olhava e olhava e soltou esta:
_ Você está me vendo, é?
Respondi que sim.
_ E como você está me vendo? Eu não vejo a câmera aqui. Como é isto?
Ahhh gente, foi impagável a cena.
Titia revirou os olhinhos e disse:
_Oh meu filho, é aqui a "webcam" - falou webcam, gente - embutida. Você não vê, mas esta luzinha acesa significa que a webcam está conectada e você está sendo filmado!
Pode isso???? 
Titia, velhinha, passando um sabão no primo paspalho que não entende nada de computador! hahaha

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Os dias de sol e calor seguem firmes e fortes pela Holanda.
Em certas regiões tem chovido bastante também e isso tem causado alguns transtornos.
Engraçado, este país ser tão pequeno e com uma variação climática absurda pra cada canto do país.
Mas é claro que por aqui não choveu e demos até um pulo numa prainha pra nos refrescarmos. Um amigo apareceu pra cá e oh, aproveitamos o dia em meio à natureza.

Obrigada pelas palavras de conforto no post anterior, people.
Aquele aperto ainda ficou por uns dias, na segunda feira titia foi cremada. Consegui falar de novo com a minha mãe para saber como tinha sido tudo.
Como eu disse, é uma coisa que a gente não assimila por não poder participar junto da família.
Os meus irmão também não foram. Um mora longe e o outro estava de viagem, então, só os meus pais mesmo é que participaram.
No fim de semana, liguei para falar com meu primo. Na verdade, liguei mais por mim do que por ele. Eu queria saber como tinha sido o último dia dela, o que ela tinha feito nas suas últimas horas. Pode parecer bobagem, mas é como se funcionasse como um certo ritual de despedida.
Foi bom ter falado com ele.

Sogros voltaram das férias.
Ah gente, minha sogra está tão diferente. Envelheceu bem mais e quando vou abraçá-la, tenho que me curvar. Ela está sumindo.
Perguntei pro Fofis se ele também percebeu isso e ele disse que sim, meio cismado.
Se comparamos com meu sogro, claro que ele envelheceu mas ele está forte, normal, mas ela... notá-se a diferença, considerando que ela é mais nova do que ele.

Tivemos dia de evento ontem na cidade e, no centro, encontramos um conhecido nosso.
Soubemos que uma conhecida nossa, ilegal há muitos anos e que, inclusive, tem um filho aqui holandês, vai ter que voltar ao Brasil, imediatamente.
Quando o menino nasceu, uns quase 4 anos atrás, o namorado dela foi ao IND (órgão que cuida de vistos e permanências) para saber se o caso deles seria resolvido facilmente porque ela era mãe de uma criança holandesa.
Aqui people, não tem choro e nem vela...não existe esta de ter filho, casar que vai poder ficar por aqui. As leis e regras são outras.
Só sei que nestes quase 4 anos nada se resolveu, ela foi ficando e agora o IND foi atrás deles.
Deram um prazo de um mês para ela retornar ao Brasil e o menino vai com ela. E, tão cedo, ela não vai poder voltar. Até onde sei, por 5 anos.
Este é o segundo caso de pessoas conhecidas que ficamos sabendo. Sem contar outros que vimos nestes programas de TV.

Bom, eu tinha mais algumas coisas pra contar, mas sabe quando ficam pensamentos pipocando pra todos os lados? 
Depois eu volto!
Boa semana!!!!!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Sem despedidas

Titia costumava passar um batom bem vermelho e saía distribuindo beijos entre a gente. 
Todo mundo ganhava uma marquinha e era um ritual toda vez que ela se despedia de nós e voltava pra casa. 
Os meninos queriam se esconder dela, mas ela os pegava um por um e lascava um beijo bem dado na bochecha.
E no fim todo mundo achava graça de ficar com o rosto marcado pelo beijo da minha tia.
O tempo passou e, mesmo depois da gente já adulto, ela ainda ousava vir pra cima da gente e tascava um beijo bem vermelho na gente!
Só que desta vez não teve beijo, não teve marquinha na bochecha.
Titia se foi no sábado, à noite, sem se despedir mesmo, sem deixar beijos.
Minha mãe me ligou no domingo para me avisar e eu chorei feito criança.
E, nestas horas, é um momento muito complicado porque a gente não tem despedida. A única coisa que eu sei é que ela não vai estar mais lá quando eu for para o Brasil de novo. 
Isso se passou quando meu tio faleceu. É uma coisa que só o tempo trabalha, porque, pra mim, era como se ele ainda estivesse vivo. A gente não realiza de imediato que a pessoa realmente se foi. 
Já havia tempos que ela vinha com problemas de saúde. Ficou quase 3 meses em coma. Agora, quase um mês atrás, foi acometida por uma pneumonia que não regrediu. E foi uma complicação atrás da outra.
Titia querida, que senhora siga em paz. 
Beijos carinhosos da sua sobrinha.

