A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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domingo, 29 de março de 2020

Boletim Corona vírus

De repente os assuntos diários do dia a dia não interessam mais. Tornaram-se insignificantes. Tudo está e olha para o vírus que assola o mundo feito um tsunami.
De repente, nos vemos de mãos e pés atados. Simples atividades diárias foram prejudicadas. Crianças privadas de irem para a escola. Falar e se aproximar das pessoas é correr e colocar os outros em risco.
Tivemos que nos recolher. Nos proteger.
Esta consciência não é de todos. Tem gente que acha que está apenas acontecendo só em algum lugar distante e a vida segue normal.
Há muitos casos também na Holanda. Por aqui temos um site para nos atualizarmos: NOS liveblog
Aqui na cidade temos relativamente poucos casos. Registrados até ontem 45 casos para uma população de cerca de 100 mil habitantes.
Todas as noites, um programa discute medidas, expõe casos e pesquisas na televisão.
Meu marido trabalha de casa. Eu sigo com minhas atividades diárias igual. Na minha vida diária sofri pouco impacto. Claro, perdemos um pouco a liberdade de ir e vir mas estamos bem e conscientes de que o isolamento se faz necessário. Saio para coisas essenciais e o mínimo possível. Programo para fazer o que eu preciso na rua numa única saída. Me organizo com listas do que comprar e onde. Assim, traço uma única rota para ir e voltar. Programo mais ou menos o menu da semana. Produtos congelados do supermercado são muito práticos. Frutas e legumes em geral, aguentam bem uns bons dias na gaveta da geladeira.
A gente começa a deixar o surpérfluo pra trás. Gasta menos e com coisas essenciais. Pensando bem, uma freada no materialismo e consumismo desenfreado. Ruim para a economia...com certeza teremos sequelas. Será uma seleção, acredito, do que será útil e do que não será mais.
Felizmente estamos num país estável, o que nos dá uma certa tranquilidade, porém a longo prazo...é um efeito dominó. Visto que o vírus, até uns meses atrás só assolava a China e o mundo seguia e olha o que aconteceu...de repente todo o mundo ficou no mesmo barco.
As lojas essenciais estão abertas. Serviços de entregas e compras pela internet seguem na sua normalidade.
Temos internet, televisão, telefone, energia elétrica, água e comida...e sabemos que tem muita gente trabalhando firme para manter a ordem. Cabe a nós, colaborarmos e sermos solidários de alguma forma, mesmo que seja apenas ficar em casa. Já ajudamos.
Tem muita gente correndo riscos por nós. 
Muita gente em outros países em condições muito instaveis. Nas mãos de uma política fraca e corrupta que deixa a sua população à deriva e sem grandes esperanças.
Infelizmente o mundo não é igual para todos, mas cada um pode fazer a sua parte, sempre.
E você aí do outro lado? Como está seguindo, o que pensa? Espero que tudo esteja bem. 
Mente sã, corpo são.
E...é o que tem para hoje! Boa semana.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Quando a saudade fica...

Lizzy quando queria colo
A gente só entende a relação de um animal e seu dono quando passa a ter um bichinho em casa.
Na verdade, ela não era nossa. A gente é que era dela.
Apareceu aqui, foi se enturmando e tomando conta do pedaço. Aliás, as duas! Sim, duas.
Mas a Lizzy era especial. 
Educada, sensata, tranquila, inteligente...uma lady! Tinha senso de humor e, quando podia, achava o travesseiro para se aninhar e dormir na nossa cama. Engraçada era a cara que ela fazia quando eu a descobria. Porém, como ela fazia isso muito de vez em quando, eu deixava a travessura acontecer. 
Ela tinha a casa dela, mas sabia se dividir entre os dois lares. Tinha seus horários, sempre pontual. Seus hábitos eram também bem definidos.
Eu sou meio "Felícia" e ela não gostava muito de amassos, não. Me ignorava. Mas era perfumada e macia a criatura! - E a ironia do destino: a minha alergia a gatos. Eu espirrava quando ela aparecia toda asseada e perfumada! -  E só quando ela queria, ela nos dava a honra de ficar no nosso colo.
Fomos nós que percebemos que algo não ía bem com ela. Apesar de seus dez anos, era cheia de energia e parecia uma gatinha novinha. Avisamos os donos que levaram ao veterinário. Acho que o diagnóstico foi equivocado. Foi tudo rápido.
No dia que ela partiu, nós conseguimos vê-la e ficar com ela. De noite, a "dona" dela veio nos avisar que ela tinha partido, há uma semana atrás.
Os humanos se decepcionam fácil uns com os outros... agora com os animais, a gente se surpreende.
Lizzy... o nosso amor e o nosso respeito. Que bom que você foi a nossa companheirinha e alegrou a nossa vida mesmo que tão brevemente. 💓😻

