Eu vou contar como foi o Natal...
Foi na casa da minha cunhada (de sempre).
Deveria ser, pelo nosso acordo fictício, na casa da minha cunhada mais nova e folgada. Mas ela sempre dá um jeito de se safar.
Voltei a fazer as sobremesas e levei um prato salgado.
Este ano não tínhamos mais o egípcio...e sim o outro novo namorado (que é metade marroquino), com seus dois filhos. A menina de sete anos e o menino de três anos.
Quando eu me refiro às nacionalidades deles é simplesmente pelo fato nominativo. Porque querendo ou não, isso influencia na ceia familiar. Pode beber, pode comer, pode perguntar tal coisa sem ofender? Pode falar palavrão? Pode perguntar a idade?
E era a primeira ceia do novo namorado com a gente...
Correu tudo bem. Correu. Porque não foi na minha casa! hahaha
Chegamos e o rapaz estava esparramado no sofá, doente, horrorosamente gripado!
Não, não dá. Não pode! Mas a casa não era minha, o sofá não era meu.
A criançada alvoroçada. A filha dele...tá aí...eu não gostei muito do jeito dela...me chamou de tia! Todos os brinquedos interessantes que ela achava, queria para ela. Nosso sobrinho estava visivelmente irritado com ela que a toda hora pedia para ter tal brinquedo pra ela levar para casa. A pidonha!
Minha sogra, coitadinha, me perguntava onde estava, porquê aquela criançada gritava tanto e o que ela estava fazendo lá. Respondi várias vezes...
_Sogra, é Natal. Estamos aqui na casa da sua filha X para o nosso jantar em família.
E ela sossegava até que voltava a se inquietar e a me perguntar de novo.
E num dado momento, a nossa sobrinha mais velha apareceu, desesperada na sala, chamando pela mãe.
_Corre, mãe! Vem ver... acho que dá para limpar!!!
O menininho, filho do namorado novo, rabiscou toda a parede do quarto do nosso sobrinho (que é papel de parede) e mais as paredes do corredor dos quartos.
E o pai? No sofá, com a cara no celular.
Problema??? Nenhum. A casa não era minha, o quarto não era meu...nem subi olhar para não passar nervoso.
Depois o menininho achou um tubo de cola, felizmente destas dissolviveis com água, e espalhou pelo chão da sala de brinquedos.
E na hora da sobremesa...o rapaz avançou no meu pudim e ainda disse que nunca na vida tinha comido algo tão bom.
Minha cunhada comeu o resto do pavê na tigela mesmo...
Eu fazia o mantra...
Huuuummmm, não é a sua casa, não são as suas paredes, não é o seu chão grudento de cola...huuuuummm abstrai, é Natal e eles amaram as sobremesas que não te pertencem mais porque você fez para a festa...abstrai...huuuuummmmm
E assim tivemos um belo Natal em família!
Para contar as novidades, fatos, impressões e tudo o que eu ainda vejo de novo!
A "Mudança para a Holanda" já aconteceu há alguns anos.
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.
Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
Hoje já tenho uma certa rotina mas, ainda, com algumas coisas novas... assim é a vida.
Muitas coisas aconteceram... nascimentos, amizades novas e fortes, outras frágeis e desfeitas.
E vai-se vivendo e aprendendo, ou não...afinal quem é perfeito? Eu tento...
E a vida ainda segue, meus caros, no "Vivendo aqui na Holanda"...
Seja bem vindo(a)!
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
terça-feira, 16 de julho de 2019
O Natal
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| O sonho de uma mesa assim no Natal |
No entanto eu vou falar é do Natal do ano passado mesmo, do qual eu não me esqueci.
E senta que lá vem história!
Quando tivemos o Sinterklaas em família no começo de dezembro, que vem acontecendo, talvez, pela terceira ou quarta vez na casa da minha cunhada mais velha, desde que o estado da minha sogra se agravou e ela ficou incapacitada de organizar os eventos familiares. Minha cunhada, que tem três filhos e uma casa grande e confortável para receber todo mundo, oficializou o Sinterklaas na casa dela. E, no embalo, o Natal também vinha acontecendo por lá. Com o detalhe de que todo o resto da família mora na mesma cidade.
Eu levava as sobremesas. Sobremesas feitas por mim, com todo capricho.
No Natal de 2017, elas sugeriram fazer uma troca. Eu deveria levar algo para a ceia. A cunhada mais nova levaria a sobremesa e a dona da casa faria a ceia das crianças.