domingo, 23 de março de 2014

As minhas tias e o meu tio


Ao total, eu tenho 6 tias. 
As que mais tenho contato são com as duas irmãs de minha mãe, aliás mais velhas do que ela. 
A minha tia mais velha, minha madrinha, está com 81 anos é está toda modernosa, pois nos falamos e nos vemos pelo Skype. Ela mesmo me chama!
A minha outra tia, que deve estar com uns 77 anos, que esteve quase dois meses em coma e deve ter visitado o "lado de lá", ressuscitou e está firme e forte. 
Esta semana ela voltou pra casa. Apesar dela perguntar por um monte de gente que já faleceu, como se eles ainda estivessem vivos, tá tudo normal. Isso assustou a minha mãe. Eu tratei de acalmá-la. Pelo menos ela só pergunta das pessoas. Não diz que está vendo alguém! Menos mal. rs O médico disse que esta confusão de lembranças é normal. Ela não tem a mínima idéia de que esteve em coma.
E eu tenho uma relação muito próxima com elas. A minha tia mais velha tem filhas, mas a minha outra tia, não. Só filhos homens.
Eu sempre fui a queridinha , cof cof. Acho que porque quando eu nasci, eu era a única bebê na família. Os meus primos já eram todos adolescentes. Tanto que um deles faturava uma graninha nas férias passando as minhas fraldas.
E a minha tia que não teve filha é ainda mais ligada comigo. Me levava junto nas férias, para passeios e, claro, sempre com presentes e sempre querendo me encher de comida porque eu sempre fui magrinha.
E, hoje, vendo elas assim, já velhinhas, adoentadas, eu me sensibilizo muito mais e fico com o coração apertado. Qualquer hora dessas elas podem ir embora, porque é inevitável.
Também tem o irmão mais novo de minha mãe a quem eu também sou muito ligada, talvez mais do que com meu próprio pai. É ele que me presenteia com livros e no telefone podemos ficar horas conversando sobre tudo.
Quando estou no Brasil, sempre nos vemos. Não teve uma vez, nestes anos que deixei de vê-los.
Este vínculo com meus tios me conforta. Gostaria de ter este mesmo vínculo com meus sobrinhos, mas acho que não vai rolar, o que acho pena.
Pai e mãe são tudo, mas os tios e tias são uma continuação deles. Uns braços a mais que existem para nos afagar.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Hoje começa o ano, pra valer!

É...é hoje que o ano começa pra valer, né galera!?!?!? 
Já se passaram as festas, muita gente voltando de férias e entrando na rotina novamente.
Bom, como eu disse, a gente ficou por aqui mesmo.
Ai gente, aconteceu de um tudo, viu! O ano, depois da virada, foi um Deus nos acuda!
Passamos a virada de ano comemorando aniversário do filho de amigos e emendamos com o Ano Novo. Pois é, um aniversário bem no dia 31 de dezembro, um motivo a mais para estarmos juntos.
Eu passei a semana baqueada ainda, mas consegui achar um tal de "detox" homeopático para o fígado e a coisa melhorou para o meu lado.
Falei com amigos daqui e do Brasil, o que me fez muito bem.
Papai foi parar na emergência do hospital no dia 2, com fortes dores estranhas no peito e nas costas que irradiavam para o braço. Um quase ataque cardíaco - existe isso? Passou o dia e a noite sendo monitorado e só foi liberado para voltar para casa no dia 3, pela manhã. Ganhou encaminhamento urgente para um cardiologista.
O irmão mais velho de meu pai quase passou desta para uma melhor no Natal. Está internado e os médicos já avisaram que o quadro dele não é nada animador. Se recuperar totalmente é muito improvável.
Minha tia, irmã da minha mãe, segue em coma há um mês.
Eu ficaria mais sossegada se meus irmãos fossem presentes, mas não são. Nós não tínhamos planos de irmos ao Brasil por agora, mas eu estou pensativa a respeito. Não quero deixar minha mãe sozinha nesta. Tenho telefonado praticamente todos os dias e está tudo sob controle até então.
Por aqui, minha sogra retornou para suas consultas médicas e o diagnóstico também não foi nada bom. Um tipo de Alzheimer - existe isso,2?
Meu sogro parece estar confiante no tratamento que ela vai iniciar nesta semana. Semana que vem eles seguem de viagem para uma temporada na Tailândia.
Eu noto uma mudança na minha sogra gritante. É como se ela estivesse aérea, fora do ar. De repente ela volta e conversa toda presente, mas de repente ela se vai e fica apática, olhar perdido. Emagreceu muito e de repente. Esta notícia não foi nada agradável de receber.
O jeito é seguir adiante. Há tratamentos para ajudar e impedir o avanço da doença, tomara que ela se dê bem.
E diante de todos estes fatos, um dia a gente precisa encarar certas situações e não adianta se desesperar. É confiar e seguir em frente!
E pedir SAÚDE, SAÚDE, SAÚDE porque é TUDO mesmo, mental, física e espiritual!
Mais uma vez, Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Sobrevivente de uma ceia de Natal