segunda-feira, 15 de maio de 2017

E no velório do sogro da vizinha

O pai do nosso vizinho e sogro daquela vizinha folgada mas que é gente boa, faleceu no final de abril.
Ele tinha 72 anos e creio que há um ano, ou nem isso, foi descoberto um cancer de pulmão.
Olha, triste viu, porque o senhor era um homem grandão, forte, bem disposto e cheio de vida pra curtir a vida boa que é estar na terceira idade por aqui, com uma boa aposentadoria. Infelizmente, não foi bem assim.
Nós recebemos o convite para o velório e a cerimônia. Devido a nossa pouca intimidade, decidimos ir apenas no velório que costuma ser de meia hora para cumprimentar a família. Bom, nós somos vizinhos. Vez ou outra a gente quebra o galho - mais nós, digá-se de passagem, os galhos deles rs - e ela me chama pra um café e vice versa. Às vezes, a gente troca uns quitutes...a menina dela AMOU o meu bolo formigueiro e eu tive que dar a receita. A menina não gosta de bolo, mas o meu...foi sucesso nas paradas.
Enfim, assim como nós, encontramos outros conhecidos dos vizinhos, que também decidiram ir nesta meia hora e devem ter pensado o mesmo que nós.
A cerimônia toda também foi bem no meio do dia, no dia seguinte, ou seja, para quem não é parente ou amigo próximo, não dava.
O velório costuma ser no início da noite, num horário em que as pessoas podem comparecer. Serviram café e chá num salão bem grande para quem quisesse ficar mais um pouco.
Tinha muita gente, pois eles são família antiga de um vilarejo e todo mundo se conhece. Havia, então, uma fila bem grande e esperamos, pelo menos, quinze minutos para entrar, passar pelo caixão fechado cercado por coroas de flores e depois, chegar nos familiares.
E é, aí, na chegada aos familiares que é a parte mais sensível.
Nós conhecemos a família, entre outras pessoas, no aniversário da filha dos nossos vizinhos. E só. 
A primeira pessoa era a esposa, a mãe do nosso vizinho. Ela estava muito emocionada e abriu um sorriso simpático quando me viu e agradeceu a nossa presença.
Em seguida a filha mais velha, o marido e os filhos deles, ou seja, os netos.
Depois estava o nosso vizinho e a vizinha.
Apenas estendi a mão, num cumprimento no maior estilo holandês e ele se inclinou, encheu os olhos de lágrimas e me abraçou. Eu fiquei naquele momento meio surpresa. Não esperava isso.
E quando cheguei na minha vizinha, ela também, se debulhou em lágrima e me abraçou. Nisso, eu parei a fila para consolá-los. E danou-se todo o protocolo holandês.
E, quando nos encaminhávamos para o salão do café, na fila ainda para os cumprimentos, me deparei com uma senhora holandesa que conheci na casa dos vizinhos. A cumprimentei e segui.
Quando já estávamos sentados tomando o café, esta senhora me viu e veio falar comigo.
_Me desculpe. De onde mesmo que nos conhecemos? Você me cumprimentou e seu rosto não me é desconhecido.
Olha...se ela estava num local onde ela só conhecia os meus vizinhos, ela só poderia me conhecer da casa deles, não? Meio óbvio.
Eu ainda a chamei pelo nome e disse a ela que nós tínhamos nos encontrado por duas vezes já. Ela ficou super sem graça.
Depois passaram por nós um casal de vizinhos. Eles nos viram? Não sei, pois se viram, fizeram de conta que não. Eu desconfio que a moça é cegueta, pois ela tem o olhar perdido. Vai ver se recusa a usar óculos...e passa por antipática hahaha O marido a segurava pelo ombro e parecia guiá-la. hahaha
Depois olhei e vi outro casal. A moça também me olhava. E aí, eu me enchi...sabe quando você olha de volta, este povo, ao invés de dar um "hallo", desvia olhar, como se estivesse fazendo algo de errado.
Tem horas que eu me invoco e volto a ser o que eu era e vou lá, na maior, e chego junto!
Me levantei e fui até o tal casal. Meu marido, nestas horas, fica meio passado. Eles tomaram um susto. Não sei se não se lembravam de mim, do meu marido, ou sei lá...mas o filho deles é o melhor amiguinho da filhinha dos vizinhos. Eu me aproximei e já fui dizendo que os conhecia da casa dos vizinhos, se eles também se lembravam de mim e perguntei do menininho deles. E eles lá, gaguejando.
Eu não sei se este povo realmente esquece ou este povo faz de conta que esquece.
Quanto mais eu vivo neste país, mais eu acho estes holandeses super esquisitos.
E meu marido nestas...lógico holandês, no meio de holandeses, fica igual...e ele também olha e diz que não reconhece ninguém.
Será que é algum problema no genes de reconhecimento visual deste povo?!?!?!
Mistério!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Fatalidade?

