A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.

Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O lugar é de quem chega primeiro

Então, vou começar o post avisando que o holandês, que levou o chapéu lá no aeroporto e que teve que ser até hospitalizado lá na China, não é o nosso amigo holandês de quem eu sempre falo aqui! Este é outro doido, sem noção que também acreditou no amor virtual. Assustador porque está cheio de gente caindo nestes golpes por aqui.

Mudando de assunto...

Quando começa a primavera e em seguida o verão, a cidade aqui tem uma programação de eventos culturais e até gastronômicos bem interessantes. Tá certo que alguns dos programas foram prejudicados pelo tempo que não colaborou este ano. Aliás, o balanço geral dos meteorologistas sobre o verão deste ano não foi nada animador. E olha que esta semana temos uma onda de calor pela frente. 

E o lado bom é que a Holanda fica vazia... a holandesada some para outros cantos da Europa e do mundo. Porém sempre ficam alguns e estes alguns...

Holandês é um bicho curioso...ainda não sei bem precisar a espécie que ainda me surpreende em tudo.

Um dos eventos que tivemos é um tipo de teatro em movimento a céu aberto. Muitos espetáculos legais, outros nem tanto, que acontecem pelo centro da cidade. E nestas vem gente de todos os cantos e países pra cá. Porém tem os holandeses também! rs
E é assim, lugar marcado não tem, o povo vai chegando e se juntando. Cada um que trate de procurar o seu lugar entre uma cabeça e outra para conseguir ver. Eu já fiquei atrás de muita gente, bem maior do que eu. Já consegui lugar pra sentar, já fiquei em pé, já fiquei frustrada e já tive sorte de ver tudo absolutamente bem. 
Num dos espetáculos haviam cadeiras para sentar, porém insuficientes. Tivemos que ficar em pé, numa fileira atrás de todo o público sentado. Nem achei tão ruim. Estávamos dentro de uma igreja e ficar em pé nos dava até uma visão privilegiada para ver a performance.
E a gente lá esperando a peça começar quando sinto alguém fincando o dedo bem no meio das minhas costas!
Eu odeio que façam isso comigo...odeio. Me sobe uma irritação instantânea do nada. Alguém me tocar, pelas costas, sem eu esperar. E não era só um toque. Foi um cutucão dolorido.
Olho para trás num repente. Era uma senhora holandesa e seu marido velho careca.
Ela me diz:
_ Hei...olha eu estou bem atrás de você e você está atrapalhando a minha visão. Não vê que sou mais baixa? Deixa eu ficar na sua frente.
Olha que criatura simpática.
Olhei para meu marido do meu lado, que olhou para baixo enquanto o velhinho o tocava no braço e dizia:
_ Hei, você é muito grande! Deste jeito não vemos nada.
Percebi a irritação imediata do meu marido. Ele simplesmente ignorou o velho. Eu fiz o mesmo.
Gente...eles poderiam ter buscado outro lugar. Viram que éramos altos. Por que ficaram atrás de nós???? Por quê? Com todo o resto da igreja ainda vago para quem quisesse buscar uma outra posição.
E o que os fez pensar que eles tinham direito ao nosso lugar????? Nós chegamos primeiro.
E do meu lado, uma senhora mais baixa. Ou seja, a tal senhora que estava atrás de mim, poderia muito bem ficar atrás desta outra senhora mais baixa. 
Eu fiquei me imaginando indo cutucar as costas de alguém já sentado e dizendo:
_ Saia daí que eu quero sentar! Me dê o seu lugar!
Logo em seguida, uma moça, do outro lado do meu marido. Simplesmente o empurrou pois queria fazer uma foto. Ela olhou pra ele:
_ Ai, você é muito grande! 
Por que não pediu licença? 
Parecia que o meu marido era o único holandês alto da Holanda!
Aliás é uma coisa ridícula...todo mundo filmando, fotografando exageradamente ao invés de prestar atenção na apresentação. Um horror!
É nestas horas que holandês para mim é muito arrogante e sem noção. Quando lhes interessam algo, eles não estão nem aí para ter o que querem.
E é por isso que eu não tenho mais dó de holandês que cai em golpe...porque eles ainda se acham os espertalhões.
Depois do ocorrido e eu ainda irritada com aquela abordagem, pensamos se deveríamos ter cedido os nossos lugares. Porém, até que ponto nós teríamos que nos prejudicar? Também não achei justo.
Enfim...tem holandês que não se enxerga.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Sou fracote