Bom, tem muita gente em recesso no mundo bloguístico, mas eu estou por aqui, firme e forte, mesmo depois de ter praticamente virado do avesso... 
Sim, passei mal! Muito mal....aliás tô passando mal até agora.
Já comentei aqui antes sobre minhas suspeitas com uma certa intolerância a certos alimentos. Acho que isso se confirmou de novo, depois da ceia do segundo dia de Natal na casa de cunhada. Foi uma mesada de carnes diversas e eu comi de um tudo. Claro que não deu certo e no dia seguinte, à noite, idas e vindas do banheiro madrugada adentro (por que estas coisas só acontecem de madrugada, hein?), colocando tudo para fora por todos os lados. Sorry! :-(
Acho que o ano novo será iniciado com uma visitinha ao médico para falar sobre isso.
Na Holanda, já me habituei ao costume holandês, jantamos normalmente no dia 24 depois que Fofis chegou do trabalho e fomos para a missa natalina que tem um coral lindo. Bom, não incluir "ir à missa" como costume holandês, ok? rs
Aliás, marido trabalhou muito neste mês...foram muitas horas extras,  em fins de semana e em dias de folga...olha, nunca vi um período tão conturbado. E nestas, eu fico aqui toda atrapalhada né para seguir o ritmo frenético do rapaz. Dá pra combinar quase nada para lugar nenhum e com ninguém! rs E ele ficou de plantão nos dias de Natal. Sem contar que nós dois enfrentamos uma inflamação nas gargantas (na minha e na dele rs) e tivemos que encarar antibiótico. E olha que marido é daqueles que bate o pé e se recusa a tomar até paracetamol. Porém desta vez, ele teve que se render já que o médico me mostrou a garganta dele com duas bolotonas de pus, ops, sorry again! :-(
Falando da missa. Eu vou por uma questão de fé. Não costumo ir durante o ano, não, mas na época de Natal, sabe como é... se Jesus nasceu mesmo neste dia ou não, é um dia escolhido para celebrá-lo, e como eu acredito NELE e em toda a sua história, gosto de ir pelo menos para agradecer, pedir perdão força e sabedoria para seguir em frente. 
A igreja estava LOTADA de ponta à ponta. Chegamos com meia hora de antecedência e quase não encontramos mais lugar para sentar. E a igreja não é pequena, não! Isso sempre me surpreende. Nossa, o holandês é mesmo um povo que crê! Que demonstração de fé deste povo! Aleluia!
Começou a missa. Já começa que ninguém se ajoelha na hora da comunhão. E na hora de saudarmos uns aos outros com a paz de Cristo????? Pasmem... Quase ninguém se saudou, gente! Vi poucas pessoas, pouquíssimas que se viraram e se saudaram.
Eu saudei marido que estava na ponta do banco, do meu lado, e não tinha mais ninguém do lado dele. Me virei para saudar dois rapazes no banco de trás. 
No nosso banco, tinha uma família. Do meu lado um rapazinho de uns 15 anos, o pai, a mãe e a sogra. Eles se fecharam como num círculo, fazendo uma barricada, como se estivessem se escondendo. Mediante a esta atitude eu nem me esforcei.
No banco da frente uma senhora e mais três pessoas. Ninguém dali se cumprimentou e, claro, não se voltaram para trás para cumprimentar ninguém.
Gente, esta foi uma atitude que me chocou! Nem na hora da missa eles arredam o pé!!!!
E detalhe...a igreja INTEIRA foi comungar!
Olha...pensei comigo: Jesus...todo mundo quer receber o teu corpo mas ninguém olha para o próximo ao lado! Tende piedade! Misericórdia! rs
Concluo que foram para a igreja apenas para passar o tempo e ver a apresentação do coral que, aliás, é muito emocionante.
Aqui fiz uma comidinha gostosinha para o nosso almoço do dia 25, arrumei a mesa e deixei tudo no clima.
Tentei falar em vão com o povo no Brasil. Não recebi nenhuma ligação de lá também. Meus pais viajaram e com eles sim eu consegui falar. Alguns poucos e-mails chegaram em respostas dos meus... que penso que se eu não tivesse escrito, nem teria recebido nada rs
Minha tia está na UTI e agora temos recebido notícias que ela está "voltando do coma" já tem para mais de 20 dias. Meu primo ficou enviando sms's para minha mãe para mantê-la informada.
Na família holandesa, o único que não participa é o irmão de Fofis...o que é uma pena... mas foi bem agradável estarmos todos juntos, conversando, rindo e brincando com as crianças.
E vida que segue!
Amanhã o último dia de 2013...um ano meio sonso, com algumas decisões tomadas, mas que foi bom.
E é isso!