Marido chegou em casa e me perguntou se tinha ouvido algo sobre um casal de idosos encontrado morto no jardim de casa aqui na Holanda. Foi num vilarejo.
Eu não escutei nada e nem li nada a respeito mas fui pesquisar para saber mais. Encontrei a notícia de que o fato ocorreu no fim de semana passado.
A senhora saiu para o jardim, não voltou e o marido resolveu ir atrás dela. Ela tinha caído e não conseguiu mais se levantar. Ele tentou ajudá-la e no fim acabou também caindo. Morreram os dois de hipotermia.
Assustador, né? Será que não gritaram por socorro? Será que tinham filhos? Será que ninguém viu nada?
Se bem que estes vilarejos são desertos, as casas não são tão próximas uma da outra.
Triste e assustador.
Eu só acho engraçado como que eles conseguem contar que a mulher queria trancar o portão. Será que era um costume que os vizinhos sabiam e imaginaram toda a situação?
É nestas horas que eu fico pensando pra onde caminha a humanidade.
O Sinterklaas está chegando e precisávamos falar com a minha cunhada. Telefonamos dois dias para ela. Na casa, no celular. Sabe, a gente nunca liga, até mesmo porque já percebemos que eles não gostam de atender. Desta vez não era uma coisa urgente, porém meu marido queria falar com a irmã ao invés de responder friamente por e-mail, pois poderia criar um mal entendido. Dois dias, minha gente...telefonando na parte da manhã, no meio do dia e na noite. Eu não acredito que ela não tenha visto. E se fosse assunto urgente? De vida ou de morte?
No terceiro dia ele conseguiu, ela estava no trabalho e resolveu atender.
Fico pensando se os meus sogros tiverem alguma emergência, será que ela irá atendê-los?
Pra mim só me dá a impressão de descaso, falta de noção ou má vontade mesmo.
Tem horas que dá medo deste povo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"Zij is uit het leven gestapt"