A tonta aqui - que leva a sério reuniões especiais - preparou uma ceia daquelas...arroz de Natal, com tudo que se possa ter direito, pernil, saladas variadas. Olha, poderia organizar um serviço de buffet...e levei tudo para a casa da minha cunhada.
A cunhada responsável pelas sobremesas...ahhh quanta praticidade...comprou sorvete do supermercado. As crianças não gostaram muito, não. Acharam que eu tinha levado também a sobremesa.
Porém, ano passado, minha cunhada veio falar comigo. Sugeriu que o Natal fosse na nossa casa, para dividirmos os eventos.
Bom, fui pega de surpresa. Meu marido ainda perguntou se seria prático para todo mundo, já que teriam que pegar estrada e sabe como é em época de inverno...pode nevar, ter tempestades e atrapalhar tudo.
Eu concordei meio assim...pensei na falta de espaço para todos, fiquei pensando em como arrumar a mesa, em quantos lugares...
Disse que elas lá deveriam ver quem ficaria responsável pela sobremesa, pelo menu dos filhos delas e por algo a mais para a ceia, para termos uma variedade na ceia dos adultos.
Uma semana antes eu já tinha o menu definido, fui às compras, me organizei e dois dias antes me enfurnei na cozinha.
Uma coisa eu não deixei de fazer. De ir ao concerto de Natal, na noite do dia 24. Eu acho muito especial e lindo. Mesmo toda ocupada na cozinha, me arrumei e fui.
A ceia aqui em casa foi no dia 26, no segundo dia de Natal.
Meu sogro mesmo não veio, como eu imaginava. Ele não gosta de pegar estrada de noite, principalmente no inverno, que escurece muito mais cedo. Pelo menos, trouxeram a minha sogra.
E esta turma chegou, entrou e se instalou.
Minha cunhada trouxe legumes crus - que aqui eles chamam de rauwkost salade - e fez uma salada para as crianças e o extra dela para a ceia foi uma "rollade", que é uma carne prensada enrolada, sem gosto de nada do supermercado.
A minha cunhada mais nova trouxe sobremesa do supermercado: Profiteroles congelado.
Ou seja, nada de especial. Esforço zero.
Fiquei pensando no meu trabalho, na minha dedicação e da falta de empolgação das minhas cunhadas e não fazer algo de especial para o Natal.
Eles, claro, amaram. Comeram tudo o que puderam e só sabiam dizer que estava tudo uma delícia.
E quando foi a hora do café, depois da comilança, o namorado egípcio da minha cunhada (que agora é ex, ela terminou com ele no começo deste ano e já engatou com um marroquino) respira aliviado e diz:
_Nossa, como é estressante esta época né, com todas estas obrigações! Ainda bem que acabou esta história de Natal!!!!
Nossa, choquei... o cara veio aqui, comeu feito um camelo recém chegado do deserto, não fez nada e ainda se sentiu aliviado que tudo acabou. Que cara de pau!
Olha esta foi boa!
E todos se foram...e eu fiquei com a minha pia abarrotada de louças e uma casa para limpar. Sim, porque a criançada anda por tudo.
Fiquei com um sentimento de frustração.
Não sei o que será este ano... sei que tem tempo ainda...porém não quero mais.
Meu marido me disse que o meu erro é pensar no que eu fiz e no que os outros não fizeram. Até concordo com ele. Eu tenho que fazer de bom grado e pronto! Só que você vê o seu esforço porque é uma data especial e as outras trazendo uma "rollade" e uma sobremesa de supermercado????
Parece deboche, isso sim.
Eu levo muito em consideração a relação interpessoal: zero. Só nos vemos em festinhas de aniversário de sobrinhos, quando, como tios, temos que comparecer. Raramente nos visitamos ou combinamos algo para fazer em comum. Vez ou outra as crianças vêm para ficar com a gente.
Aí parece aquela obrigação de ter que reunir porque se lembram que é família. Passou o ano todinho e ninguém nem aí. E quando é obrigação, pra mim, é coisa chaaaaata. Por isso o meu desânimo...esta que é a verdade.
Só sei que este ano...sei não...estou pensando seriamente em dar um perdido nesta holandesada ou juntar-se a eles na maneira de fazer a ceia...potinhos com tudo pronto do supermercado. Fácil, fácil...
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