Uma lembrança assim marcante de um parque de diversões que marcou a minha infância foi o Playcenter. Claro, era famosíssimo!
Não que eu não tenha ido em outros, mas eram aqueles de praça de cidade do interior com uma roda gigante bem singela.
Uma vez fui ao Hopi Hari, naquela torre de queda livre.
E ficaram traumas: do Playcenter aquele barco e do Hopi Hari a torre. Sim, porque eu sou uma fracote. Eu tenho aquela sensação de frio na barriga que parece que eu vou me descolar do meu corpo.
Eu só posso com roda gigante, um balancinho assim bem calminho e no máximo um carrinho que bate bate! Até um brinquedo estilo montanha encantada me dá frio na barriga!
Teve "kermis" aqui na cidade umas semanas atrás. É montada uma feira no meio da cidade, com barraquinhas de comidas e guloseimas, roda gigante, trem fantasma, atrações que voam e bem loucas e outras atrações terrestres como tiro ao alvo, bolas ao cesto, bingo...e por aí vai.
E tinha uma torre com cadeirinhas. Do chão não parecia tão alto....mas quando subiu! E começou a girar! E nos sentimos totalmente inseguros, porque apenas uma barra evitava que caíssemos no caso de sermos projetados pra frente! E tudo preso só por cabos e nada mais! E pasme, 60m de altura. 
Já que estávamos lá em cima, girando, e aquela ventania e tudo balançando...entregamos na mãos de Deus.
Marido saiu daquele balanço tão tonto que nem sabia para que lado ir!
Mas e aí, teve um passeio da empresa, para um parque de diversões, na Alemanha: o Movie Park.
Lá fomos nós e quando vi de fora uma montanha russa monumental, tive a certeza de que daquela atração eu passaria muito longe.
Mas tinha uma pequenininha e com crianças na fila, eu conclui que seria tranquilo pra mim, obviamente.
Já percebi que não...soltei altos gritos e aquela sensação de frio na barriga ficou presente o tempo todo. Porém, sobrevivi! Saí com lágrimas no olhos e o povo olhando para a minha cara!
E lá fomos em outras atrações, demos trocentas voltas na roda gigante até que resolvemos ir numa atração chamada de A fábrica do Van Helsing.... Oh Van Helsing é meu herói!
Só que não dava pra saber exatamente que tipo de atração era. A entrada era bem sinistra, o maior mistério...mas tudo bem...aventura!
A fila estava num salão escuro que parecia mesmo uma fábrica, com filme interativo, sonorização sinistra e beleza, tudo muito louco. Depois você avista apenas uma porta.
Mas eu pensava: aaahhhh se tem estes titicos na fila, eu também vou!
Quando nos demos conta, ao passar pela porta, saímos numa plataforma e, voilá, chegou o carrinho.
Gente, eu podia ter saído pelo portinha lateral, mas eu entrei no carrinho. Eu sentei no carrinho e ele saiu....
Era uma montanha russa! Não daquelas enormes, mas que seguia como num trem fantasma, subindo e descendo por um trilho na escuridão total e vez ou outra, apareciam os monstros ao acender das luzes. E, de repente, despencava no nada. Eu vi os monstros? Claro que não!
A única coisa que eu fazia era berrar! Nem abrir os olhos eu conseguia. E claro, grudei no marido, ao lado.
Por mais que eu tentasse manter o controle, a cada descida brusca do carrinho eu sofria.
E quando eu já achava que iria sair do meu corpo, o carrinho chegou no destino final!
E aquela criançadinha que tinha ido num carrinho antes, ali, totalmente tranquilas como se NADA tivesse acontecido.
Eu saí descabelada, tonta, com dor no pescoço, lágrimas nos olhos e totalmente ofegante!
Imagino que se houver uma câmera monitorando estes carrinhos no percurso por questões de segurança e alguém tiver visto, deve ter morrido de tanto rir!
E marido numa boa. Apenas achou ruim que o carrinho fazia as curvas muito bruscamente!

Mas valeu e tão cedo não devo ir em outro parque mesmo. Quem sabe daqui a vinte anos.
O brinquedo da foto abaixo já chega a ser emocionante para mim!
Eu sou muito fracote! Não tem jeito!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Acabou mesmo


Semana passada a rede de lojas V&D começou de portas fechadas. Ao que tudo indicava, seria apenas para fazer um inventário aos novos empreendedores e as lojas ficariam fechadas por três dias.
Não abriram mais!
Infelizmente, foi confirmado o encerramento da rede. Não houve entendimento e nenhuma negociação. Cerca de oito mil funcionários foram demitidos. É muita gente!
Sem contar o grande choque pra sociedade holandesa de uma forma geral.


A V&D era uma rede de lojas de departamentos tradicionalissíma: roupas, sapatos, artigos para casa, cama, mesa, banho, papelaria, hobby's, alimentos, jóias e a praça de alimentação. Também fornecia marcas conhecidas.
Era sempre agradável passear numa das lojas ou até mesmo ir somente para um lanche, ou uma refeição na praça de alimentação. Era quase um mini shopping. Com um certo estilo e elegância, as lojas investiram numa repaginada nos últimos anos, para dar um ar mais chique às suas filiais.
Era uma rede acessível, com um certo charme sem ter preços caros...ou seja, todas as classes tinham chance numa V&D.


