A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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sábado, 3 de agosto de 2019

De novo...

Ontem um dia de tempestade. Choveu torrencialmente praticamente o dia inteiro.
De repente, tocou a campainha. Seria entregador? Algum vizinho? Nossa, embaixo de chuva...
Fui abrir a porta e dois rapazes. Ai gente, quase não acreditei no que meus olhos viam... os rapazes da igreja. Não os mesmos de antes, outros!
Não, não e não...
Se ainda fossem os mesmos meninos, ok, tiveram a consideração de aparecer para falar um "oi", mas não eram eles.
Os meninos se apresentaram e disseram que os meninos de antes os mandaram aqui e que falaram para eles que eu sou uma pessoa muito legal.
Eu sou legal, até a página dois.
Um deles era peruano. O outro fiquei sem saber, não perguntei.
E aquela chuva caindo e eles embaixo de um guarda chuva...uma cachoeira. Me cortou o coração, porém não mandei entrar, não. Parece estratégia né...golpe baixo. E ficaram insistindo querendo saber se eu tinha resolvido ir para a igreja, se eu tinha perguntas, se eu precisava de algo.
Qualquer coisa que você fala, eles argumentam e estendem o assunto.
A pior pergunta foi se eu continuava "crente". Se eu continuava com fé.
Gente, pera ae....se você é uma pessoa crente, de fé você não deixa de ser assim do nada...Como eu não queria mais continuar estendendo e nem entrar em nenhuma discussão sem sentido...cortei a conversa.
Agradeci a vinda deles, muito atencioso, que eu não tenho interesse de ir para a igreja neste momento e que eles dessem lembranças aos outros companheiros deles e tchau...fijne dag verder!

domingo, 21 de julho de 2019

Quando Deus bate à porta...e daí? Manda entrar?

Ano passado, em meio a tudo o que aconteceu com a família por aqui, apareceram umas pessoas.
Três jovens rapazes bateram à minha porta. Dois americanos e um chinês. Acho que foi em setembro ou em outubro.
Queriam falar de Deus.
O mais intrigante é que eu tinha tido um sonho. Também andava pensativa com alguns questionamentos.
Se no passado tivemos tantos acontecimentos que marcaram a ação de Deus, como estão as coisas agora, nos nossos tempos atuais? 
Será que tem algum Moisés por aí? Algum Profesta Jeremias? Um Daniel, governador hebreu entre um povo idólatra como o do Império Babilônico? Por que tantas coisas ficaram tão distantes? Quando é preciso de alguma referência falá-se de fatos de milênios ou centenas de anos passados. Ou será que não somos mais capazes de ver? Ou será que não acontece mais nada mesmo?
Vez ou outra escuto um programa que só fala de fatos passados da Bíblia. Sempre os mesmos. Não há registros mais atuais? Ou outros fatos que valem a pena ser relatados?
Bom, mas isso são apenas pensamentos meus e eu achei até interessante os meninos de tão longe aqui na minha porta. E eu fiquei muito a fim de saber o que eles tinham para contar.
Os americanos eram recém chegados na Holanda. Imagina, eu tenho a mesma idade da mãe deles! Vi fotos da família, conversamos sobre assuntos diversos. E, detalhe, todos com o holandês na ponta da língua.
De cara, já disse que não tinha interesse em assumir o compromisso de ir a uma igreja, mas eu estava interessada em saber mais.
Me trouxeram folhetos, livrinhos, livro. E eu realmente estava muito interessada em estudar.
Porém a coisa não foi pra frente. Toda vez, eles reforçavam...olha domingo tem culto, esperamos que você vá. O mais assustador foi um deles me falar da data e hora do batismo - sendo que eu já sou batizada.
Mas claro, meu batismo não vale. E isso é uma coisa que não entra na minha cabeça. Batismo é batismo...não tem batismo que vale mais do que o outro. O significado e o valor para mim é o mesmo.
E eu fazia a "lição de casa" e eu dizia o que tinha entendido. Esperava algum complemento e nada.
Falavam que eu só tinha que ir para a igreja, para a minha salvação. E eu via que o discurso era sempre o mesmo. Se for assim, você será salva, se for assado você não vai pro céu.
Nós não temos que ser bons a troco de recompensas, nós temos que ser bons e corretos porque assim deve ser, porque assim seguimos o exemplo de Jesus Cristo, no seu exemplo de vida na Terra, quando esteve entre nós.
Enfim...eram discussões que eu queria ter com eles, mas não saía nada. Queria que eles falassem mais do livro deles e nada.
E eles tiveram a brilhante ideia de sugerir que a "lider"deles viesse aqui em casa me conhecer com o marido dela.
A princípio achei interessante. Meu marido já achou exagero, sendo que desde o começo eu disse que não tinha a intenção de ir à igreja. Ah e a igreja em outra cidade ainda, nem perto é.
No fim eu desisti de tudo. Os meninos tinham apenas um objetivo: conseguir gente para frequentar a igreja.
Fiquei pensando que logo a minha casa se transformaria num ponto de encontro.
Ainda sugeriram que eu não precisava preparar nada, que eles trariam tudo!
Ou seja, tomariam conta da minha casa?
Me convenceriam a todo custo de ir à igreja?
E me vi sob pressão. E pra quê mesmo todo este estresse?
Agradeci a vinda deles. Fiz um cartão para cada um deles com uma caixa de chocolate com as iniciais dos nomes de cada um deles. Eles ficaram felizes.
Depois disso, eu fiquei meio em pânico. Eles começaram a vir sem avisar, em certos horários estranhos. Naturalmente, tentando retomar as visitas ou o contato. Não gostei, não e disse que eles não deveriam aparecer desta forma. Se quisessem vir, para uma visita, ok. Mas, claro, não era este o objetivo.
E no Natal, no dia 25, eu tive uma surpresa que eu até achei fofa.
Abri a porta e tinha um coral de uns 30 jovens cantando todas aquelas canções natalinas! Quase chorei.
Foi lindo e eu fiquei realmente muito feliz. Só que não restou nada...porque não somos da mesma igreja. Olha a religião separando/selecionando.
E foi a última vez que vi os meninos.