Está é uma maneira cordial, suave de dizer dos holandeses que a pessoa se matou! 
A tradução seria: ela desembarcou da vida.
Ontem mesmo foi falado dos números de suicídios que se elevaram aqui na Holanda.
É impressionante que isso acontece, tipo assim, nas melhores famílias. Não é gente ferrada na vida, não...é gente com a vida ganha, que faz e acontece, que tem família, amigos, vida social. Mas que vive à sombra. Lá no seu íntimo ninguém sabe de nada e a pessoa não fala. E vamos combinar que este povo aqui também não é de escutar.
Eu já escutei muitas conversas e o diálogo é um monólogo, tudo na primeira pessoa: ik. Você não escuta uma interação do que a gente faz de "se meter" na vida do outro e dar um palpite. Aqui a gente escuta que a vida é da pessoa e é ela que deve saber o que é melhor para ela.
Este blog pode até parecer coisa de ficção, mas não é.
Um mês atrás, a namorada de um dos primos do meu marido se matou. Ela disse que precisava de uns dias para ela e disse que iria viajar. Se enforcou.
Nós a conhecemos rapidamente no funeral do titio, ano passado. 
Naquela época eles já tinham um ano de relacionamento. Os dois vinham se conhecendo, "saídos"de um casamento, com quatro filhos cada um. Fiquei até imaginando quando reunissem os filhos: seriam oito numa tacada só!
A primeira mulher dele, mãe dos filhos dele, pirou! Sim. Ela começou a seguir aí uma seita sei lá do que, com uma filosofia de vida assim e assado e, numa hora lá de libertação, chegou à conclusão e deu tchau ao casamento, aos filhos, ao marido, à vida, aos amigos. Até onde soubemos, a família dela conseguiu interná-la.
Tudo isso ele contou assim, numa tacada só, numa festa de aniversário para a minha cunhada. Vejam bem, este povo não se visita, não se fala, não se procura, mas numa festa eles falam tudo.
E a tal namorada, super entrosada com a família lá. Inclusive era ela que estava acompanhando os meus sogros. Aliás, parecia que ele era o filho dos meus sogros lá no funeral. E ela, orientando as pessoas, olhando se tudo estava nos conformes...ou seja...a mulher estava com tudo, super entrosada com todos.
Nós soubemos do suicídio dela pelo meu sogro, duas semanas atrás. 
Ele até pediu ao meu marido para enviar uma mensagem de condolências. Ele não o fez. Achou que seria muito estranho já que ele e o primo não têm contato algum.
Mas o meu sogro enviou e ele respondeu e foi aí que eu fiquei boquiaberta.
Teve gente que achou a mensagem dele muito bonita e forte.
Eu...achei de extrema arrogância.
Na mensagem enviada ao meu sogro, ele dizia que não sabia que ela sofria de depressão.
Os filhos dela sabiam o que ele tinha feito por ela e o quanto eles estavam felizes juntos. Que eles fizeram muito em dois anos o que muitos casais não fazem uma vida inteira juntos. E foi pontuando item a item. Que tiveram bons tempos e que isso o confortava e que era uma pena que ela tinha um fardo tão pesado que ela não suportou.
Ele só faltou terminar a carta com um "e ela se matou feliz".
Sabe, como que uma pessoa não percebe, em dois anos de relacionamento, que alguma coisa não estava bem?
Ao meu ver, estava tão preocupado com o "estilo de vida" do vamos fazer e acontecer do que prestar atenção de fato na namorada.
Detalhe: os filhos sabiam e o ex marido também.
Dizem que quando uma pessoa quer se matar, ela vai e se mata mesmo, ninguém consegue impedir... mas será que realmente ela precisava ter chegado neste extremo? 
Aqui eles meio que entendem da seguinte forma: a decisão foi dela, ela quis assim. Temos que respeitar.
Não pensa nos filhos, nos pais, no namorado, amigos? Tipo, eles que fiquem aí e se virem neste mundo! Pra mim, já deu! Tô desembarcando da vida, aqui!
Será isso? 
A gente olha a pessoa e acha que é uma pessoa forte, esclarecida...pô uma HOLANDESA, dona do próprio nariz, a mulher emponderada.
Sei lá...só sei que a lista do que fizeram foi grande viu...vai ver foi isso...fez tudo o que tinha pra fazer e a vida ficou sem graça.
Enfim...têm coisas que a gente até quer entender, mas jamais saberemos ou conseguiremos entender de fato.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Quando a coisa começa a complicar

É tudo muito sutil. Começa parecendo uma distração, uma falta de atenção apenas. 
Tem certeza que de tal coisa está no amário quando na verdade foi colocado por ela em uma gaveta embaixo da pia.
E assim, certos detalhes, atitudes vão passando desapercebidos até que a própria pessoa começa a se dar conta de que algo está errado. Por que eu não consigo me lembrar do dia de ontem?
E começam também certos acontecimentos físicos. Uma certa agressividade. A apatia.
É capaz de narrar coisas do passado distante como se estivesse acontecendo naquele mesmo instante.
Mil vezes a mesma pergunta. Começa a repetir frases como um disco enroscado.
Se perde no tempo.
E quem está perto não sabe como lidar mais.
Minha sogra foi diagnostica com demência. O pai dela morreu com este problema.
Ela não quer ir ao médico. Se recusa.
Os inconvenientes começam justamente porque quem está próximo não sabe como lidar com as atitudes imprevistas dela.
A pior atitude é falar que ela já fez tal coisa, que ela ligou o aquecedor e fica brava com o meu sogro porque a temperatura foi deixada tão alta.
Olha, situações imprevisíveis.
Quando viajei com eles de férias notei que ela não achava objetos e, por várias vezes, ela tirava e colocava tudo de novo no armário, na esperança de que saberia o que tinha e onde encontrar. Dias depois lá estava ela fazendo tudo de novo.
O assunto é tabu. Ninguém gosta de falar. Aí eu me pergunto, onde está a praticidade destes holandeses que costumam ser tão diretos e práticos?
Conversei com as minhas cunhadas... meu sogro precisa de um respaldo emocional. 
Pode parecer cruel, mas minha sogra é caso perdido. Melhora não terá. Mas as pessoas em volta precisam se blindar, porque logo estaremos todos abalados e perdidos se não buscarmos ajuda.
Não dá pra saber o que pode acontecer. Parece que o avanço da doença meio que estabilizou, mas a gente não tem como saber.
É tudo muito assustador e muito louco. Você não sabe se aquela conversa será lembrada por ela. 
De uma viagem recente para o Marrocos, ela já não se lembra mais de nada.
Ela tem lapsos inesperados.
Veremos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Acabou mesmo