Sintam o meu saudosismo! 
Muita gente está desolada. Há cidades que perderam o seu atrativo, já que uma V&D costumava ser o coração comercial de uma cidade. Têm muitos prefeitos preocupados.
Felizmente, algumas filiais do La Place foram compradas pela rede Jumbo de supermercados e seguirão funcionando.


Aqui mesmo, a rua está triste. As pessoas nas ruas parecem que ficaram sem teto.
E pra onde vai esta parte da sociedade que consumia na V&D? Ficamos sem ter onde comprar.
Isso também já foi reclamado por muitos nas entrevistas.


Como a Bijenkorf que fechou muitas filiais, mas nem teve tanta comoção, pois a rede já é para os mais afortunados.
E na rabeira da V&D seguem as redes de artigos esportivos Perry Sport e Aktie Sport.
Meeeedoooooo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

E assim começa o ano


Então que uma rede holandesa de lojas de departamentos, V&D, fundada em 1887, está falida.
São muitas filiais pelo país todo, com uma rede de restaurantes chamada La Place.
Ao total são cerca de dez mil e trezentos funcionários à beira do desemprego.
Isso está sendo um choque para a Holanda, uma loja muito tradicional que faz parte da história do país.
Muita gente vai nesta loja como quem vai para um shopping. Nem sempre para comprar. A esfera é bem agradável e as filiais de cidades grandes são uma beleza. Como tem a praça de alimentação, famílias inteiras vão "janar fora" já que a rede de restaurantes oferece, além dos quitutes doces e café, também lanches e refeições quentes diversas. E tudo muito em conta.
Eu acho realmente uma pena se o pior acontecer.
A rede está totalmente endividada e espera por novos investidores que até o momento não se apresentaram.
Claro que o movimento continua assíduo nas lojas, mesmo porque está tudo em liquidação. A certeza é de que as lojas sigam abertas por mais dois meses.
Gente, se fechar a V&D aqui da cidade, o centro vai acabar. Esta loja é que dá vida ao centro. Já temos muitas lojas que fecharam, foram embora da cidade. Há salões e mais salões vazios.
É uma coisa inexplicável.
Além dessa rede, uma outra de calçados chamada Macintosh Retail que detém as lojas Scapino, Dolcis, Invito e Manfield também já declarou falência.
Pois é...ano novo começando falido pra muita gente, infelizmente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

E numa singela cidade no interior da Holanda

Hoje tem uma semana que os ataques na França aconteceram.
E uma semana também que um aspirante a homem bomba resolveu tocar o terror no comércio, lá no centro da cidade.
Tomei conhecimento do fato quando li o jornal da cidade esta semana.
Na sexta-feira passada, pela manhã, policiais deteram um sem noção que entrava e saía das lojas gritando "bomba, bomba, bomba" e testemunhas disseram ter a impressão de que ele tinha algo nas mãos que parecia com uma granada.
Enfim, depois de pedir a colaboração do meliante, sem resultados, a polícia partiu pra cima dele e o deteu e concluiu que a tal granada era de brinquedo.
Olha, como é que pode? Ninguém falou se era holandês, se era refugiado, se era daqui da cidade, se era o ET de Varginha, nem uma palavra.
Quando vi a foto no jornal, achei até que fosse algum tipo de treinamento da polícia contra o terrorismo, mas que nada, conforme fui lendo a reportagem o fato não tinha nada a ver com treinamento mas com um acontecimento.
E, o mais sinistro, é que, à noite, aqueles ataques aconteceram em Paris!
E na sexta-feira o centro aqui é bem cheio, pois costuma ter feira aberta na praça.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Nem parece que passou só um mês


Andando estes dias pelo centro da cidade, afinal ainda tem o resto das liquidações de inverno, tomei um susto.
Várias lojas sumiram. Fecharam ou se mudaram ou sei lá. Só sei que há vários locais vazios, fechados.
Até a loja de bijouterias fechou. A Bijou Brigitte.
A M&S também fechou. Não está mais lá.
A loja de sapatos, SchoenenReus que já decretou falência, está lá, cheia de placas com liquidação total, queima de estoque. Acho que logo também fecha as portas.
A Wilma's Linnenshop, especializada em roupas de cama e banho também desapareceu do mapa... não deu nem tempo de eu entrar na loja pra conhecer.
A Halfords de artigos de bike, auto, ferramentas, camping, etc etc também já era.
Parece que tantas coisas aconteceram num curto espaço de tempo que tenho a sensação que passamos meses fora da cidade.
Até as agências de empregos fecharam ou foram dividir o espaço com uma outra!
Oh fiquei assustada...daqui a pouco não vai ter nem vitrines mais para olhar.