domingo, 3 de junho de 2018

Casados!

A minha cunhada mais nova tem um namorado egipcio que já vive, talvez, há uns 20 anos por aqui. Não sei se todos estes anos só na Holanda...mas enfim...entre idas e vindas, acho que este é o terceiro ano deles juntos.
O rapaz é boa gente, mas, pouco sabemos dele. Está sozinho, sem família aqui. Nem a profissão dele a gente sabe direito. Só sei que fuma feito uma chaminé ambulante. Aliás, o que a gente fica sabendo dele é através do meu sogro, que ouve da minha cunhada.
Um dia desses, numa reunião em família, eu perguntei o verdadeiro nome dele. Ele usa um outro nome para ser "aceito mais fácil" aqui, meio americanizado! Como ele é de origem muçulmana, claro que o nome dele segue a linha dos nomes lá deles.
Ele fala que não é praticante da religião deles, porém, em algumas situações o vi mencionando sobre "nossos costumes" com os "costumes dele". Que isso e aquilo não pode na religião deles. E isso eu acho chato. Se você não segue mais, por que ficar confrontando as coisas na frente das pessoas com costumes diferentes? Se você já está inserido na atual cultura, por que ficar comparando?
Eu já reparei que a minha outra cunhada e o marido não dão muita pelota pra ele. Não é a questão de ignorar ou esnobar a pessoa. Eles só não querem saber de nada que eles não querem saber, entendem?
E o mais bizarro de tudo isso foi o meu sogro contando de um lance muito curioso. Eles estão CASADOS!
Como assim, casados? Perguntamos. O casamento vai acontecer ainda, quando? Vai ser onde? Aqui na Holanda ou no Egito?
Meu sogro explicou, desacreditado, que o rapaz primeiro pediu a mão da minha cunhada pra ele. Ok, meu sogro concordou. Nisso, o Ramsés lá pega o celular, abre lá um texto lá todo em árabe que lê em voz alta. Faz minha cunhada responder qualquer coisa lá e pronto: CASADOS!
Bom, nem sei se é pra levar a sério. A minha cunhada nem comunicou o enlace.

Bom, que sejam felizes para sempre. Talvez o fato de nem morarem juntos já facilite rs
Não...é cada uma.... 👰💗😕

terça-feira, 29 de setembro de 2015

As reflexões do outono

É claro que o outono chegou, sem deixar sombra de dúvida! E é claro também que ele trouxe de presente uma gripe que me deixou baqueada a semana passada inteira. E ainda estou com aquele restinho da gripe. Ohhh coisa chata.

As manhã amanhecem geladas com orvalho e as noites também têm sido bem frias. Os dias têm sido brindados com muito sol e isso é muito bom...por mim, podia ser sempre assim.
As folhas já mudam de cor...e tudo vai ganhando um outro colorido.

