Eu não tenho crianças em casa.
Eu não tenho problemas em receber crianças em casa, ao contrário.
Tem crianças que vêm aqui e eu reconheço que são uns amores, bem educadas e que sabem se comportar. Sim, estas crianças existem!
Porém, eu tenho problemas com os pais das crianças! Pronto, falei!
Claro que eu não espero que uma criança fique sentada no sofá, sem se mexer, sem falar, sem tocar em nada. Claro que não!
Se a criança quiser andar pela casa, tudo bem. No entanto, espero que o pai ou a mãe fiquem de olho no pimpolho - que nem é assim uma criança tão novinha - porque, simplesmente, não se confia numa criança, ainda mais na casa dos outros.
Se não quer ter preocupação, não leva o filho. Ponto! Caso contrário, tome conta do seu filho, por favor.
Não precisa tirar os sapatos para entrar na minha casa. Agora, se você sabe que seu filho brincou na areia antes de vir pra minha casa, é óbvio que ele vai ter kilos de areia dentro dos sapatos. Então, esperá-se o mínimo de bom senso: tirar os sapatos da criança e limpá-los.
Quando olho, vejo rastros de areia pela sala. A mãe sentada, olhando. Nem se mexeu. Eu não tive dúvidas, comecei a limpeza na cara dela mesmo. Poxa...não vê que a minha casa estava limpa?
Sirvo o café e eles deixam a criança pegar a xícara cheia, ou mexer, pegar o açúcar e fazer aquela lambança. Deixe seu filho fazer isso na sua casa. Eu sei que a criança está em processo de aprendizagem, de descoberta do mundo, quer se comportar como um adulto. Mas não deixe ele sujar toda a mesa que a sua anfitriã arrumou com toda boa vontade.
Ahhh a comida...não deixe que seu filho brinque com a comida na casa dos outros e depois jogue quase o prato todo no lixo. Ainda mais quando você sabe que foi o anfitrião mesmo que cozinhou. Tenha consideração. E jogar comida fora, ainda mais fresquinha, é pra mim um pecado enorme e uma tremenda falta de educação. Eu prefiro que a mãe me diga que a criança não gosta, que não quer comer e pronto. Ou coloque pouca comida no prato e eu prefiro que a criança peça mais se quiser. Não é vergonha nenhuma repetir o prato.
Se você disser que seu filho não pode isso ou aquilo, por favor, seja firme e se a criança desafiar, faça ela ficar sentada do seu lado. Se ela levantar, faça ela voltar e se sentar de novo. Não sei que poder você tem sobre seu filho, mas por favor, na casa dos outros demonstre um mínimo de controle com a situação.
Evite gritarias, correrias na casa do seu anfitrião.
Seja consequente em casa com a atitude indevida que seu filho teve durante uma visita. Porque só prometer castigos e não cumpri-los, de nada adianta. A criança sempre sabe até onde pode ir. E ela vai longe, bem longe se você deixar. Não precisa ser o CASTIGO, mas algo de não deixar ver TV quando chegar em casa, por exemplo.
Adoro pais que dizem que os filhos se comportam tão bem em casa e dizem, na maior cara lavada, que não entendem porque eles estão agitados daquele jeito. Pô, conta outra, né? Tá na cara que a criança faz o que bem entende, na hora que quer e nada acontece. Por que na casa dos outros seria diferente?
Quando vejo, o telefone na mão. Vou lá e tiro. Daqui a pouco, a criatura pega o meu celular. Vou lá e tiro. Daqui a pouco, a criatura some e a mãe sentada. Eu vou atrás, porque penso que a criacinha já comeu o meu anticoncepcional achando que eram balinhas! Sério! Eu tenho que ir atrás. A mãe confia, acha que o filho não mexe em nada.
Quando o encontro, está tentando ligar o meu computador.
Se você acha que seu filho entende tudo de computador, ótimo, mas em computador de outra pessoa não se mexe. São objetos de valor, objetos pessoais. Eu não mexo nem no computador do meu marido e vice-versa, quem dirá uma criaturinha mexendo em nossos computadores?!?!
De volta, na sala, ela pega um relógio perto da TV e o derruba no chão, o desmanchando em pedaços. Por sorte, a mãe conseguiu montar o aparato e tá funcionando. Artigo barato, é, mas é meu, tem valor sentimental. Se quebrasse, ela podia me oferecer um relógio de ouro no lugar e eu não ficaria nem um pouco feliz.