Semana passada a rede de lojas V&D começou de portas fechadas. Ao que tudo indicava, seria apenas para fazer um inventário aos novos empreendedores e as lojas ficariam fechadas por três dias.
Não abriram mais!
Infelizmente, foi confirmado o encerramento da rede. Não houve entendimento e nenhuma negociação. Cerca de oito mil funcionários foram demitidos. É muita gente!
Sem contar o grande choque pra sociedade holandesa de uma forma geral.


A V&D era uma rede de lojas de departamentos tradicionalissíma: roupas, sapatos, artigos para casa, cama, mesa, banho, papelaria, hobby's, alimentos, jóias e a praça de alimentação. Também fornecia marcas conhecidas.
Era sempre agradável passear numa das lojas ou até mesmo ir somente para um lanche, ou uma refeição na praça de alimentação. Era quase um mini shopping. Com um certo estilo e elegância, as lojas investiram numa repaginada nos últimos anos, para dar um ar mais chique às suas filiais.
Era uma rede acessível, com um certo charme sem ter preços caros...ou seja, todas as classes tinham chance numa V&D.


Sintam o meu saudosismo! 
Muita gente está desolada. Há cidades que perderam o seu atrativo, já que uma V&D costumava ser o coração comercial de uma cidade. Têm muitos prefeitos preocupados.
Felizmente, algumas filiais do La Place foram compradas pela rede Jumbo de supermercados e seguirão funcionando.


Aqui mesmo, a rua está triste. As pessoas nas ruas parecem que ficaram sem teto.
E pra onde vai esta parte da sociedade que consumia na V&D? Ficamos sem ter onde comprar.
Isso também já foi reclamado por muitos nas entrevistas.


Como a Bijenkorf que fechou muitas filiais, mas nem teve tanta comoção, pois a rede já é para os mais afortunados.
E na rabeira da V&D seguem as redes de artigos esportivos Perry Sport e Aktie Sport.
Meeeedoooooo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

E assim começa o ano


Então que uma rede holandesa de lojas de departamentos, V&D, fundada em 1887, está falida.
São muitas filiais pelo país todo, com uma rede de restaurantes chamada La Place.
Ao total são cerca de dez mil e trezentos funcionários à beira do desemprego.
Isso está sendo um choque para a Holanda, uma loja muito tradicional que faz parte da história do país.
Muita gente vai nesta loja como quem vai para um shopping. Nem sempre para comprar. A esfera é bem agradável e as filiais de cidades grandes são uma beleza. Como tem a praça de alimentação, famílias inteiras vão "janar fora" já que a rede de restaurantes oferece, além dos quitutes doces e café, também lanches e refeições quentes diversas. E tudo muito em conta.
Eu acho realmente uma pena se o pior acontecer.
A rede está totalmente endividada e espera por novos investidores que até o momento não se apresentaram.
Claro que o movimento continua assíduo nas lojas, mesmo porque está tudo em liquidação. A certeza é de que as lojas sigam abertas por mais dois meses.
Gente, se fechar a V&D aqui da cidade, o centro vai acabar. Esta loja é que dá vida ao centro. Já temos muitas lojas que fecharam, foram embora da cidade. Há salões e mais salões vazios.
É uma coisa inexplicável.
Além dessa rede, uma outra de calçados chamada Macintosh Retail que detém as lojas Scapino, Dolcis, Invito e Manfield também já declarou falência.
Pois é...ano novo começando falido pra muita gente, infelizmente.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Não foi só o 7x0, foi muito mais


Então, ontem assistimos a este programa aqui Zembla Internacional: O lado sombrio da FIFA.

A Copa do Mundo já foi, já passou mas as consequências ainda estão lá.

Apesar das chamadas e comentários estarem em holandês, é possível ver porque tem muita coisa dita em português e também em inglês e tem apenas 35 minutos.
Olha o que chega aqui para a Holanda.