Fui conhecer o apê novo de uma amiga que se separou. Só na Holanda mesmo para uma mulher, sem trabalho, sem salário, com filhos ter o direito à uma residência só dela sem ter que mostrar comprovantes de rendimentos. Claro que ela vai ter que se enquadrar a critérios como se comprometer a buscar trabalho, mas até aí gente, ninguém fica no desespero. E tem gente assim, vivendo já há anos!
O apartamento é novinho...cozinha pronta, banheiro instalado, piso colocado, super bem localizado...fiquei de queixo caído! 
Arrisco até a fazer uma piadinha que se ela soubesse disso antes, teria se livrado do marido há mais tempo! rs Sorry, people, mas sabe como que é, às vezes não dá pra não falar!
Viva o sistema "robinwoodyano" rs
Também estamos com uma separação na família...acho que foi isso até que mexeu com meu sistema imunológico pois penso nas crianças que ainda são muito novinhas.

Mudando de assunto, sobre os refugiados. Já são 25 mil na Holanda.
Aqui na cidade já noto a presença deles e oh, podem me jogar pedra, mas nada muda meu pensamento de que se não for feito algo de imediato, isso não vai prestar.
Não adianta querer cobrir a cabeça e descobrir os pés.
Ahhh são países ricos, é o que escuto! Não vejo mais países ricos nos dias atuais. Vejo países que criaram sua própria infraestrutura pra dar a todos qualidade de vida, trabalho, oportunidades...mas o que acontece quando a demanda é maior do que a oferta? É que nem ônibus lotado, numa curva, tomba.
O mar já não está para peixes para os próprios, quem dirá para quem está chegando.
Ok, eles recebem abrigo, assistência mas e aí? O que vem depois?
Ver este povo vagando nas ruas sem perspectivas...grupinhos ali enchendo a cara de cerveja e fumando...já intimidando os passantes.
Outro dia foi um quiprocó em um abrigo de madrugada... Pô, eles se desentendem até entre eles! Foi a maior tropa de choque, até helicóptero! Resultado: 14 feridos!
O mais recente agora foi depois de uma "pelada". Brigaram feio, 5 presos!
Entrei no supermercado e a polícia lá dentro! 
No jornal mostrou uma agência de recrutamento famosa com uma frente de trabalho só voltada para os refugiados e pra mim? Fazer uma triagem e encaminhar o pessoal mais qualificado, e eu?
Não quero parecer cruel, é uma questão de ordem humanitária, desde que eles também sejam merecedores e respeitem a cultura onde estão sendo acolhidos.
Fazer uma petição para cancelar a Oktoberfest na Alemanha por entenderem que é uma festa ofensiva à crença deles e, principalmente, aos que estão chegando, traumatizados...para mim isso já é um pouco demais, não é não?

PS: Gente, deixei de ler alguns blogs, mas logo visito vocês, viu?

terça-feira, 5 de maio de 2015

De um extremo a outro


Eu vi uma reportagem na TV sobre a questão de escolha religiosa.
Aqui na Holanda, cada vez mais, está aumentando o número de meninas que se convertem. Ela estão se tornando muçulmanas.
Mesmo morando com suas respectivas famílias holandesas, que nem religião possuem, elas vivem num mundo à parte dentro de casa. Cumpres todos os rituais.
Olha, não quero ser a favor e nem contra, cada um sabe de si, mas, certas coisas, certos comportamentos são, ao meu ponto de vista e entendimento, surreais. 
Até que a entrevista rolou de forma descontraída, mas deu dó de ver a mãe que está arrasada com a ida da filha para a Síria, com apenas dezenove anos. Ela ficou noiva pela internet de um membro lá dos yahadistas.
Outras meninas já foram interceptadas no meio da "fuga", "missão".
A entrevistadora se veste com uma burca, cobre até os olhos e acompanha a muçulmana pelas ruas aqui da Holanda. 
Quando questionada do porquê de usar todos estes trajes, a mulher respondeu que ela assim não pode ser julgada. Ninguém vai olhar.
Bom, ledo engano! Todo mundo olhava, assustado. Todo mundo julga, de um jeito ou de outro, o tempo todo.
O mais engraçado é que estão as duas andando por um centro bem movimentado e todo mundo olhando. Até que passa um senhor, numa motinha, e diz que aquela cena é linda.
A entrevistadora para imediatamente e vai lá conversar com o homem! Daí ela mesmo, de súbito, se dá conta de que não pode falar com homens desconhecidos e sai de perto do homem. rs
Em paralelo ela entrevista uma jovem holandesa e sua mãe que não se conforma com a mudança de religião da filha e seu comportamento.
A mãe desalentada com o radicalismo da filha.
Enfim, só penso que extremos são perigosos.


O programa pode ser visto aqui: "Gevarlijke vrouwen?" - "Mulheres perigosas?"