Tem gente que diz que seguro é pra isso, debocha. Eu não aceito este tipo de comportamento.
Sofá! Sofá na casa dos outros não é trampolim. Se ele faz isso na sua casa, problema seu, mas não deixe que ele detone o sofá da casa dos outros.
Se o seu filho tiver algo comestível nas mãos. Fique de olho! Se ele suja a parede da sua casa, o sofá, o vidro da porta na sua casa tudo bem, mas na casa dos outros, é muito chato, pode crer!
E se a TV ajudar a distrair a criaturinha, não tem problema nenhum. Eu ligo a TV, mesmo porque, muitas vezes, é assim que os adultos conseguem conversar em paz. Não vejo nenhum pecado mortal deixar a criança ficar calminha vendo o seu desenho na TV na minha casa.
Leve um jogo, um livro, o SEU tablet, um brinquedo pro seu filho, ainda mais se você sabe que os anfitriões não tem filhos. Afinal, é óbvio que ele vai se entendiar se não tiver uma distração.
Ensine a criança a conversar, a bater papo. Tenha diálogos com seus filhos em casa. Faça ele contar sobre como foi o dia na escola. Conte a ele como foi o seu dia! Se for uma criança maiorzinha, vá dando pequenas tarefas na cozinha, enquanto se faz o jantar, por exemplo. Em vez de deixar a criança vidrada na TV ou no tablet. Isso é socialização e se começa entre os membros da família.
No banheiro, dê uma espiadinha na sua criança, mesmo que ela já seja grande, saiba se limpar sozinha, sabe dar a descarga e lavar as mãos. Pode crer, você nunca sabe o que ela é capaz de fazer.
Quando fui ao meu toilette notei o sumiço de pequenos objetos decorativos. Hummm, fiquei meio assim... olhei do lado e quando vejo tudo no chão, atrás do vaso! Pode isso? Me diz por que a criança faz estas coisas? Cabeça de vento? Imaginação fértil?
Me lembro que a gente se juntou no banheiro na casa alheia, só a criançada. A gente tinha tudo uns 7,8 anos. A idéia não foi minha, mas eu fiquei lá olhando a prima fazendo um experimento espirrando o desodorante da mãe em direção a uma chama que saía do isqueiro! Podia ter acontecido uma tragédia, podia! E nenhum adulto foi atrás da gente. O desodorante acabou e logo a brincadeira também...fomos fazer outra coisa! rs
Eu gosto de crianças. Juro! Faço pipoca, bolo, faço o que for possível pra agradar.
O que eu não aguento ver é a passividade dos pais e a falta de limites.
Uma coisa é o mundo dentro da sua casa, outra é o mundo fora da sua casa e, aí, esbarra já no espaço de outras pessoas que não são obrigadas a engolir as malcriações e o mau comportamento dos filhos dos outros na própria casa.
Eu já fui na casa dos outros e, assim como eu, outras pessoas sem filhos é que ficaram de olho nas crianças dos outros, porque os pais não estavam nem aí!
Tem pai e mãe que acha que as crianças que se entendam, que elas precisam do espaço delas! Concordo! Porém é bom monitorar, sempre. Uma criança não tem noção de perigo, não tem noção de alguns riscos.
A criança quase despencando escada abaixo, mordendo outra, enfiando o dedo no olho, beslicando o irmão menor e NINGUÉM - os pais, claro - olhando!
Ahhhh... e o irmão menor?!?! Os pais têm certeza de que o irmão maior é o ser mais amoroso do mundo para com o irmãozinho. Ohhh inocência! Já vi cada coisa - tapa na cabeça, beslicão na cara, puxão de cabelo, de orelha, mordida, murro nas costas, empurrão, cotovelada, colocar o pé na frente pra tropeçar - no segundo em que a mãe ou pai piscaram, se viraram e foram fazer outra coisa.
Não delegue sua responsabilidade de mãe e pai ao seu filho mais velho. Ele não tem obrigação alguma de tomar conta do irmão mais novo.
Olha gente, é só um dasabafo e a preocupação que, hoje em dia, parece que os pais não têm autoridade alguma com os filhos. E as crianças já são bem crescidinhas. E isso, eu acho muito perigoso, porque em que tipo de adulto esta criança vai se transformar?
É isso! Tá falado e sem ressentimentos.
E, acreditem, eu já fui criança!