"Zembla INTERNATIONAL sobre o lado oculto e sombrio da Copa do Mundo da FIFA.  
O jornalista Sul-Africano Craig Tanner faz um retrato chocante do impacto da Copa do Mundo na África do Sul e no Brasil. De acordo com a FIFA é uma grande festa para todos. Porém os recentes escândalos de suborno e detenções de funcionários da FIFA sinalizam um mundo sombrio de conflitos de interesse e auto-enriquecimento. Por trás dos sucessivos escândalos de corrupção no mundo da FIFA, existem muito mais problemas ocultos. FIFA tem recordes de vendas e lucros durante os Campeonatos Mundiais, enquanto os países organizadores são obrigados a investir pesadamente em instalações para os fãs de futebol. Em troca, a FIFA promete aos países um renascimento do turismo e da economia local. Mas, de acordo com o povo, eles pagam um preço muito alto para a festa do futebol."

 http://zembla.vara.nl/seizoenen/internationaal/afleveringen/21-10-2015

Estádios inúteis
Os 12 estádios ultramodernos não vieram na hora certa. O ritmo de trabalho levou a vários acidentes fatais. De antemão já advertiram que, certamente, quatro estádios eram inúteis após a Copa do Mundo. Para um quarto de bilhões de euro, por exemplo, há um estádio localizado na região remota da Amazônia, em uma cidade sem clube, que é pouco utilizado. Existem planos para criar uma prisão nela.

Altos Custos

Romário é agora parlamentar no Brasil. Quando ele ouviu que o Brasil ia organizar a Copa do Mundo em 2014, ele ficou entusiasmado. Mas não por muito tempo: "Comecei a acompanhar de perto o que estava acontecendo e eu notei que tínhamos perdido duas vezes mais do que nós pensamos na construção dos estádios de futebol." Os custos crescentes foram uma monstruasidade para os brasileiros. Durante anos, o governo não coloca um centavo em serviços públicos importantes como a educação, habitação e cuidados de saúde. Casas também são demolidas para construir a infra-estrutura para os turistas de futebol.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um funeral e batatas fritas


Esta semana, foi o funeral do titio, irmão mais novo da minha sogra.
No dia 23 de abril, ele recebeu o diagnóstico oficial de um câncer no fígado que se espalhou para a vesícula e o intestino. Infelizmente, sem tempo para mais nada. 
No dia 27 de maio ele faleceu, em casa.
Eu tive pouco contato. Nos encontrávamos em festas familiares apenas.
Ano passado ele deu uma grande festa de 65 anos! Sem suspeita de estar doente.
Titio sempre foi bem atencioso com a gente. Muito gentil comigo, sempre puxando papo. Tinha um jeitão calado, mas era um gozador.
Marido e ele sempre conversavam sobre algum aparelho elétrico e o seu funcionamento. E, olha, ía longe o papo.
O funeral foi na terça feira que passou.
Eu não fui a muitos funerais aqui na Holanda. Somente do avô do meu marido, há quase seis anos.
Aliás, foi no mesmo local. Eles foram cremados.
Foi na parte da manhã e se estendeu até perto do meio dia.
Todos foram recepcionados num hall. A família estava numa sala isolada.
Um mestre de cerimônia deu as boas vindas e pediu para que ficássemos de pé.
Fomos todos convidados para nos sentarmos num salão que parece um auditório.
Em seguida sim, entraram familiares, amigos próximos que trouxeram muitos arranjos de flores e o caixão, que permaneceu fechado durante toda a cerimônia.
Havia um quadro, com a pintura de seu rosto, num tripé.
Houve um flashback, relembrando, com uma apresentação de fotos, toda a sua trajetória de vida.
Entre um pequeno intervalo na apresentação das fotos, falaram a esposa, os dois filhos, um dos sobrinhos, e pessoas amigas e que trabalharam com ele.
Fatos engraçados foram mencionados, coisas que ele gostava de fazer...
Imagina que ele gostava muito de ir jantar no Ikea! Comida boa, barata e ainda dava uma voltinha na loja para ver as novidades.
Os últimos meses, estava ajudando o filho mais novo a montar o apartamento...colocando a mão na massa, mesmo!
Minhas cunhadas choraram muito. Meu marido também se emocionou pois ele tem lembranças de infância com o tio. 
Concunhada que não aparece em nada, foi com o meu cunhado.
Uma pessoa cantou uma música que ele gostava.
Depois, fomos saindo pouco a pouco em fila e passando pelo caixão sem sinal de respeito.
No caminho para o local da recepção, recebemos sementes de flores: "Vergeet me niet" - não me esqueça, a florzinha da imagem acima.
É triste, viu? Foi tudo muito emocionante e bonito, sem cunho religioso.
Minha sogra que tinha que ficar junto da família na área reservada do restaurante, não aguentou e ficou conosco, na sala à parte que estávamos tomando café. Ela só chorava. No meio dos filhos ela se acalmou e os conhecidos foram chegando para cumprimentá-la.
Mas agora vamos falar de uma situação: quase todo mundo pensava que eu era a filha dos meus sogros!
Sério. Já tivemos outras situações assim, mas lá no funeral foi demais.
Até os amigos do titio acharam que eu era a filha da R.
Uma senhora disse ao meu marido espantada que eu parecia muito mais com a mãe dele do que ele. 
Voltando.
O funeral aqui é uma cerimônia muito formal. As pessoas se arrumam mesmo, mais do que pra uma festa.
É o momento de ver os homens de terno e as mulheres no seu modelito mais formal.
É um evento mesmo e formá-se uma fila para dar as condolências aos familiares do falecido. Tudo dentro de um protocolo.
Ahhh e titio teve tempo para dizer como queria seu funeral. Pediu que no final, era para servir batatas fritas com maionese para todos.
Lá do lado de fora, estava o carrinho, servindo batatas quentinhas.

 Imagem ilustrativa

Em homenagem ao titio, pedimos "patat speciaal" - maionese, curry e cebola picadinha.

Imagem ilustrativa

E assim, ele conseguiu surpreender a todos... até na hora da sua partida definitva deste mundo.
Ele teve uma vida boa na Terra. Viveu bem...realizou muita coisa boa...pena que a vida lhe foi breve.

"Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam." Tiago 1.12

quinta-feira, 19 de março de 2015

Dat meen je toch niet!


"Você não pode estar falando sério!!!!" Era mais ou menos neste sentido que as crianças respondiam indignadas.
Ontem todo mundo amanheceu com a bombástica notícia de que o grupo musical belga mais popular da Holanda, voltado para o público infantil, vai acabar. Ele existe desde 1998 e com duas integrantes originais desde o começo. Uma delas foi substituída em 2009 e teve até um concurso na Tv para selecionar a nova integrante.
Quer dizer, acabar, não. O grupo vai ganhar novas integrantes porque as atuais já não estão assim mais tão jovenzinhas! rs Ah, e que uma delas já está mesmo esgotada - foi o que li na reportagem - e é justamente a mais nova integrante, de 29 anos. A mais velha do grupo tem 40, seguida pela outra que tem 39 anos.
A criançadinha entrevistada nas escolas ficaram chocadas e se recusavam a acreditar no fim do trio, K3 (cádrie). 
Porém, o mais engraçado era a enfática decepção dos marmanjos: os pais! Uns quase derrubaram lágrimas quando foram notficados do triste fim do trio.

Dag K3, daaaaag!


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Parece que a gente só dá voltas

Acho que estou estressada!
Eu li que tenho que contar os fios de cabelo que caem. Se cair até 100 fios por dia, parece ser normal... mas caramba...100 fios por dia - tudo bem que não é tudo isso - caindo todos os dias, se não parar eu vou ficar careca, né não? rs
Dizem que a gente é parecido com uma árvore. No outono a gente também "desfolha". Notei mesmo que a queda de cabelo aumentou, coincidentemente, agora no final do verão.

Sabe, eu tô aqui às voltas, tentando encontrar um caminho.
Aí eu me lembro de tudo quanto é coisa de que já participei. De tudo quanto foi projeto que enfiavam a gente com promessas de "evolução". 
Aquele encontro de mulheres que eu fui, ano passado, ainda continua acontecendo aqui na cidade. Vira e mexe eu recebo convite. Aliás, para outros eventos também. Só que gente, você vai lá e é tudo o maior "embromation". Isso quando não tem custos de locomoção, e, vamos combinar, só ficar investindo, investindo e não tendo nada de retorno, não dá, né?
Aqueles cursos de holandês nos quais a gente não evolui nunca!
Tudo dá voltas e voltas, como um círculo.
E quando tem uma vaga de emprego e não dá nem tempo de se candidatar???? Sério! Aparece aquela mensagem de que a vaga não está mais disponível ou de que eles receberam tantos cv's que nem estão aceitando mais e que a vaga foi fechada.
Já me disseram que tenho que mudar e buscar por outra coisa. 
De fato, pode até ser assim, mas eu preciso descobrir, por mim mesma, e é isto que está queimando meus neurônios.
O nosso amigo holandês apareceu por aqui. Está sem trabalho desde dezembro do ano passado. Está indo em treinamentos infinitos, participando de n dinâmicas de grupos, sendo orientado por coach's disso e daquilo, encontros entre empregadores e candidatos. E nada até agora! E ele é holandês, com um certo nível de conhecimento desejado e tá aí, na rua da amargura!
Pô, tem hora de desanima, viu!

Atualizando: Entre ontem e hoje foram anunciadas as falências de uma rede de lojas bem grande aqui (bicicletas, peças, acessórios automotivos) e de uma construtora bem antiga no mercado. E depois ainda dizem que as coisas estão melhorando. Onde?

terça-feira, 29 de julho de 2014

Sem despedidas

Titia costumava passar um batom bem vermelho e saía distribuindo beijos entre a gente. 
Todo mundo ganhava uma marquinha e era um ritual toda vez que ela se despedia de nós e voltava pra casa. 
Os meninos queriam se esconder dela, mas ela os pegava um por um e lascava um beijo bem dado na bochecha.
E no fim todo mundo achava graça de ficar com o rosto marcado pelo beijo da minha tia.
O tempo passou e, mesmo depois da gente já adulto, ela ainda ousava vir pra cima da gente e tascava um beijo bem vermelho na gente!
Só que desta vez não teve beijo, não teve marquinha na bochecha.
Titia se foi no sábado, à noite, sem se despedir mesmo, sem deixar beijos.
Minha mãe me ligou no domingo para me avisar e eu chorei feito criança.
E, nestas horas, é um momento muito complicado porque a gente não tem despedida. A única coisa que eu sei é que ela não vai estar mais lá quando eu for para o Brasil de novo. 
Isso se passou quando meu tio faleceu. É uma coisa que só o tempo trabalha, porque, pra mim, era como se ele ainda estivesse vivo. A gente não realiza de imediato que a pessoa realmente se foi. 
Já havia tempos que ela vinha com problemas de saúde. Ficou quase 3 meses em coma. Agora, quase um mês atrás, foi acometida por uma pneumonia que não regrediu. E foi uma complicação atrás da outra.
Titia querida, que senhora siga em paz. 
Beijos carinhosos da sua sobrinha.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Não deu

Pois é, juntamos uma galerinha aqui em casa e, conversa vai e conversa vem, começou um gol atrás do outro e ficamos em estado de choque.
O time entrou em campo apagado.
Ver o time alemão com a cor rubro negra...oh arrepiou!
Amigo sugeriu desligar a televisão e sairmos para dar uma espairecida.
Mas lógico que a gente não fez nada disso, porque apesar de ver o time totalmente entregue, a espera por um milagre foi grande.
Oh, people, eu até disse no texto anterior que eu não acreditava neste time... mas tomar a surra que tomamos, foi chocante!
Acordei com um gosto amargo na boca.
Triste foi ver as crianças focalizadas no estádio aos prantos...um menininho lá estava arrasado entre lágrimas.
Pois é, o povo sofre mesmo...nem com o futebol tá dando para contar mais!
Mas a torcida por aqui continua...a Holanda joga hoje!!!!
Hup Holland Hup!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Só ando tomando susto

Abrir uma página de notícias tem me deixado com um certo medo.
De uns tempos pra cá só notícia de falecimento de pessoa famosa e, acima de tudo, querida. Não é qualquer subcelebridade, não!
Acabei de saber com muita tristeza da morte de Jair Rodrigues! Desde que eu me entendo por gente, eu o conheço. Que tristeza me abateu.
A morte de José Wilker também foi outro susto. E eu ainda só soube dois dias depois.
Paulo Goulart, o ator, já estava gravemente doente já fazia tempo, mas mesmo assim senti a sua morte também.
Ahhh o Emílio Santiago que também foi embora.
Quando acessei o site, logo apareceu a foto de Jair na manchete. Pensei que ele não podia ser! 
Não agora que ele tinha regravado sucessos que ele nunca tinha interpretado antes. 
É, foi uma despedida e ele conseguiu realizar o seu sonho de gravar estas canções como Serenata.
Conforta saber que ele tinha uma alegria imensurável e, com certeza, foi feliz! 
Deixa a gente aqui triste, com aquele sentimento de perda e referência.